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sexo

Transar num festival de música é uma péssima ideia

O Tinder está tentando te arranjar uma rapidinha enquanto você está cercado de gente desmaiada no próprio vômito de ecstasy.

por Alex Zaragoza; Traduzido por Marina Schnoor
06 Maio 2019, 10:00am

Foto por Omer Messinger/Getty Images.

Festivais são um antro de sujeita, lama, calor, fluídos questionáveis e drogas. Muitas drogas. Talvez até herpes, mas isso ainda está sendo debatido. Enquanto cada uma dessas coisas individualmente é irritante, mas suportável, a combinação delas é basicamente o antídoto do tesão. Mas o Tinder agora quer te conseguir uma transa, mesmo entre um mar de pessoas desmaiadas no próprio vômito de ecstasy.

Recentemente, o Tinder anunciou sua nova invenção para dar mais oportunidades de genitais se encontrarem: o Modo Festival. Os perfis agora incluem um “cartão de Modo Festival”, no qual os usuários podem acrescentar os festivais onde vão e se conectar com outras pessoas que também estarão lá usando seu melhor top de crochê do AliExpress. O Modo Festival permite que os usuários acessem “upgrades VIPs exclusivos e muito mais”, segundo o anúncio. Se esse “muito mais” inclui acesso prioritário da primeira fileira para a barraca de atendimento médico depois de ser atingido na cabeça por um acessório de palco do Diplo, eles não especificaram. Os primeiros festivais a serem Tinderizados serão nos EUA: Bonnaroo, EDC, The Governors Ball, Hard Summer, além do Parklife na Inglaterra.

Considerando a entrada do Tinder no jogo dos festivais, parece importante fazer uma pergunta simples, porém fundamental: quem vai querer transar num festival?

Festivais são nojentos. São uma tempestade de merda de 40 graus onde todo mundo está pra lá de Bagdá usando néon de derreter a córnea, ou uma lixeira em chamas na chuva onde entra lama na sua galocha quando você tenta fazer uma pose besta pra uma selfie com a turma. Você, com aquele shortinho que assa a virilha, atolada na lama num campo cheio de sacos plásticos.

Além disso, festivais sempre têm uma vibe Calígula. Até as pessoas mais razoáveis se pegam tomando decisões sexuais questionáveis.

Imagine um dia ter que olhar nos olhos da sua melhor amiga depois informar que, enquanto estava muito doida, você decidiu entrar num banheiro químico com um cara muito mais novo, que te fez um cunete, depois te beijou, aí beijou a dita melhor amiga e várias outras pessoas, então seus fluídos anais estão na cara de todo mundo, penetrando nos poros da galera. Sabe por que consigo pintar essa imagem tão vividamente? Porque já aconteceu comigo. Eu fiz isso. Num festival. Sim, queremos criar espaços abertos e livres para explorar o sexo e a sexualidade sem julgamento ou vergonha, mas passar seus fluídos anais infundidos com suor e saliva para várias pessoas inocentes não é legal. Festivais trazem à tona esse lado troll de festa, e o pessoal da saúde pública provavelmente não ia gostar das possíveis implicações desse tipo de comportamento.

Se você decidir que é hora do sexo de festival, e você não é uma Kylie Jenner ou um DJ Khaled da vida, e portanto não tem acesso a uma cama num jatinho particular com ar-condicionado, isso significa transar num campo aberto ou na frente de centenas de influencers. Tem a roda-gigante, que nem a Issa fez naquele episódio de Insecure, ou talvez a barraca médica depois que você tiver acesso prioritário. Imagine que saco ter que achar um lugar pra meter enquanto navega por hordas de gente bebaça e incrivelmente queimada de sol, enquanto vocês se arrastam pela poeira fingindo estar vivos como o inverso da caminhada zumbi do Todo Mundo Quase Morto e alguém joga um limão na Ariana Grande.

Mas todo mundo sabe que quando bate o tesão, nada mais importa. Ajoelhamos para os nossos instintos carnais, seja num banheiro químico, num campo de terra, numa roda-gigante, ou na festinha particular sem sexo oral do DJ Khaled.

Muita gente se conhece em festivais. Grudando de suor, sujo de lama, aí olha por uma barreira de metal e vê alguém que pode ser a pessoa. Ou a pessoa que vai te dedar enquanto o Weezer toca um cover do Weird Al. Algumas pessoas até se apaixonam, casam e colocam outro frequentador de festival no mundo depois de se conhecer por acaso na fila para as Roupas de Igreja de US$ 225 do Sunday Service do Kanye. Mesmo assim, é nojento. Quer dizer, se você quer transar e consegue uma trepada no Gathering of the Juggalos graças ao Tinder, vai nessa. Boa sorte pra tirar a maquiagem do Shaggy 2 Dope que vai ficar carimbada no seu rego.

Siga a Alex Zaragoza no Twitter, mas não no Tinder no Gathering of the Juggalos.

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