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Music by VICE

A Virginia é metade alemã, metade brasileira

A DJ nascida em Munique cresceu em contato com a cultura de sua mãe brasileira e se apresenta nesta sexta e sábado (4 e 5), em São Paulo e Curitiba.

por Amanda Cavalcanti
04 Novembro 2016, 12:00pm

Em maio de 2016, a DJ e produtora Virginia lançou o disco Fierce for the Night — primeiro LP de sua carreira na música, que começara há mais de 20 anos. Para quem estava familiarizado com seus sets e os EPs lançados antes que a artista embarcasse na aventura de lançar um álbum cheio (Loch & Hill, de 2013, e My Fantasy, de 2015), ambos de um tech house específico para a pista, Fierce for the Night — que saiu pela label do clube alemão Berghain, a Ostgut Ton — pode ter sido uma surpresa.

O álbum conta com faixas um tanto mais pop que suas antecessoras, com os vocais suaves de Virginia e a capa duocromática finalizando a estética anos 80 do disco. Segundo Virginia, porém, Fierce for the Night é justamente o resultado de toda a sua trajetória: criada por uma mãe brasileira e tendo tocado em diversos cantos do globo nas últimas duas décadas, a DJ se viu propensa a, em seu primeiro álbum, criar uma obra que misturasse a paixão pela música eletrônica à sua inclinação para a canção.

Virginia, que toca no Brasil nesta sexta e sábado (4 e 5), respectivamente em São Paulo (na Carlos Capslock) e em Curitiba (no Club Vibe) trocou uma ideia comigo sobre Fierce for the Night e tudo o que levou a ele.


Você já tocou no Brasil outras vezes? Como está sua expectativa para os shows?
Sim, eu toquei no Brasil algumas vezes. Mas nunca em Curitiba, no Club Vibe, e nunca na Carlos Capslock. Estou super animada e curiosa. A resposta às festas me faz me sentir muito bem-vinda.

Você cresceu em Munique, mas sua família tem raízes brasileiras. Você entrou em contato com algum aspecto da cultura brasileira quando era criança? Você gosta de música brasileira?
Sim, claro. Minha mãe era cantora também e nós ouvíamos muita música brasileira em casa. Alguns amigos brasileiros nos visitavam e minha família de lá vinha nos visitar também. E minha mãe cozinha muito bem, então eu provei uma grande variedade de pratos brasileiros em casa. Infelizmente eu não falo português muito bem.

Como você começou a fazer música eletrônica?
Eu gravei meus primeiros vocais com a banda da minha irmã e do namorado dela. Mais tarde, com amigos em comum. Eu comecei a comprar meu próprio equipamento e colecionar algumas ideias musicais. Eu sempre as levei para o estúdio e alguém me ajudava a terminá-las e com os detalhes de engenharia. Só depois de conhecer Steffi eu comecei a produzir e finalizar minha música sozinha. Ela me encorajou muito a fazer isso.

Foto: Stephan Redel

Quando você começou a tocar fora da Alemanha?
Eu fiz minha primeira turnê em 1997, quando um dos meus primeiros lançamentos saiu.

A música em Fierce for the Night flutua entre a música pop e a música eletrônica. Você acha que isso afeta a percepção que as pessoas têm da sua música — especialmente depois de tantos anos tocando techno?
Se eu fosse rotulada como uma DJ, eu diria que sou uma "DJ de house", e não "DJ de techno". Mas meus sets são muito misturados. Eu não sinto que os álbum mude a percepção que as pessoas têm de mim, ou dos meus sets. Qualquer pessoa que já me ouviu tocar sabe que eu toco faixas com vocais e faixas instrumentais. Às vezes, eu canto ao vivo por cima da música. Meu objetivo com Fierce for the Night era de fazer música que funcionaria na pista, mas também ao vivo, no palco. Se você sente que a música se encaixa entre o pop e o eletrônico, acho que eu e meu time (Steffi, Martyn & Dexter) tivemos sucesso no que fizemos.

Como foi o processo de incorporar vocais nas suas faixas?
Geralmente, a gente compõe a música primeiro, e depois pensa em algumas ideias para os vocais. Depois disso, eu escrevo as letras e as formato de acordo com as diferentes parte da música (versos, refrão, ponte etc). Aí os gravo, e bam: eles estão na faixa.

Serviço:

Virginia, Konstantin, Marvin & Guy no Club Vibe
Sexta, 4 de novembro, 23h - Club Vibe, Curitiba
Ingressos: de R$ 30 a R$ 60

Carlos Capslock PEC 171 com Virginia
Sábado, 5 de novembro, 22h - São Paulo
Ingressos: de R$ 35 a R$ 70

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