Fotos incríveis da cena punk dos anos 80 na Rússia

O fotógrafo Igor Mukhin clicou seis anos de shows e estilo DIY no rock underground por trás da Cortina de Ferro.

por Emily Manning; fotos por Igor Mukhin; Traduzido por Marina Schnoor
13 Maio 2016, 3:00pm

Todas as fotos por Igor Mukhin.

Gosha Rubchinskiy fez seu nome apontando suas lentes para a cena punk e de skate de sua cidade natal na Rússia. Embora o estilista tenha cristalizado os códigos do que era cool depois da queda da União Soviética, seu trabalho frequentemente faz referência a era antes da queda da Cortina de Ferro — ele colaborou com o artista cult Timur Novikov e remixou a iconografia dos looks punk dos anos 80 de Leningrado de bandas como Auktyon e AVIA. O fotógrafo Igor Mukhin documentou esse período incrivelmente transformador em primeira mão, capturando a energia selvagem da juventude no crepúsculo da URSS. Agora ele planeja publicar seu trabalho no livro de fotos I Saw Rock 'n' Roll.

1986 (Todas as fotos por Igor Mukhin.)

1988

"Na época, não fazíamos a menor ideia de como era o mundo além da Cortina de Ferro", escreveu Igor no perfil da campanha de financiamento coletivo do livro. Ele explica que mesmo que a juventude soviética pudesse assistir filmes editados nos cinemas ou pegar estações de rádio chiadas como Voice of America ou a BBC, "Eu sentia que o tempo de 'mudança' tinha chegado, e que eu precisava registrar isso".

1985

Nos seis anos seguintes, Igor documentou os estrondos da rebelião, fotografando a cena do rock underground de Moscou e o estilo de rua DIY que veio desse movimento. "Em 1985, o Festival Mundial da Juventude e dos Estudantes chegou a Moscou: os shows, as reuniões, os rostos, roupas e o comportamento dos participantes eram marcantes. Em uma palavra, você podia chamar isso de 'liberdade'", diz Igor. "Era simplesmente incrível, por exemplo, ver que os convidados de cabelo comprido não eram abordados pela polícia e obrigados a raspar a cabeça."

1987

Hoje ele dá aulas na Escola Rodchenko de Fotografia e Multimídia em Moscou, mas Igor reconhece que sua prática inicial era, em grande parte, resultado de experimentações intuitivas e não de um treinamento formal. "Naquela época eu fotografava sem nenhuma referência ou 'professor'; só um ano depois uma exposição de Cartier-Bresson viria para Moscou. Vi um livro de Diane Arbus pela primeira vez em 1988, e foi a mesma coisa com [o fotógrafo de rua checo pioneiro Josef] Koudelka", ele explica. "Fotografei a URSS exclusivamente para mim."

1987

Seus olhos podiam ser destreinados, mas as imagens de Igor resistem como um documento poderosamente punk e humanista de um dos períodos mais importantes da nação, celebrando a energia iconoclasta que existia por atrás da Cortina de Ferro.

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Tradução do inglês por Marina Schnoor.

1986

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