Foto: Vitor Casemiro

As fotos do Vitor Casemiro dão um filme cult dos anos 70

Eis o fluxo de sonhos quebrados nas noites de Campinas.

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09 abril 2018, 12:00pm

Foto: Vitor Casemiro

Um caminho visual entre ruas perigosas e seus personagens. É assim que o fotógrafo Vitor Casemiro descreve seu primeiro fotolivro, Noites Desperdiçadas, que está com proposta de financiamento coletivo pelo Catarse. A publicação, apenas com fotografias analógicas, mostra uma realidade obscura da vida noturna de Campinas, interior de São Paulo, onde Vitor mora.

"Noites Desperdiçadas nasceu num período em que eu trabalhava o dia todo e só podia fotografar à noite. Passei a frequentar a parte velha do centro de Campinas, sitiada por bares e zonas de prostituição", explica. Instintivamente, ele diz ter fotografado tudo que achava remeter diretamente àquela área da cidade. "Existe muito medo urbano por lá. Grades, cercas e câmeras de segurança parecem ter vida própria."

Foto: Vitor Casemiro

De alguma maneira, os personagens retratados pelo fotógrafo sempre causam um certo desconforto ou estão desconfortáveis. Nas cenas, ou eles estão no corre ou num rolê bem insano. E, segundo Vitor, o objetivo é esse mesmo: "Considero alguns dos meus retratos como uma trombada. Parece que eu esbarrei na pessoa e a pessoa esbarrou em mim e ninguém pediu desculpa." O registro dessas cenas refletem nuances do clima da cidade. "Campinas é muito grande mas tem uma mentalidade provinciana, tá tudo muito abandonado por aqui", ele menciona.

Nas fotografias de Vitor, tudo colabora para criar uma tensão digna do que Martin Scorsese fez nos clássicos Caminhos Perigosos (1973) e Taxi Driver (1979). De fato, a estética suja de cores intensas, sombras marcadas e luz dura aliada a personagens notívagos e, no mínimo, peculiares, não é acidental. "Esse ensaio, pra mim, é como um filme B. Sempre gostei de filmes estranhos, filmes de gangue, de crime, aquele cinema sujo dos anos 70", comenta.

Foto: Vitor Casemiro

Mas nem só da noite vive o trabalho de Vitor, que encontrou na fotografia uma alternativa mais barata e menos trabalhosa que o cinema. O interesse pelas duas atividades começou lá em 2008, quando praticava parkour. Já o uso do filme é algo mais recente, mas que, desde então, ele tem explorado de forma intensa justamente pela proposta contrária à fotografia digital, tão relacionada ao nosso período atual de instantaneidade.

"Eu trampo num cinema e, até uns anos atrás, ainda tinha projeção em 35mm lá. Talvez minha curiosidade sobre filme fotográfico veio daí. Nesse curto período de tempo, pude perceber que a fotografia analógica tem outro peso."

Para ele, o filme fotográfico é um objeto e cada quadro tem seu valor. Assim como fotos fora de foco, riscadas, borradas ou queimadas. "Se essas fotos fossem digitais seriam apagadas facilmente. A fotografia digital é muito limpa", analisa.

Foto: Vitor Casemiro

Para os cliques de Noites Desperdiçadas, Vitor usou uma Minolta Hi-Matic AF2 de 1981 com os filmes Centuria 200 e Kodak ColorPlus 200.

Como referências, ele curte o trabalho de jovens brasileiros como Bruna Custódio, Rafael Mattar (colaborador da VICE) e Mek. Da gringa, William Klein, Jill Freedman, Bruce Gilden (nosso colaborador de longa data) e Mark Cohen. Para Vitor, o que chama a atenção são fotógrafos que se colocam sempre dentro da imagem retratada.

Foto: Vitor Casemiro

Para os próximos projetos, o objetivo é fugir da pegada gangster setentista e criar uma atmosfera mais voltada para a ficção científica. "No momento, tô fissurado por Varginha, em Minas Gerais, e por outras cidades onde houve grandes avistamentos de OVNIs no Brasil", planeja.

Clique aqui para contribuir com o fotolivro Noites Desperdiçadas, de Vitor Casemiro. Saque mais imagens dele abaixo e também no Instagram.

Foto: Vitor Casemiro
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Foto: Vitor Casemiro

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