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Saudações a todas as bucetas no '129129', o EP de estreia da Lay

A rapper de Osasco usa punk, reggae e girl power anos 90 pra botar a buceta na mesa com seu disco de estreia.

por Beatriz Moura
29 Abril 2016, 1:00pm


Lay. Foto por Felipe Larozza

Logo em “Ressalva”, primeira faixa do 129129 – EP que estreia nesta sexta (29) com exclusividade aqui no Noisey — a Lay já manda um “saudações a todas as bucetas” de cara. “Sei lá, acho que não tem muita cantora brasileira que fala ‘buceta’ nas músicas porque elas ficam com medo de não serem aceitas”, me disse a rapper de 24 anos. “Mas eu falo porque é o meu jeito. Veio da minha vivência das ruas.”

Produzido pelo Léo Grijó (ex-Stereodubs), que assina a maioria dos beats (dois deles em parceria com o DJ Soares, outro com Rodrigo Roccha), 129129 é a mistura dos rolês de rua da Lay, seu peculiar interesse por moda e suas influências de rap de mina gringa dos anos 90 (principalmente Lil Kim e Foxy Brown) e dancehall reggae. O EP também traz um beat do carioca Nox e a participação do Flow MC. Masterizado pelo CESRV, as batidas vão do dancehall ao trap, e rola até um lance meio funk carioca em “Fal$os”. “Nas músicas, tem muito amor e muita dor porque me coloquei por inteira nesse trampo. E ele é exatamente isso: o glamour da moda e a sujeira da rua em contraste toda hora.”


Foto por Felipe Larozza.

Nascida em Osasco, a Lay entrou pro mundo do rap há relativamente pouco tempo. Tem só um ano e meio que ela postou o seu primeiro single, “Eu Sei”, no YouTube, e resolveu que ia investir mesmo no rap. “Eu fazia poesia feminista. Um dia, um amigo meu as leu e disse que aquilo podia virar letra de música. Me apresentaram pro Grijó e foi mais ou menos assim que fui me infiltrando nesse meio.”

Ela mesmo acha que entrou no rap um pouco tarde. Até foi por isso que o EP recebeu o título de 129129, que é a sua data de nascimento ao contrário. “Sempre acompanhei a cena underground de rap da cidade, mas nunca tinha feito nada. Então, tive que dar uma estudada.” Ela também me contou que a única letra em que ela usou termos menos “de rua” foi a última, “Mar Vermelho”. “É que entrei numa pira de estudar o cinto de castidade, o Sagrado Feminino e resolvi escrever sobre isso.”


Foto por Felipe Larozza.

O disco dela pode não ter nada de punk na produção musical esmerada, mas a atitude da Lay é 100% punk. E isso porque aos 15 anos, a Lay teve sua fase riot grrrl. “Namorei um punk e ele me apresentou Dominatrix e Bulimia. Assim que acabei me descobrindo feminista.”

A carga de reggae veio no trampo da Lay de um rolê que ela frequentava nas antigas. “Comecei a sair com skinheads-reggae e fiquei fanática por futebol, até que entrei numa brisa de participar de torcida organizada do Palmeiras”, explicou. “Só que vi que tinha muita gente errada nesse meio hooligan, até acabei arrumando briga com umas minas desse rolê.” E, segundo ela, as tretas não foram só fofoquinha e xingamento de redes sociais. “Lá, a gente se resolvia na mão, na porrada mesmo.”


Foto por Felipe Larozza.

Já a moda veio dos projetos anteriores dela de postar nude e selfie-ass no Tumblr e no Instagram, como meio de usar isso pra questionar a liberdade sexual feminina. “Esse negócio de me expor, de botar peito e bunda sempre foi um lance meio anarquista de chocar geral”, disse Lay. “Acho que tentei chegar com esse EP do mesmo jeito, meio que com o ‘pé na porta’”.

“Quem já me conhecia, vai ver que a Lay marrenta e autoconfiante tá toda aí no disco”, explicou. “E outra coisa é que tentei colocar a minha essência rua em tudo, tanto na música quanto nas letras, porque foi a ela que me criou.”


Foto por Felipe Larozza.

E, até na arte do disco, a buceta (e a moda) aparece de novo. “Eu tava um dia no estúdio e, sem querer, formei um útero com duas sandálias. Daí, pensei que essa tinha que ser a capa do EP.”

Ouça 129129 abaixo:

E tem no Spotify também:

Além de iTunes e Deezer.

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