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Fotos

Fotojornalismo de R.U.A.

Rodrigo Zaim, Jardiel Carvalho e Tércio Teixeira. Logo, Felipe Paiva formaram o R.U.A. (Registro Urbano Autoral), um dos coletivos de foto mais zica do Brasil.

por Felipe Larozza
22 Dezembro 2014, 4:52pm

Em 2013, as Jornadas de Junho fizeram as ruas de São Paulo pegar fogo. Vários novos fotógrafos chapados de adrenalina e vontade de ver a história passar diante dos olhos foram pra rua com pouco (ou nenhum) preparo para documentar aquilo tudo. Mal sabíamos que o mercado da fotografia brasileira era selvagem: as agências de foto pagando R$ 15, R$ 20 por unidade vendida e as redações demitindo a velha guarda a todo momento.

Depois de muita correria, suor e sangue em algumas noites, lembro de grupos de jovens com suas câmeras discutindo o melhor capacete de skate para se proteger das pedras, os melhores óculos de pedreiro para as balas de borracha que insistiam em cegar ou a melhor máscara de pintor para proteger as entranhas do gás lacrimogêneo.

No meio disso tudo, em uma noite de agosto, três desses jovens se juntaram em um bar na rua Augusta e decidiram tentar meter o Pelé nessa exploração: Rodrigo Zaim, Jardiel Carvalho e Tércio Teixeira. Logo, Felipe Paiva se juntava à trupe e estava formado o R.U.A. (Registro Urbano Autoral), um dos coletivos de foto mais zica do Brasil.

Crédito: Rodrigo Zaim.

As manifestações que se seguiram em 2013 e 2014 foram o ponto que uniu os quatro ao mesmo tempo em que espalhou o R.U.A para cantos muito diferentes.

Felipe Paiva

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Rodrigo Zaim.

Jardiel Carvalho.

Tércio Teixeira.

Felipe Paiva.

Embalado, Felipe Paiva partiu para a Europa. Estudar era a desculpa. Durou pouco, e logo ele estava no front ucraniano .

Pleno inverno do leste europeu, frio de -24 graus comendo o osso, sem saber falar a língua... desenrolar um pouco de russo foi a solução para se movimentar.

"Fiz entrevistas, contatos, explorei cidades ao sul, ao leste, religião e, por último, uma controversa milícia nacionalista, que foi um dos principais atores das violências por parte dos manifestantes."

Felipe Paiva.

Tércio se manteve por um tempo entre São Paulo e Rio de Janeiro com seu contra-luz sempre marcante e a proximidade dos fatos que só quem tem a moral de colocar a câmera colada na boca de um fuzil do BOPE, o que deixaria Robert Capa orgulhoso.

Tércio Teixeira.

Jardiel foi ao Nordeste; com isso, o "Registro Urbano foi para o campo, para as cidades pequenas e [cuja] visão de um local sobre a vida vem trazendo grandes imagens".

Jardiel Carvalho.

O Rodrigo Zaim ficou encarregado de manter a raiz paulistana.

MTST, Copa do Mundo e mais um monte de tretas continuaram acontecendo.

"Um dos principais casos foi o incêndio ocorrido na comunidade do Esmaga Sapo, situada na Penha. Essa comunidade, que era alvo frequente de incêndios, já tinha passado por uma situação complicada em 2012. Neste ano, a situação foi muito pior: cerca de 90% da comunidade foi atingida pelas chamas. Fui para a comunidade um dia depois do incêndio e o que eu via era um cenário de guerra."

Rodrigo Zaim.

Um ano depois, o R.U.A. se tornou uma puta referência no fotojornalismo. Na correria mesmo, indo de uma pauta a outra, fazendo os ensaios com zero de grana ou com muito pouco, a molecada vem tomando espaço e dando muito tapa na cara do fotojornalismo mais engessado.

A correria é tanta que os caras agora têm um Whatsapp (+447454443255) para receber histórias, denúncias e mensagens de amor.

Acompanhe o trabalho deles no FB.

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