Ilustrações por Ben 

Quando sonhar acordado obsessivamente se torna uma doença mental

O transtorno de devaneio excessivo faz pessoas viverem fantasias vívidas e complexas — e muitas dizem que não conseguem parar, mesmo que essa vida de mentira esteja destruindo sua realidade.

por Rebecca Kamm; ilustrado por Ben Thomson; Traduzido por Marina Schnoor
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out 19 2017, 3:00pm

Ilustrações por Ben 

Matéria originalmente publicada no The Wireless .

Andrea passa três horas por dia fazendo isso, rolando na cama ao som de alguma música. Isso faz ela se sentir "segura, quente, excitada, feliz, contente e equilibrada", mas ela também suspeita que essa é a razão para ela nunca ter se casado. Ela é detetive da polícia e ficaria horrorizada se alguém descobrisse seu hábito secreto.

As sessões de Bill podem durar até oito horas. O gerente faz isso no escuro em seu quarto, ou em longas caminhadas solitárias enquanto toca a mesma playlist no repeat. Uma vez ele andou por cinco horas direto sem perceber. Quando finalmente parou, ele olhou para baixo e viu que seus calcanhares estavam sangrando.

Para Julia, um emprego está fora de questão porque "os gatilhos estão por toda parte". Em vez disso ela chora, ri, canta, conversa em voz alta, aí emerge da névoa horas depois, exausta. As sessões engolem 70% do tempo dela. Ela acha que seus amigos já devem ter notado alguma coisa.

Em 2002, o Dr. Eli Somer, professor de psicologia clínica da Universidade de Haifa em Israel, notou que seis de 24 sobreviventes de abuso infantil que ele tratava na época "ocasionalmente aludiam a uma vida secreta interna que estavam vivendo".

Não era aquela coisa comum de sonhar acordado por alguns minutos. Eram roteiros super-realistas minunciosamente detalhados, passando de ponta a ponta por suas mentes durante grande parte do dia. Os pacientes sonhavam com versões idealizadas de si mesmos. Uma amizade verdadeira, fama, romance, resgate e fuga. Atores e cantores famosos pontilhavam suas paisagens de sonho.

Seus pacientes se envolviam em movimentos repetitivos — caminhando, se balançando, girando, jogando uma bola no ar. Elas tocavam músicas emocionalmente carregadas, explicando que isso ajudava a desencadear e prolongar seus cenários favoritos.

O que preocupava Somer não era a intensidade da atividade, ou mesmo o tempo gasto nela. "A maioria das pessoas sonha acordada", ele disse de seu escritório em Haifa. "É um fenômeno básico, que como qualquer fenômeno psiquiátrico se distribui ao longo de um espectro do normal ao anormal." E seus pacientes não mostravam sinais de psicose ou esquizofrenia; mesmo no meio do devaneio, eles sabiam que aquilo não era real.

"Minha lógica bizarra é por que viver a vida quando posso sonhar algo muito melhor?"

Somer ficou preocupado porque seus pacientes disseram que não conseguiam parar de sonhar acordados. Eles diziam ser viciados. E, como qualquer vício, as funções diárias desses pacientes acabaram prejudicadas. Amigos, carreira, amor — mesmo que tivessem conseguido criar algo que lembrasse uma vida, ela acabava desmoronando. Nada se comparava ao seu mundo interno.

Pasmo, ele colocou suas descobertas numa pesquisa, e batizou o comportamento de "Devaneio Excessivo" (DE) e descreveu isso como "uma atividade de fantasia extensiva que substitui a interação humana e/ou interfere em funções acadêmicas, interpessoais ou vocacionais". Mas ninguém em sua comunidade científica deu muita atenção para o trabalho, então ele parou as pesquisas.

Mas um dia, ele começou a receber uma enxurrada de e-mails.

"As pessoas estavam buscando no Google coisas como 'fantasias intensas' e outras palavras-chaves, e encontravam meu artigo", diz Somer, ainda impressionado. "Fui inundado com centenas e centenas de e-mails de todos os cantos do mundo, pessoas implorando: 'Me ajude. Já fui ao médico, já fui ao psicólogo, eles me dispensaram. Por favor, preciso de ajuda'".

O Dr. Eli Somer: "Fui inundado".

Seis horas por dia. Todo o tempo em que ela fica sozinha.

Ter um barato com sonhos é muito fácil quando o viciado e o traficante são a mesma pessoa, diz Natalie Switala, 26 anos. "Minha lógica bizarra é por que viver a vida quando posso sonhar algo muito melhor? Nunca senti vontade de viajar. Mesmo escalar a Torre Eiffel é milhões de vezes melhor na minha cabeça."

A estudante de consultoria de Camberra, Austrália, por anos tentou descobrir o que havia de errado com ela. Aí ela encontrou a pesquisa de Somer na internet, e "tudo mudou".

Hoje em dia ela busca conforto na Wild Minds Network, um grupo de apoio na internet com 5.500 pessoas que se identificam como portadores de DE. "Passei anos me sentindo sozinho e assustado, como se fosse a única pessoa do planeta passando por isso", diz a mensagem de boas-vindas. "Eu morria de vergonha que alguém pudesse descobrir. É hora de acabar com isso. Não somos aberrações."

A enorme comunidade DE online é um testemunho do poder de cunhar um termo médico na era da internet. Há grupos no Yahoo e Facebook, subreddits, fóruns de saúde, blogs pessoais e vídeos no YouTube. Página após página cheia de perguntas frenéticas:

"Você anda saltitando?" "O lugar precisa estar escuro?" "Seus amigos sabem?"

Num círculo perfeito, Somer e sua equipe agora mineram a reserva que inspiraram para continuar sua pesquisa. O artigo mais recente inclui 447 participantes de 45 países; o sonhador mais jovem tem 13 anos e o mais velho 78. "Imagine uma série de TV que é renovada há 30 anos", diz o Participante número 221. "Pense em todas as experiências pelas quais você viu os personagens passarem. É isso que minha mente vem fazendo há mais de 30 anos."

A pesquisa ainda é embrionária, diz Somer, mas eles sabem que um trauma na infância não é necessariamente um precursor (mas um quarto das pessoas com DE sofreram abusos quando criança ou adolescente). Ele acha que "as pessoas provavelmente nascem com a capacidade de sonharem acordadas de maneira imersiva e vívida". Algumas dessas pessoas descobrem que preferem seu mundo de fantasia à vida real, e não conseguem resistir a atração do devaneio.

A vontade de sonhar acordado é como estar preso numa roda que não para de girar, diz Natalie, que encontra gatilhos em qualquer coisa: uma música, um comercial, mesmo vendo roupas numa loja. "Imediatamente me imagino com aquela roupa e crio uma história sobre isso."

"Há uma perda esmagadora de controle", ela explica, "e depois que você sente o barato, vem a ressaca. Se tento parar, sinto que meu corpo tem algo parecido com síndrome de abstinência. Me sinto mal, vomito e tenho enxaquecas." Ela escreveu sobre a experiência para um jornal médico este ano, e fez questão de usar seu nome verdadeiro para normalizar o DE — "para que outras pessoas sofrendo com isso possam encontrar ajuda.

"Quero que o DE saia da internet e chegue às ruas."

Mas nem todo mundo que sofre de DE quer largar o hábito. Alguns imaginam deixar definitivamente o casulo de seu mundo interno e isso os aterroriza.

"Passo quase todo segundo do dia fazendo isso", escreveu o redditor SaveItForARainyDay17, que disse que até recentemente nem imaginava que isso tivesse um nome. "Sem isso, eu provavelmente teria tentado me matar. Algumas pessoas usam drogas, bebem ou jogam videogames para escapar, mas eu tenho esse mundo."

DE é um exercício de compensação, diz Somer. "Pense por exemplo em pessoas extremamente tímidas, introvertidas ou socialmente ansiosas. Elas encontram consolo ao se imaginarem fazendo amizade com cantores pop, astros do rock ou sendo extremamente famosas."

Sobreviventes de abuso frequentemente sonham que são super-heróis, salvando crianças pelas noites da cidade. Às vezes são eles os resgatados. Homens sobreviventes de abuso tendem a ter os sonhos mais violentos. "Eles começam guerras, lutam com espadas, bombardeiam o inimigo."

Natalie fantasia encontrar a fama e ser amiga de celebridades. É uma questão de conexão, ela diz. Geralmente há um senso de "dama em perigo", também — "um homem vem me salvar e tudo fica bem". Às vezes o cenário é sua própria morte, e ela chora.

"Em certos momentos, parece que você está vivendo duas vidas diferentes."

Para quem sofre de DE, é comum temperar os devaneios com tragédia, diz Somer. "Minha especulação é que há uma tristeza interna muito ameaçadora para articular, então eles imaginam algo doloroso acontecendo. Mas sabem que podem regular a intensidade da dor."

Natalie sofreu abuso sexual na adolescência. Seu pai também não era muito presente, ela diz. "Acho que todos esses sonhos com um homem me amando podem vir de necessidades emocionais não-satisfeitas."

Ela tem um namorado (na vida real) que sabe sobre seus devaneios, mas eles não falam muito sobre isso porque as sessões dela tendem a começar depois que ele sai para o trabalho. Essa manhã, diz Natalie, ela estava sentada na cama cercada de amigos; alguns familiares, outros não. "Tem sempre um garoto ou alguém que quero impressionar sentado na minha frente", ela diz.

"Dou play na música 'Born To Die' da Lana Del Rey. Ela realmente toca no meu devaneio. Aí começo a cantar e as pessoas estão tocando instrumentos ao meu redor."

Alguns sonhadores usam música como pano de fundo emocional, como a trilha sonora de um filme. Outros, como Natalie, dublam ou cantam a letra como se fossem astros num videoclipe. "É como se eu estivesse compondo a letra ali mesmo", ela diz. "Sinto a dor nela." Ela ri e conversa enquanto sonha acordada também. "Nada realmente importante, coisas do dia a dia que acho que grupos de amigos conversam. As coisas que digo, a maneira como ajo, é como eu queria realmente ser."

O cérebro é um zelador eficiente mas complicado, se apressando para mascarar traumas e dor a qualquer custo.

Sarah, da Nova Zelândia, é solitária e deprimida, mas também está apaixonada. Seu namorado, Paul, era apenas uma das muitas pessoas em seus devaneios no começo — um personagem que ela tirou de sua série de TV favorita. Mas agora ele é tudo para ela, por cinco horas por dia ou mais.

"Ele literalmente não existe. Eu sei. Mas ele é meu amor ideal que nunca terei de verdade."

Ela sabe como isso soa estranho. "Quer dizer, ele literalmente não existe. Eu sei. Mas ele é meu amor ideal que nunca terei de verdade. Pensar nele me conforta muito, especialmente quando estou passando por problemas emocionais. Dói muito saber que nunca estarei com ele. Desisti da ideia de ter um namorado porque sinto que ninguém pode se comparar a ele."

Estudante de medicina, Sarah sonha com mundos distantes. Ela pode estar combatendo os nazistas na Segunda Guerra Mundial ou ser uma princesa da Idade Média, ela diz. "Ou uma ativista política dos anos 90, uma atriz ou escritora do século 20. É muito difícil se concentrar ou mesmo fazer tarefas cotidianas. Ultimamente estou tendo dificuldades com meu trabalho na faculdade, o que me deixa muito nervosa.

"Em certos momentos, parece que você está vivendo duas vidas diferentes; você começa a se identificar mais com sua vida e seu eu imaginários. Às vezes isso te deixa frustrado e desesperado, o que te faz querer fugir da realidade ainda mais."

O eu idealizado é quase impossível de resistir para quem sofre de DE. William, também da Nova Zelândia, já tentou compor músicas e escrever — "mas passo muito mais tempo imaginando o sucesso do que trabalhando para isso".

William, de 43 anos, faz shows, dá palestras e está sempre cruzando com celebridades. Enquanto sonha, seus movimentos imitam o cenário: se está dando uma palestra, ele gesticula para o público. Se está tocando num show, ele se move como se estivesse tocando no palco. Antes de se apresentar, ele até fica nervoso.

Algo muito distante de sua vida como desempregado, esperando em casa todo dia até que a esposa chegue do trabalho.

"DE é similar a assistir pornografia", ele diz. "Você não admite que faz isso, e seria melhor gastar seu tempo de outras maneiras, mas você faz mesmo assim. Eu gostaria de reverter isso um pouco para conseguir passar mais tempo realmente fazendo alguma coisa com a minha vida, mas não sei o que as pessoas fazem com sua mente em vez de usá-la para sonhar o tempo todo."

O objetivo de longo prazo de Somer é que o devaneio excessivo seja formalmente reconhecido como um transtorno psiquiátrico no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM em inglês), usado por médicos do mundo todo para diagnosticar e tratar doenças mentais.

"Mais profissionais de saúde mental poderiam diagnosticar o transtorno corretamente", ele diz. "Como consequência, mais esforços seriam dedicados para explorar possíveis tratamentos." Isso também abriria portas para financiamento de pesquisas, o que raramente surge para transtornos ainda não oficializados.

Mas colocar um novo transtorno no DSM, que é controlado pela Associação de Psiquiatria dos EUA, é uma ciência subjetiva. Mesmo o Instituto Nacional de Saúde Mental norte-americano, a maior agência de financiamento para pesquisas de saúde mental do mundo, já acusou o processo de categorização do guia de ser "baseado em consenso" em vez de "medidas objetivas laboratoriais".

"Eu não gostaria de nos ver criando outra categoria duvidosa para o devaneio que um indivíduo considera excessivo."

Um dos principais obstáculos da pesquisa de Somer é a posição dos críticos, que o acusam de desafiar o pecado clínico original: patologizar uma atividade mental normal. O Dr. Eric Klinger, professor da Universidade de Minnesota que estuda a relação entre prontidão para a fantasia e psicopatologia, acha que o que Somer identificou pode ser descrito como "um certo tipo de condição", e que isso "merece atenção clínica".

Mas, segundo ele, "Eu não gostaria de nos ver criando outra categoria duvidosa para o devaneio que um indivíduo considera excessivo".

A palavra-chave aqui é "considera". Sonhar acordado provavelmente é algo universal entre humanos com o cérebro intacto, explica Klinger. Isso toma cerca da metade da nossa atividade cerebral, é composto por mais de 2 mil "segmentos" todo dia, e geralmente tem relação com um objetivo pessoal — quer percebamos isso ou não. Nessa linha, acontece de algumas pessoas se envolverem na atividade mais que as outras. E algumas pessoas dessa categoria não gostariam que fosse assim. Daí o "excessivo".

Isso não torna o DE um transtorno único, segundo Klinger, que também aponta para a sobreposição frequente da condição com outros transtornos psiquiátricos, como depressão e TOC.

Mas nem todos os sonhadores compulsivos são deprimidos ou têm TOC, argumenta Somer. E nem todas as pessoas deprimidas ou com TOC têm fantasias vívidas incontroláveis. "Então há uma característica única que justifica essa distinção como um transtorno único."

"E isso é um transtorno."

Jayne Bigelsen, uma advogada formada na Harvard de Nova York com mestrado em psicologia, é a única pesquisadora de DE que experimentou o sonho acordado compulsivo em primeira mão.

"Ninguém tinha ouvido falar nisso", diz Bigelsen, que já publicou pesquisas independentes e em colaboração com Somer. "Hoje mesmo recebi um e-mail de um psicólogo dizendo 'Uma paciente entrou no meu consultório e disse que tinha DE'. Ele nunca tinha ouvido falar nisso."

Quando tinha três ou quatro anos, Bigelsen andava em círculos por horas, balançando um pedaço de barbante e fantasiando sobre a vida escolar e seus programas de TV favoritos. Aí, por volta dos doze ou treze anos "perdi o controle", ela diz. "Eu estava sempre atrás de qualquer segundo vago onde pudesse sonhar acordada."

Jayne quando crianças: "Meus pais têm certeza que eu estava sonhando acordada nesta foto".

Ela conseguiu seu diploma de direito transformando sua vida de fantasia numa ferramenta de estudo. Seus sonhos se centravam na série General Hospital, então Bigelsen imaginou os personagens como estudantes de direito. "Eu pensava 'Ah, essa pessoa precisa de ajuda', e começava a estudar e ensinar a ela o material."

Em 2008, antes de conhecer Somer, Bigelsen convenceu seu psiquiatra e escrever um estudo de caso sobre seus devaneios compulsivos, depois de encontrar uma discussão na seção de comentários num site para pais da Índia. Eles estavam falando sobre o stress e a vergonha de esconder suas realidades separadas, e ela se identificou imediatamente.

Alguns anos depois, Bigelsen se viu num aparelho de ressonância magnética. Um repórter tinha topado com o estudo de caso de seu psicólogo e a apresentou a um professor da Universidade Columbia, que queria observar a atividade cerebral de Bigelsen enquanto ela sonhava acordada. Especialmente, as regiões do estriado dorsal e ventral, onde os humanos processam e experimentam o prazer.

"Enquanto eu estava sonhando acordada", diz Bigelsen, "o centro de recompensa do meu cérebro se acendia, como quando um viciado em heroína vê drogas".

Há muitos caminhos no cérebro que levam ao devaneio, diz Somer. Um deles é o do transtorno obsessivo-compulsivo, com muitos portadores de DE reclamando de uma "necessidade de aperfeiçoar o cenário e a fantasia, e repetir e reencenar isso para desenvolver cada vez mais".

A experiência de Bigelsen acrescenta peso a essa teoria — ela só encontrou alívio quando seu psiquiatra sugeriu que ela tomasse fluvoxamina, um antidepressivo receitado para TOC, um transtorno de que ela tem casos na família. Depois disso, ela não conseguia mais sonhar acordada, "nem quando tentava".

Para um quarto das pessoas com DE que sofreram abuso ou negligência quando crianças, o DE pode começar não como TOC, mas como um poderoso mecanismo de defesa na infância. Alguns pacientes lembram de sonhar acordado com uma "família alternativa melhor", como uma maneira de escapar da dor.

"É como uma novela", explica Somer. "Mas não há drama. Só uma vida pacífica normal — café da manhã, ir para a escola. A alegria está na normalidade, em experimentar uma ligação. Todos precisamos de ligação para não sermos transtornados."

Outra causa poderia ser o Transtorno de Movimento Estereotipado, um transtorno infantil que aparece no DSM. Pesquisas sobre a condição (feitas pela Universidade da Colúmbia Britânica) também estão nos primeiros estágios, mas os temas do estudo de caso parecem fazer a mesma coisa que Bigelsen fazia quando criança.

"Eles andam em círculos", ela diz, "batem as mãos. Quando você pergunta o que eles estão fazendo, eles dizem 'Estou inventando uma história' ou 'Estou imaginando'. Acho que isso é o precursor do DE na infância".

Independentemente de onde a compulsão se origina, Bigelsen diz que sempre se surpreende com como os portadores de DE estão à frente dos médicos. "Eles leem os artigos e dizem 'Olha! Isso é verdade!'"

Ela sabe que a maioria dos médicos vai dizer que o tratamento seria como "medicar a criatividade". Como um pesquisador perguntou a ela recentemente: "Que outro aspecto do comportamento humano normal vamos patologizar na próxima?"

Além de apontar para a pesquisa, a comunidade online e os e-mails constantes que recebe com pedidos de ajuda, Bigelsen só pode apontar para si mesma. "Posso te dizer que estou muito mais feliz agora que os devaneios estão sob controle", ela diz. "Eu sei a diferença."

*Alguns nomes foram mudados.

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