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Esse cara cria congestionamentos no Google Maps usando um carrinho cheio de celulares

Levando 99 celulares para ruas vazias, o artista Simon Weckert faz parecer que o trânsito está parado ali no Google Maps.

por Matthew Gault; Traduzido por Marina Schnoor
11 Fevereiro 2020, 10:00am

Imagem: Simon Weckert.

O artista Simon Weckert anda pelas ruas de Berlim puxando um carrinho vermelho. Pra onde ele vai, o Google Maps mostra um congestionamento. Pessoas usando o Google Maps vão ver uma linha vermelha, indicando que o trânsito está parado na rua, mesmo não tendo nenhum trânsito. Cada um dos 99 celulares dele está com o Google Maps aberto, dando a ilusão virtual de que as ruas estão congestionadas.

“Transportando os celulares para a rua, consigo gerar um tráfego virtual que vai mandar carros para outra rota”, Weckert disse a Motherboard por DM no Twitter. “Ironicamente, isso pode gerar um congestionamento de verdade em outro lugar da cidade.”

Weckert disse a Motherboard que fez o hack/instalação de arte para fazer as pessoas pensarem sobre o espaço que damos para os carros na vida pública e os dados em que confiamos todo dia.

“Não é muito louco como muito do espaço é usado para carros na cidade comparado com uso?”, ele disse. “O hack nos mostra o que é possível com essa tecnologia e de quem dependemos.”

Para fazer o truque, Weckert alugou 99 celulares, todos aparelhos Android, e comprou 99 cartões sims na internet. Ele disse que passa uma hora ou duas em cada ponto, subindo e descendo a rua para gerar o congestionamento. “Mesmo esse curto período de tempo já é suficiente para mudar o tráfego na rua”, ele disse.

“'O mapa não é o território... mas outra versão da realidade'”, disse Weckert, citando o semanticista Alfred Korzybski, uma das maiores influências de William S. Burroughs. “Dados sempre se traduzem para o que pode ser apresentado. As imagens, listas, gráficos e mapas que representam esses dados são todos interpretações, e não existe dado neutro. Dados são sempre coletados para um propósito específico, por uma combinação de pessoas, tecnologia, dinheiro, comércio e governo.”

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Imagem: Simon Weckert

Os mapas são seu próprio território, sua própria realidade objetiva, não apenas um reflexo do mundo real, mas uma ramificação dele. Weckert está mostrando como dados e mapas podem afetar o mundo que deveriam mapear. “Mapas têm potencial como um instrumento de poder”, ele disse. “Eles substituem poder político e militar do jeito como representam as fronteiras dos estados entre territórios e podem repetir, legitimar e construir diferenças de classes e autoentendimento social.”

Dados não são objetivos e os mapas em si podem ter vieses. Mostrar como esses dados podem ser hackeados e manipulados é como apontar que o Imperador está nu.

“Nesse processo estou apontando o fato de que somos altamente focados em dados e tendemos a vê-los como objetivos, sem ambiguidade e livres de interpretação”, disse Weckert. “Fazendo isso, há uma cegueira contra os processos que dados geram e a suposição de que números falam por si. Não só a coleta de dados fornece um escopo interpretativo, mas processos de computação também permitem outras interpretações.”

“Assim, dados são vistos como um mundo em si, esquecendo que esses números só representam um modelo do mundo”, ele disse.

Coty Levandoski contribuiu com esta matéria.

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