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Conheça a artista que ensina a tocar teremim com os peitos

Na Oficina de Teta Lírica, a pernambucana Marie Carangi ensina mulheres a tirarem um som do teremim (aquele instrumento que você controla sem usar as mãos) usando os seios.

por Marie Declercq; fotos por Larissa Zaidan
14 Novembro 2017, 10:00am

Foto: Larissa Zaidan/VICE

Foi difícil conter a emoção e até a sensação de estranhamento quando vimos uma chamada no Facebook para participar da Oficina de Teta Lírica da artista recifense Marie Carangi de 28 anos. A proposta era a mais simples possível: se posicionar na frente de um teremim com os peitos desnudos e tentar movimentá-los na intenção de fazer o máximo de barulho possível. Prevendo ser um workshop fora do comum, fomos lá conferir esse encontro entre o primeiro instrumento eletrônico da história e... peitos femininos.

O teremim é um dos primeiros instrumentos eletrônicos do mundo. Foi patenteado em 1928 pelo inventor russo Léon Theremin e é composto por antenas de metal que emitem sons a partir do movimento das mãos que controlam o volume e a frequência sem precisar tocar no instrumento. Ele foi usado popularmente a primeira vez em 1966 na faixa "Good Vibrations" do grupo californiano The Beach Boys.

Foto: Larissa Zaidan/VICE

A ideia de usar os seios femininos como instrumento de composição começou quando de Marie fez seu trabalho de conclusão do curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que consistia em colocar um banquinho de madeira em lugares e situações diferentes e oferecer cortes de cabelo para um público desconhecido. A performance-serviço foi batizada de "Peluqueria Carangi" e, a partir desse trabalho e mais diversas pesquisas de corpo, som e movimento da artista, nasceu a performance da "Teta Lírica" a qual colamos para aprender mais na Casa do Povo.

"Oferecer essa oficina veio com a vontade de compartilhar com outras mulheres essa sensibilização do corpo que venho descobrindo através dessa performance do teremin", explica Carangi. "É trabalhar essa escuta do corpo e ao mesmo entender como ele reage dentro desse campo sonoro. E as tetas estão menos acessíveis nos nossos gestos diários."

Junto com a gente, mais duas mulheres e também artistas apareceram no workshop. Seguindo as instruções de Marie, pegamos uma meia calça, cortamos os pés e os fundilhos para ela virar uma espécie de segunda-pele e fizemos dois buracos para liberar os seios. Isso, além de ser visualmente bonito, acabou sendo prático pros peitos pularem e não doerem que nem o inferno.

Foto: Larissa Zaidan/VICE

Foi uma sensação esquisita estar só com os seios de fora e sentindo como só a presença deles conseguia produzir um som imperativo no campo do teremim. Cada peito fazia um som diferente, variando com a desenvoltura das participantes. A nossa repórter, dura que nem uma pedra, sofreu um pouco para se soltar, mas logo estava rebolando e mexendo os peitos na frente do instrumento e fazendo um barulhão.

Passando aquela vergonha protocolar, todo mundo estava soltinha na frente do instrumento e mexendo o corpo de todas as maneiras possíveis para criar sons dos mais agudos aos mais tenebrosos que pareciam trovões.

Foto: Larissa Zaidan/VICE

"[O intuito] também é experimentar a capacidade de composição a partir de movimentos gerados nesse campo do instrumento. É favorecer também que cada pessoa e cada teta desenvolver e descobrir uma composição própria a partir dessa experiência lírica", diz Marie.

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