Culture

Taxidermia e hipnose burlesca na praia: sacando as loucuras da HQ 'A Sereia de Mongaguá'

Na primeira HQ de Thiago Moraes Martins, criador do desenho animado Fudêncio e Seus Amigos, um cineasta bêbado e um taxidermista voyeur se encontram em Mongaguá.

por Débora Lopes
20 Abril 2016, 7:00pm

Crédito: divulgação

Chumbado de vodca e atordoado das ideias, um cineasta ruivo é submetido a uma inusitada sessão de hipnose burlesca nas areias da praia de Mongaguá, no litoral sul de São Paulo. A cidade serve como pano de fundo para a graphic novel A Sereia de Mongaguá, de Thiago Moraes Martins e Marcos Paulo Marques, lançada oficialmente no último sábado (16).

A HQ de 80 páginas, publicada pela feríssima Editora Veneta, traz o encontro de personagens tão ou mais excêntricos que os Tenenbaums: um taxidermista voyeur obcecado por seus animais empalhados, uma aspirante a atriz e uma batedora de carteiras que recorre a um clarividente parrudo e tatuado para desvendar uma pergunta peculiar. "Pensei em juntá-los em uma história que se passaria em uma 'Coney Island' paulista", detalha o diretor de animação Thiago Moraes Martins, agora estreante no mundo dos quadrinhos.

Criador do desenho animado Fudêncio e Seus Amigos, que passou a ser exibido em 2005 pela MTV e teve seis temporadas, Thiago retomou a parceria com Marcos Paulo Marques, que também assinava o roteiro da série, para criar Sereia.

A peculiar Mongaguá, tão atípica enquanto cenário de uma HQ, surgiu numa conversa entre os dois. Quando Marcos sugeriu o título, antes mesmo da história tomar corpo, os dois caíram na risada.

Apesar do ritmo tragicômico beirando o thriller, a história traz cenas e situações sarcásticas, como o termo "dermoclarividência" para definir a profissão de Sr. Gibi, o sujeito musculoso que obtém respostas do além em seu próprio corpo, através das tatuagens.

Thiago desenhou todos os layouts da graphic novel no papel, embora a arte final tenha sido feita no Flash e colorida com ares de aquarela no Photoshop. "Por trabalhar com animação a maior parte do tempo, estou muito habituado a desenhar digitalmente tudo", justifica o criador, que teve como referência o trabalho do norte-americano Daniel Clowes, de Ghost World. "Sou louco pelos grandes monstros dos quadrinhos: Jack Kirby, Steve Ditko, John Romita Sr., John Buscema, John Byrne."

Para o cineasta ruivo da história, "é melhor morrer de vodca do que de tédio". Conduzida em formato de suspense, A Sereia de Mongaguá traz figuras tão provocativas que o próprio criador já pensa em engatilhar outros projetos. "Tenho planos para lançar novas histórias com os personagens", finaliza.

Para ver mais trampos do Thiago Moraes Martins, dá uma chegada no Tumblr dele.