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Mark Zuckerberg fala de escândalo da Cambridge Analytica, mas não diz nada

Dias após a revelação de que dados de 50 milhões de usuários do Facebook foram usados para criar campanhas políticas personalizadas, o CEO veio a público para prometer melhorias.

por Sarah Emerson; Traduzido por Thiago “Índio” Silva
22 Março 2018, 3:08pm

Crédito: Facebook

Mark Zuckerberg por fim rompeu o silêncio quanto à aquisição de dados pessoais de 50 milhões de usuários do Facebook por parte da Cambridge Analytica, a empresa de análise de dados que afirma ter ganho as eleições em favor de Trump.

O CEO do Facebook tratou publicamente do assunto em seu perfil na rede ontem.

“Foi um ato de quebra de confiança entre Kogan, Cambridge Analytica e Facebook”, escreveu Zuckerberg. “Mas também foi uma ruptura entre o Facebook e as pessoas que compartilham seus dados conosco e esperam que os mantenhamos seguros. Precisamos consertar isso.”

“Fundei o Facebook e no final das contas sou responsável pelo que ocorre em nossa plataforma. Firmo aqui um compromisso em fazer o que for preciso para proteger nossa comunidade.”

Passaram-se cinco dias desde que o New York Times e The Guardian noticiaram o incidente que o próprio Facebook caracterizou como um embuste da Cambridge Analytica.

Até o momento, o Facebook vinha ignorando as críticas de que sua negligência permitiu que o pesquisador de Cambridge Aleksander Kogan coletasse os dados das pessoas por meio da API do Facebook, dando aos desenvolvedores o acesso às informações de usuários e de seus amigos.

O material do The Guardian afirma que Kogan tinha permissão para coletar dados apenas para fins de pesquisa, nunca comerciais, o que significa que ele rompeu com esta cláusula ao repassar informações à Cambridge Analytica.

Já o New York Times afirma que tudo que Kogan “divulgou para o Facebook e seus usuários em letras miúdas é que estaria coletando dados para fins acadêmicos, de acordo com informações da própria rede social”, e que, nos bastidores, a Cambridge Analytica estaria financiando seu trabalho. O Facebook, de acordo com a matéria, nunca verificou as afirmações de Kogan.

Hoje Zuckerberg confirmou que Kogan criou um app de personalidade em 2013 que foi instalado “por cerca de 300.000 pessoas que compartilharam seus dados assim como de alguns de seus amigos. Levando em conta o funcionamento de nossa plataforma na época, isto significa que Kogan teve acesso a dezenas de milhões de dados de amigos destas pessoas”.

Em 2014, a plataforma mudou as regras de uso de sua API para que apps como o de Kogan não mais pudessem acessar o perfil dos amigos de um usuário a não ser que estes dessem sua permissão.

Em 2015, Zuckerberg confirmou que o Facebook tomou conhecimento, por meio do The Guardian, de que Kogan teria compartilhado informações com a Cambridge Analytica, o que vai contra as regras da plataforma. “Logo banimos o app de Kogan imediatamente e exigimos que tanto ele quanto a Cambridge Analytica nos certificassem de excluir todo e qualquer dado adquirido de forma imprópria”. De acordo com o Facebook, eles o fizeram.

Corta pra agora: Zuckerberg afirma que as notícias veiculadas pelo New York Times, The Guardian e Channel 4 News alertaram o Facebook quanto à possibilidade que a Cambridge Analytica não tivesse excluído os dados por completo.

“A Cambridge Analytica afirma ter excluído os dados e concordou em participar de auditoria forense a ser realizada por uma empresa especializada contratada por nós. Também estamos atuando junto à reguladoras na investigação do ocorrido”, disse Zuckerberg.

Zuckerberg e Sheryl Sandberg, chefe de operações do Facebook, têm sido acusados de terem ficado calados por muito tempo. A empresa organizou reunião com todos seus funcionários na última terça, quando seu advogado Paul Grewal respondeu a perguntas sobre a Cambridge Analytica sem a presença de Zuckerberg ou Sandberg.

O Facebook enfatizou seu desejo em investigar toda a situação antes de agir. De cara, Zuckerberg afirma que a empresa investigará todos os apps que acessaram dados de usuários ao longo de 2014.

“Baniremos qualquer desenvolvedor que não concorde em ser auditado. Caso encontremos algum desenvolvedor que fez mau uso de informações passíveis de identificação, também o baniremos e informaremos todos os afetados”, afirmou Zuckerberg.

Como segundo passo, o Facebook pretende restringir o acesso de desenvolvedores aos dados de usuários. Por exemplo, um app que não é usado há três meses terá seu acesso revogado. E para a autorização de um app serão necessários apenas foto de perfil, nome de usuário e endereço de e-mail.

“Exigiremos que não só estes desenvolvedores sejam aprovados, mas que assinem um contrato para poderem pedir os dados e postagens privadas de alguém. Além disso, teremos mais mudanças a serem anunciadas no decorrer dos próximos dias”, declarou Zuckerberg.

O CEO ainda afirma que o Facebook lançará uma ferramenta que auxiliará seus usuários na compreensão de que apps tem acesso aos seus dados. No momento, estas informações podem ser acessadas na parte de privacidade de seu perfil, mas pelo visto, é algo que o Facebook pretende destacar mais adiante.

As declarações de Zuckerberg prometem bastante e teremos que esperar pra ver se o Facebook irá mesmo levar estas mudanças adiante. Diversos abaixo-assinados do tipo #DeleteFacebook estão circulando na rede, pedindo para que usuários excluam suas contas e desinstalem seu app do Facebook.

“Por mais que este problema em específico envolvendo a Cambridge Analytica não vá mais se repetir com apps hoje em dia, nada disso muda o que ocorreu antes”, concluiu Zuckerberg. “Aprenderemos com esta experiência de forma a tornar nossa plataforma e comunidade mais seguras daqui em diante.”

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