Paul Atreides, doido de melange. Cena do filme Duna.

Soma, Melange e Substância D: A história das drogas na ficção científica

Desde que o ser humano começou a contar histórias, ouvimos relatos sobre drogas. Compilamos as mais loucas.

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15 Dezembro 2015, 1:18pm

Paul Atreides, doido de melange. Cena do filme Duna.

Com 4.000 anos de idade, a Epopeia de Gilgamesh é considerada a obra literária mais antiga do mundo. E ela trata, em essência, de drogas: o fim da história se fixa na desesperada jornada de um rei em busca de uma substância que pode rejuvenescê-lo. É uma boa tradução para a máxima que diz que, desde que o ser humano começou a contar histórias, ouvimos relatos sobre alucinógenos, poções e afins.

"Existe uma planta que [...] tem um espinho que espeta como o de uma rosa. Ela vai ferir tuas mãos, mas, se conseguires pegá-la, terás então em teu poder aquilo que restaura ao homem sua juventude perdida.",* explica Gilgamesh a seu barqueiro morto-vivo Ur-shanabi, naquele que é considerado o esforço mais antigo na ficção para a obtenção de uma droga. "Essa planta, Ur-shanabi, é a 'Planta da Batida do Coração' e com ela um homem pode recuperar seu vigor."

Gilgamesh então anuncia que pretende testar sua aquisição em um pastor velho e inocente. É o único herói ficcional a ameaçar os mais velhos com a imortalidade. Mas isso vai além do ponto. O argumento principal da trama é que as drogas funcionam tanto como combustível narrativo quanto como um símbolo potente (no caso do velho Gilgamesh, é seu medo da morte e o tempo que ele levará para derrotá-la).

Desde então, os humanos consomem drogas na ficção como um receptáculo de exploração de temas sobre a ciência, a ordem social e a natureza humana. Nossa ficção sobre as drogas se mostrou capaz de refletir e analisar minuciosamente as ansiedades do contexto histórico em que são escritas – é possível aprender muito sobre os medos e aspirações de determinado período por meio das bad trips dos personagens – e até prever o futuro.

As drogas são feitas sob medida para a ficção científica, que, em sua essência, tende a extrapolar as tendências sociais e tecnológicas. Ao consumir uma substância que vai dar sentido a uma ideia emergente, a droga funciona como dispositivo de enredo com possibilidades infinitas. Um personagem pode tomar um comprimido, comer uma planta ou beber um elixir para se transformar em algo novo sem precisar de muita lógica narrativa (é só uma droga, certo?). No processo, eles podem explorar nossos desejos mais profundos e transmutar preocupações ou aspirações contemporâneas em revelações ao extremo.

E se não morrêssemos? E se pudéssemos nos transformar em outras pessoas e, quem sabe, realizar nossos desejos mais primitivos? E se a ciência pudesse nos deixar mais espertos? E nos permitir ler o pensamento das outras pessoas? Viajar pelo espaço? No tempo? Andar invisível pela multidão? Na ficção, as drogas tornam tudo isso possível.

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Entre Gilgamesh (2100 A.C.) e, por exemplo, a série de TV Limitless (2015), nossos contadores de histórias utilizaram drogas para todos os fins concebíveis (quer uma prova? Dê uma olhada nesse arquivo ilimitado chamado "Lista de medicamentos e drogas ficcionais", da Wikipédia em inglês). Mitologias, histórias e lendas detalharam o uso de substâncias ficcionais nesse espaço de tempo – A Eneida (19 A.C.), de Virgílio, apresenta a água do rio Lethe, que oferecia uma perda de memória agradável para quem a bebesse, um pré-requisito para chegar ao Elísio. É provável, porém, que nossa obsessão ficcional com as drogas, da forma como as conhecemos – compostos químicos ou botânicos, soros ou elixires para afetar propositadamente estados físicos e mentais – tenha iniciado no século XIX.

Na história O Mortal Imortal (1833), de Mary Shelley, o protagonista rouba um elixir da vida eterna de seu tutor alquimista, vive muito mais do que seus amigos e seus entes queridos, e vai se deteriorando mentalmente. Em Alice no país das maravilhas (1865), de Lewis Carrol, a heroína que dá nome ao livro bebe poções e come cogumelos para mudar de forma física. (Apesar de o ópio ser permitido naquela época, e o Jefferson Airplane ter associado o livro à psicodelia de forma irreversível, os estudiosos acreditam que Lewis Carrol não usava drogas.)

O viciado em drogas mais notório de que temos conhecimento é, provavelmente, o protagonista do clássico O médico e o monstro (1886), de Robert Louis Stevenson. O soro ou "trago" que o cientista louco bebe é uma mistura de bebida e velocidade, bastante reforçada, capaz de mudar o corpo e que permite a ele se livrar de suas inibições e sucumbir à sede primordial e voraz de poder e sexo; a droga é o interruptor que aciona o bem versus o mal, o homem versus o selvagem, e com o qual Stevenson explora as fraquezas morais do ser humano enquanto talvez estivesse escrevendo sobre as suas próprias. Alguns historiadores afirmam que o autor escreveu essa novela enquanto estava se recuperando de uma orgia de cocaína de seis dias.

Pôster dos anos 1880. Imagem: Biblioteca do Congresso

Assim, temos o modelo básico das histórias com drogas nas primeiras ficções científicas. Elas mostram aquilo que os telespectadores da chamada "era de ouro da televisão" considerariam um "anti-herói", e funcionam da seguinte maneira: o homem – é quase sempre um homem – descobre (ou rouba) uma substância nova e ousada que oferece possibilidades transformadoras irresistíveis. O homem ingere a substância sem refletir muito. Ele então enlouquece, fica irreconhecível ou morre. As primeiras ficções sobre drogas são bastante sombrias.

O primeiro soberano das ficções com drogas foi, provavelmente, HG Wells, que escreveu sobre uma grande quantidade de substâncias distorcedoras de mentalidade, começando com O homem invisível (1897), no qual um cientista louco ingere um coquetel químico para se tornar invisível, até o bastante visionário O Novo Acelerador (1901), no qual um cientista louco inventa uma droga que concede capacidades cognitivas infinitas e desacelera o mundo a seu redor.

É possível notar um tema emergente em todas essas histórias: a arma escolhida pelos cientistas loucos de todas as classes é uma droga. Não por acaso, laboratórios clandestinos com frascos borbulhantes e mesas de operações sujas compõem o pano de fundo das primeiras ficções científicas. Essas histórias são uma resposta à emergência das ciências farmacêuticas e a ascensão, como resultado, da indústria dos medicamentos que o periódico Chemical and Engineeringestabelece como tendo acontecido no período entre 1970-1930 – justo quando essas histórias começaram a aparecer.

O ceticismo a respeito da ciência e da tecnologia emergentes é endêmico nas melhores ficções especulativas. Essas primeiras histórias com drogas dos "cientistas malucos" têm muito disso. De fato, é possível encontrar na ficção daquele período as bases de praticamente todos os medos relacionado às drogas que ainda enfrentamos nos dias de hoje: é possível abusar de drogas destinadas a nos deixar bem temporariamente; abusar de uma droga que melhore o desempenho e também experimentar drogas sem testá-las de forma adequada.

Essas drogas tendem a afetar somente o cientista louco e os infelizes que cruzam o caminho de sua técnica mal engendrada. Porém, em 1932, tivemos aquela que é, ao que tudo indica, a especulação mais famosa já escrita sobre uma droga sancionada pela sociedade: Admirável mundo novo, de Aldous Huxley. Moradores de uma Londres num futuro distante são mantidos artificialmente em um estado alienado por meio do soma, uma droga legal distribuída pelo governo a fim de curar a ansiedade; é o equivalente literal do "ópio do povo", de Marx, e permanece como uma das previsões mais sarcásticas de Huxley a respeito dos nossos tempos de Ritalina.

"Soma". Imagem de Alejo/Flickr.

"Atualmente, tal é o progresso, os velhos trabalham, os velhos copulam, os velhos não têm um instante, um momento de ócio para furtar ao prazer, nem um minuto para se sentarem a pensar; ou se, alguma vez, por um acaso infeliz, um abismo de tempo se abrir na substância sólida de suas distrações, sempre haverá o soma, o delicioso soma, meio grama para um descanso de meio dia, um grama para um fim de semana, dois gramas para uma excursão ao esplêndido Oriente, três para uma sombria eternidade na Lua; de onde, ao retornarem, se encontrarão na outra margem do abismo, em segurança na terra firma das distrações e do trabalho cotidiano [...]"**

Soa tão familiar! Entre Stevenson, Wells e Huxley, já fomos cobertos de anfetaminas, Viagra, Ritalina e Xanax. (No início do século XX, quando a ficção científica de polpa começou a se popularizar, as drogas que aumentam o desempenho e o controle da mente também funcionavam como dispositivos de enredo.)

Mas nem todas as ficções sobre drogas retratam o uso de substâncias de uma forma negativa. Nos anos 1960, algumas previsões sobre o uso extensivo de drogas estavam ficando tão positivas que o governo dos EUA decidiu investigar se essas ficções científicas estavam encorajando o uso de substâncias recreativas, ou, ao menos, descobrir o que elas diziam sobre seu uso. Em 1974, o Instituto Nacional de Abuso de Drogas (NIDA) encomendou um relatório para o prolífico autor de ficção científica Robert Silverberg intitulado Temas sobre Drogas na Ficção Científica. (Hoje, a missão do NIDA é "liderar a Nação no poder à ciência sobre o abuso de drogas e o vício", e dispõe de um orçamento operacional de um bilhão de dólares.) Descobri uma cópia publicada, a qual fora fotocopiada de um volume retirado de em uma biblioteca no Maine, no fórum on-line sobre drogas chamado Erowid.

"Há duas atitudes distintas com relação às drogas que influenciam a mente manifestadas na ficção científica", Silverberg escreve. "Uma é a precaução: que qualquer indulgência extraordinária com as drogas é capaz de apodrecer a fibra moral do usuário, levando à lassidão e desintegração geral do indivíduo ou da sociedade, e, por fim, talvez, isso ajude no estabelecimento de uma ordem totalitária."

Essa foi a linhagem de drogas dominante até os anos 1960, quando os hippies, o ácido e a psilocibina apareceram; e, com eles, o outro estado alterado na ficção científica: "A outra atitude é visionária e utópica: por meio do uso de drogas a humanidade pode alcançar poderes espirituais ou psicológicos que não estão disponíveis facilmente, e a partir disso, ela pode adentrar em uma fase nova e elevada de existência", Silverberg segue. "Essa última atitude foi mais difundida desde 1965, quando o uso de alucinógenos pela classe média e as drogas eufóricas na civilização industrial do Ocidente começaram a tomar a forma de uma mudança cultural importante."

O ano de 1965 foi um marco para a ficção científica graças à publicação do livro Duna, de Frank Herbert, talvez o romance de ficção científica mais popular de todos os tempos. E a ação se desenvolve ao redor de uma droga: a melange. Dentre outras coisas, a melange torna possível a curvatura do espaço-tempo para viagens interestelares, a visão de imagens proféticas e a obtenção de recursos suficientes para liderar um império intergaláctico. Em Duna, a melange é quase literalmente a chave do universo. Somente ao participar de um culto de andarilhos do deserto, composto por sábios viciados em drogas e consumidores de melange, é que o herói Paul Atreides ascende e se torna Kwizats Haderach – o tipo de Cristo da saga – e supera os tirânicos Harkonnens que mataram seu pai e detêm as minas de melange do universo.

Melange. Cena do filme Duna.

Se a trama parece bastante psicodélica, é por um motivo: Herbert disse ao famoso micologista Paul Stamets que muito do romance foi inspirado em sua experiência pessoal com cogumelos mágicos, que, junto do LSD, foram drogas importantes na contracultura dos psicodélicos anos 1960.

Tempo de Mudança, de 1971, de Robert Silverberg é ainda mais explícito em sua positividade; uma sociedade de miseráveis insatisfeitos descobre uma droga que permite a comunicação telepática entre os usuários que começa a abrir as mentes e restaurar a paz e o bem-estar.

Nesse ponto, a ficção sobre drogas se transformou em um tipo de mainstream, com uma diversidade de filosofias e estruturas. Ela está por tudo. Embora eu já tenha passado por diversas substâncias ficcionais interessantes (digamos, The Diabolical Drug, de 1929, que colocou usuários em animação suspensa, ou a droga antissono de "He Never Slept", em 1934), a partir deste ponto, seria impossível tomar nota de cada tipo de droga ficcional que termina em uma corrente cultural. Mas elas também deram início a aglomerados de certos tipos. Por motivos de conveniência, seguem alguns dos tipos de substâncias mais notáveis e influentes já utilizadas nos tempos tranquilos da ficção sobre drogas:

As drogas que melhoram o desempenho são os estimulantes sobrenaturais, como o leite com anfetaminas indutor de ultraviolência ("moloko plus") do Laranja Mecânica, de 1962, de Anthony Burgess. Ou, em um tom muito mais divertido, a afrodisíaca pílula de Vênus no famoso episódio de 1967 de Star Trek. Todos nós queremos ser fortes, sexys e formidáveis; mas tomar um atalho sintético, na ficção de drogas, quase nunca é uma boa ideia.

Cena do filme Laranja Mecânica.

As drogas de deformação da realidade tendem a levar aos extremos pós-humanos dos psicodélicos e opiáceos, e os melhores exemplos são, sem dúvida, a variedade de alucinógenos que desafiam a realidade de Philip K. Dick, representados pela Substância D, ou "morte lenta", em O Homem Duplo, ou a neuroína de Minority Report. A "carne negra" de William Burroughs em Naked Lunch [n. de t.: no Brasil, o filme foi traduzido como Mistérios e Paixões.] também merece menção; a coisa é tão "deliciosa" e viciante que induz os usuários a comer o próprio vômito para continuar alimentando o efeito. Essas ficções examinam o lado sombrio do sonho psicodélico, o vício e o risco de permanecer de fora da realidade para sempre.

As drogas de cura formam outro tropo comum que, embora remontem à antiguidade, ainda formam um fortalecedor discreto de muitas narrativas de ficção científica – a não ser que seja uma droga de imortalidade, esse tipo raramente tem papel de destaque, provavelmente porque os centros de saúde de rotina pareçam muito enfadonhos –, uma cura milagrosa, como a substância que Luke bebe depois de receber uma surra em O império contra-ataca. Às vezes é psicológico, como o Dylar, de Don DeLillo, que alivia o medo da morte em Ruído Branco.

As drogas de controle da mente são substâncias que concedem a telepatia ou telecinese aos humanos, como as encontradas em Scanner, David Cronenberg, em que elas são administradas secretamente a bebês a fim de criar a uma seita de agentes do governo controlados pela mente e que explodem as cabeças. Compostas de fantasia pura, essas ficções estão no mesmo caldeirão das teorias conspiratórias e conotações metafóricas embotadas – o governo (ou corporações) vão literalmente controlar tudo; inclusive sua mente.

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O boom caleidoscópico das drogas não poderia durar para sempre, é claro; os declínios são inevitáveis. Nos anos 1980 e 1990, o cyberpunk invadiu a cena. O uso de drogas voltou a ser macabro, viciante e proibitivo. O mais interessante é que as drogas eram usadas muitas vezes como meio de mediar a conexão e a dependência cada vez maior com a tecnologia.

Em Neuromancer (1984), o cyberpunk original, o protagonista Henry Case teve seus miolos fritos pelas micotoxinas soviéticas, que o deixam incapaz de se conectar cyberespaço. Ele também é viciado em drogas reais, até que recebe um tecido sintético enxertado em seu pâncreas, deixando-o à prova de vício. Snow Crash (1992), por sua vez, faz referência ao designer de drogas levado a uma realidade virtual por hackers para que possam matá-lo na realidade real – é também um vírus que pode se espalhar para dizimar toda a humanidade. E também está em todos os lugares.

"Espere um momento, Juanita. Decida-se. Essa coisa da Snow Crash – é um vírus, uma droga ou uma religião?", o protagonista pergunta em determinado momento. A resposta é previsível: "Que diferença isso faz?".

Cena do filme Matrix.

Em Matrix, tomar a pílula vermelha desconecta Neo das máquinas e liberta sua consciência verdadeira das garras exploradoras.

"A ficção científica é tanto um guia a respeito do nosso presente quanto uma visão de nosso futuro", Silverberg escreve em Temas de Drogas na Ficção Científica. "Uma literatura tão popular entre os jovens, influenciando tão intensa e devotadamente uma multidão de fãs, pode ter um valor altamente significativo ao revelar os padrões que a sociedade contemporânea tem agora e os que terá nos anos à frente."

Mais recentemente (e de forma reveladora) muitas drogas estão aparecendo na ficção científica para melhorar o desempenho dos personagens – novamente. O que remonta a HG Wells e seu novo acelerador. A NDZ-70 de Limitless, série de TV que foi ao ar este ano, permite que seus usuários adquiram conhecimento supernatural e a capacidade de aprender tudo o que desejam em poucos dias. No filme Lucy, com Scarlett Johansson, CPH4 é uma droga ultranootrópica semelhante, que transforma a personagem em um ser humano ultrainteligente e supereficiente. Em Judge Dredd, a droga recreativa Slo-Mo é o foco da ação – e permite que seus usuários diminuam a velocidade do tempo a um por cento de sua velocidade normal, talvez com o intuito de escapar de uma vida digitalmente distópica e do excesso de trabalho.

Nesse momento, estamos desesperados por uma droga para nos ajudar a nos adaptarmos à nossa época de fluxo de dados incessante. Curiosamente, em Limitless, tudo dá certo para quem abusa das drogas, independentemente de o personagem ser um cuzão – ele encontra uma maneira de ficar viciado para sempre, aproveitando-se dos benefícios das drogas de aprimoramento do cérebro sem o ônus subsequente. Talvez estejamos com os miolos tão fritos que já estejamos desiludidos a esse respeito.

Essa é a semelhança em todas as nossas ficções de distorção da mente: elas são, em sua maioria, retratos de nossa arrogância e excesso de confiança. Elas inquietam nossas crenças de que existe um comprimido, planta ou substância que poderia curar e consertar todas as coisas.

Mesmo os esforços de Gilgamesh na busca de sua "droga" foram em vão. Uma serpente devora seu estoque de plantas da imortalidade enquanto ele está dormindo. Derrotado e sem sua droga, ele retorna para casa, vê a glória de sua cidade, louva as muralhas como a verdadeira forma de imortalidade e alguém inscreve sua história em uma tabuleta de lápis lazuli. A droga nunca valera a pena; viver, sim.

Todos nós conhecemos a história da busca pela imortalidade de Gilgamesh, agora, quatro milênios depois. Mas a verdade é que talvez as drogas tenham funcionado.

Tradução: Amanda Guizzo Zampieri

*n. de t.: para este trecho de A Epopeia de Gilgamesh, de autoria anônima, utilizou-se como referência a tradução de Carlos Daudt de Oliveira, para a editora Martins Fontes (São Paulo, 2011).

**n. de t.: para este trecho de Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, utilizou-se como referência a tradução de Admirável Mundo Novo de Lino Vallandro e Vidal Serrano publicada pela Biblioteca Azul (São Paulo, 2014).