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Music by VICE

Os alagoanos do Necro fizeram um álbum de rock sobre "seguir em frente"

O selo da produtora Abraxas estreia com todo o garbo que lhe é próprio no lançamento de ‘Adiante’, o terceiro álbum do power trio alagoano, agora cantando só em português.

por Eduardo Ribeiro
19 Dezembro 2016, 3:00pm

Arte: Cristiano Suarez

"Adiante", a segunda música do terceiro álbum da banda alagoana Necro, não só é a faixa-título como também pode ser entendida como um substrato de sua temática geral. Se por um lado o som do power trio remonta ao hard rock e à psicodelia dos anos 1970, dessa vez menos sombrio e mais calcado no blues-rock e o progressivo, as letras falam sobre pensar à frente. Nas palavras do guitarrista, baixista e vocalista Pedro Ivo: "Achamos que seria um bom nome para representar o disco como um todo e o nosso momento atual, tanto pessoal quanto da sociedade brasileira. Cada letra foi pensada como um universo fechado em si. Entre reflexões sobre relacionamentos consigo próprio, com o outro, com dogmas, ideias e a morte, o conceito do seguir em frente se mostra uma espinha dorsal da lírica do disco."

A obra, que inaugura oficialmente o selo da agência de booking e produtora de eventos Abraxas, coloca o grupo para cantar integralmente em português. No autointitulado álbum anterior, de 2014, lançado pela Baratos Afins, Pedro, Lillian Lessa (baixo, guitarra, voz) e Thiago Alef (bateria) já haviam começado a experimentar com o idioma em metade do repertório. "Cantar em português veio de forma natural, por ouvirmos muito prog e psicodelia brasileira, e também pela necessidade de melhor nos comunicarmos", argumenta Pedro.

"Em português, pudemos nos expressar melhor e, livres da responsabilidade de uma pronúncia correta do inglês, as melodias e as vozes puderam fluir", acredita ele. As gravações rolaram em novembro de 2015 no estúdio Superfuzz, no Rio de Janeiro, com o Gabriel Zander assinando a engenharia de som, mixagem e masterização, e em parceria com a própria Abraxas. "Fizemos a pré-produção em Maceió nos meses anteriores e nos preparamos para um cronograma apertado de três dias no estúdio", detalha o músico. "Um dia para gravar todas as músicas ao vivo, um dia para gravar as vozes, e o último para gravar perfumarias: dobras de guitarra, violões, teclados..."

Foto: Vanessa Cavalcanti – edição de Márcio Alvarenga.

Embora atualmente o Necro já não apresente as composições do mesmo jeito com que foram registradas, o baixista e guitarrista acredita que as gravações presentes em Adiante são as melhores referências para elas. "Houve um processo natural de polimento e evolução graças aos diversos shows que fizemos de lá pra cá", diz. Fora isso, Pedro adianta que eles já começaram a trocar ideias para novos sons com possibilidade de lançamento ainda em 2017.

No que diz respeito ao selo da Abraxas, os paulistanos do Saturndust também estão no cast, e o trio recentemente finalizou as gravações do seu próximo trabalho, planejado para março de 2017. O selo promete novidades de outros artistas pela frente, como os pioneiros do stoner rock Fuzzly e os titãs psicodélicos Anjo Gabriel, além de nomes emergentes e já consolidados da rica e crescente cena brasileira, como The Muddy Brothers, Monster Coyote e Barizon, entre outros.

Do progressivo-psicodélico ao sludge-metal, a partir desta segunda (19) todas as apostas da Abraxas serão distribuídas pela ONErpm. "O plano é lançar também um e-commerce estruturado com CDs, LPs, camisetas e o que mais for possível em abril de 2017", adianta Felipe Toscano, fundador da empreitada ao lado de seu irmão Rodrigo.