Nas filmagens de 'Os Oito Odiados', o novo filme do Tarantino, um violão raro de 150 anos foi destruído

Quem é seu Deus agora?
11 Fevereiro 2016, 2:44pm

Uma cena de Os Oito Odiados.

Qual foi o máximo que você fez em nome da autenticidade artística? Filmar o cachecol de caxemira preto do seu pai para um vídeo caseiro usando o Movie Maker 2K6 foi bem doido, mesmo. Andar pela loja SportsDirect em busca de meia soquete, shorts justinho de veludo e um apito para a fantasia de Halloween de “professor de educação física substituto” também. Parabéns, você é um artista. Mas, enquanto você é um artista, Quentin Tarantino é um auteur — um diretor tão famoso que seu nome representa um gênero cinematográfico. Ele é um auteur porque aluga artefatos musicais raros na busca po sua autenticidade, unicamente para destruí-los no set.

É isso mesmo: durante as filmagens d’Os Oito Odiados, Tarantino alugou um violão Martin de 150 anos e o estraçalhou em cena, enquanto o instrumento estava nas mãos de um encolerizado Kurt Russel. A cena ofensiva é aquela em que a personagem Daisy Domergue (interpretada por Jennifer Jason Leigh) começa a cantarolar, com o instrumento ainda intacto, e John Ruth (o personagem de Russell) decide que está de saco cheio do barulho. Com uma sacada irônica, e logo transformada em meme, ele diz: “A hora da música acabou”, antes de pendurar o violão estraçalhado em um suporte de carvalho. “Fomos informados de que houve um acidente no set”, afirmou Dick Boak, diretor do Martin Guitar Museum. “Inicialmente, pensamos que um andaime, ou alguma outra coisa, tivesse caído sobre ele.”

Poderia ser, até que a raaziada do museu assistiu à cena:

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De acordo com o produtor de som do filme, Mark Ulano, o violão deveria ter sido substituído por uma imitação antes de ser destruído de forma selvagem, mas parece que o Kurt Russell é tão metódico que simplesmente não conseguiu parar. Obviamente, são notícias horríveis para o Martin Museum, que alugou um violão de valor inestimável para as filmagens d’Os Oito odiados e não esperava recebê-lo de volta na forma de um bolo de pedaços grudados com fita e uma nota escrito, “Mals ae, caras”. Relatos, porém, sugerem que os funcionários do museu receberam bem a notícia, e observaram: “Como resultado do incidente, a empresa não vai mais alugar violões para filmes, sob quaisquer circunstâncias”. Acho eu, no entanto, que a notícia acabou com os caras.

Então, parece que a reação horrorizada de Jennifer Leigh não é só a interpretação genial de uma pessoa que viu um pedaço de história da música ser destruída bem na sua cara sem um pingo de remorso ou sensibilidade às custas do improvável renascimento da carreira de Kurt Russell. Acho que é o tipo de autenticidade que o Tarantino busca.

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Tradução: Amanda Guizzo Zampieri

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