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A língua franca entre o lineup do Lolla é a eletrônica

Do hip-hop ao EDM, do indie à MPB, todos os gêneros presentes no festival bebem na fonte universal da música feita com computadores.

por Beatriz Moura
21 Dezembro 2018, 8:29pm

Foto: Divulgação / I Hate Flash 

À primeira vista, o Twenty One Pilots e a Duda Beat não têm muito em comum. O primeiro é uma dupla de hip-hop alternativo do Ohio, nos Estados Unidos, que já lançou cincos discos e foi vencedor do Grammy Award de 2017 por melhor performance de duo/grupo de pop. A segunda é pernambucana, apareceu com o álbum de estreia Sinto Muito no começo deste ano e é uma das grandes sensações entre a galera mais descolada que curte um pop sofrência.

Mas os dois nomes se encontram nos elementos de música eletrônica que usam nos seus respectivos trabalhos, assim como a maioria das atrações selecionadas para o lineup do Lollapalooza 2019, no qual ambos vão se apresentar.


Nascida entre compositores eruditos do século 19, a música eletrônica é, ainda hoje, associado pelo público geral com o som de pista, devido à popularização de sub-gêneros como techno, acid, house, trance e drum 'n' bass na década de 1980. Mas, além de equivocada, essa definição é muito restrita.

Música eletrônica é toda aquela que é criada ou modificada por meio do uso de equipamentos e instrumentos eletrônicos. Com o desenvolvimento da tecnologia, o barateamento e a compactação na produção de sintetizadores, samplers, computadores e compactadores de sons, a utilização de elementos eletrônicos passou a fazer parte da música como um todo no século 21.

E o reflexo disso nos lineups de megafestivais nacionais e internacionais, como o Lolla Brasil, é claro.

The 1975, Odesza, Years & Years, RL Grime, Jain, Zhu e Post Malone. Passando o olho no restante do lineup, percebe-se que do hip-hop ao EDM, do indie à MPB, todos os gêneros presentes no festival bebem na fonte universal da música eletrônica de alguma forma. Seja pela utilização de samples e beats de boombap e/ou trap no rap do Kendrick e do BK’, por exemplo, ou no de sintetizadores no pop da Luiza Lian, da Duda Beat e da Letrux.

Até o último disco do headliner Arctic Monkeys, Tranquility Base Hotel & Casino (2018), tem bem menos guitarras e explora mais elementos eletrônicos -- na verdade, só synths e programações--, se comparado com discos como Favourite Worst Nightmare (2007) e Suck It And See (2011), que são basicamente só guitarra, baixo e bateria.

“Cada vez mais vemos a aproximação do eletrônico com os outros gêneros. O casamento poli amoroso dos sons criados por computadores, sintetizadores e outros instrumentos eletrônicos com o indie rock, o hip-hop, a música brasileira vem se consolidando ano após ano e a curadoria artística do Lollapalooza Brasil apenas acompanhou esse cenário”, diz Paula Martins, gerente de shows internacionais da Time For Fun, empresa responsável pela produção do festival.

Além disso, o Lolla também monta o palco Perry, mais voltado para a música eletrônica em si – com os grandes DJs e produtores da atualidade, como Steve Aoki, Tiësto e KSHMR, que se apresentarão na edição de 2019.

“Mas não fechamos a porta (nem os ouvidos) para outros tipos de sons, e eles continuam no festival também. Não colocamos em ‘caixinhas’, ou dias separados, os gêneros musicais. A ideia é você experimentar, durante os três dias, todos aqueles que você puder e quiser, sem rótulos, de um palco a outro”, explica Paula.


Se em 2012 quem ligava as atrações principais do lineup do primeiro Lollapalooza Brasil era o rock, com alguns dos nomes mais relevantes do indie-rock da primeira década do século 21, como Arctic Monkeys, TV On the Radio, Foster The People e MGMT, em 2019 quem desempenha este papel é a música eletrônica, dissipada em elementos dentro dos mais variados gêneros presentes no Lolla deste ano. Com a aprimoramento das tecnologias e das novas formas de fazer música, a tendência é que em 2020 o número de synths, drum-machines e samplers seja ainda maior nos palcos do evento.

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