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Saiu o primeiro estudo sobre os efeitos de longo prazo dos cigarros eletrônicos, e os resultados não são bons

Vapers têm 30% mais chance de desenvolver doenças pulmonares crônicas como asma e enfisema – fumantes de cigarros estão ainda pior.

por Tim Marcin; Traduzido por Marina Schnoor
18 Dezembro 2019, 10:00am

Só levou três anos para alguns usuários de cigarros eletrônicos desenvolverem doenças pulmonares crônicas, segundo o primeiro estudos de longo prazo dos efeitos do vaping.

O estudo publicado no American Journal of Preventive Medicine descobriu que enquanto os cigarros eletrônicos podem ser mais seguros que o cigarro normal, os fumantes deles têm 30% mais chances de desenvolver uma doença pulmonar crônica como asma ou enfisema. O estudo observou 32 mil adultos que não tinham doenças de pulmão em 2013 e voltou a eles em 2016.

“O uso de cigarros eletrônicos previu o desenvolvimento de doenças pulmonares num curto período de tempo. Só levou três anos”, disse Stanton Glantz, autor do estudo, a NBC News.

Enquanto os cigarros eletrônicos ganhavam popularidade nos EUA – e enquanto problemas de saúde relacionadas ao vaping, como pulmões queimados ou a ingestão acidental de metais tóxicos, surgiam – um medo central era quão pouco sabíamos sobre os efeitos de saúde de longo prazo nos usuários. O novo estudo finalmente deu ao público alguns dados sobre a questão.

Ainda assim, fumantes de cigarro estam em pior situação que os usuários de cigarros eletrônicos, e pessoas que fumam os dois estam bem, bem piores. Fumantes têm 2,5 vezes mais risco do que não-fumantes de desenvolver doença pulmonar. Pessoas que fumam cigarros normais e cigarros eletrônicos correm um risco 3,3 vezes mais alto.

“Esse estudo apoia a redução de danos em potencial de cigarros eletrônicos”, disse Andy Tan, professor-assistente do Dana-Farber Institute que estudou cigarros eletrônicos, para a Time.

Tan apontou que as estatísticas do novo estudo mostraram que o vaping prejudica os pulmões, mas numa taxa significativamente mais baixa que cigarros comuns. Mas o estudo mostrou que muitas pessoas fumam os dois tipos de cigarros, o que significam que estão causando mais danos do que se usassem só um tipo.

“A maioria dos adultos que usa cigarros eletrônicos continua fumando cigarros normais”, Glantz disse a NBC News. “E se fazem isso, elas têm o risco de fumar mais o risco de fumar cigarros eletrônicos.”

Os riscos para os pulmões descritos no estudo são diferentes dos danos pulmonares relacionados ao vaping chamados EVALI, que matou 52 pessoas e hospitalizou mais de 2.400 desde que o surto começou no meio do ano. O Centers for Disease Control and Prevention – que está rastreando os casos desde agosto – disse que não determinou ainda uma causa única para casos de EVALI, mas cerca de 80% dos pacientes relataram fumar produtos de THC.

Enquanto isso, um estudo separado no American Journal of Preventive Medicine descobriu quão popular é o vaping entre os jovens americanos. O estudo, que incluiu 14.560 adolescentes, descobriu que 75% deles já tinham fumado cigarros com nicotina, maconha e várias substâncias. Doze por cento relataram ter fumado cigarros eletrônicos nos últimos 30 dias. Para ter um contexto, uma pesquisa da Gallup no meio do ano descobriu que apenas 8% dos adultos americanos nos EUA tinham fumado cigarros eletrônicos na semana anterior.

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