Guilhotina

Um beijo para as fortonas

O zine 'Fortona' celebra as mulheres e sua potência através da força física.

por Pedro Lima
06 Abril 2018, 2:40pm

Todas as ilustrações por Lovelove6.

O Pedro é designer na VICE. Ele também tem uma editora, a Pipoca Press. Por isso, ele sabe que tem muito trabalho foda de muita gente foda que está circulando pelas feiras e eventos de publicação no Brasil e fora dele. Aqui você vai conhecer esses trabalhos e essas pessoas.

Fortona, zine da Lovelove6, a.k.a. Gabriela Masson, chama atenção logo pela capa. Talvez seja essa a atenção que todas as fortonas recebam quando passam pela rua: despertam curiosidade, estranheza e admiração. São estandartes femininos de potências talvez nunca exploradas.

Lovelove6 é feminista e estudante de Artes Plásticas da UnB e sempre teve uma pegada política e uma preocupação social no seu trabalho. Anos atrás, ela conseguiu materializar por meio de crowdfunding o livro das tiras que publicava no blog da revista SAMBA, Garota Siririca, personagem viciada em masturbação e que recebera esse apelido de suas amigas. Um caminho maravilhoso para estimular essa descoberta feminina e acabar com o tabu de se falar sobre o assunto. Masturbação é vida, gente!

Fortona segue o mesmo caminho de seus trabalhos anteriores e se inspira em mulheres fortes do bodybuilding, fisiculturismo e das lutas para mostrar que as mulheres são, sim, muito fortes.

Em tempos de pautas importantes como o feminismo, essas mulheres talvez sejam a representação física dessa luta e que, apesar de todo o sexismo, elas estão ali resistindo e trabalhando pesado (e muito pesado, eu diria) pelos seus objetivos.

Aqui, algumas postagens da própria Lovelove6 sobre a zine:

“As fortonas reais desestabilizam a noção conservadora de gênero ao romperem com a tradicional imagem da feminilidade, revelando um grande e temido espectro de identidades e potenciais possíveis para as mulheres, independente de suas orientações sexuais.”

“Mulheres são impedidas de lutar sumô profissionalmente, originalmente devido ao preconceito contra o sangue menstrual. Mulheres sangram e vencem. Em situações em que se proíbe a atuação de mulheres por superstições, nós devemos lutar e provocar a mudança.“

“Coloquem suas filhas para lutar e lhe deem uma formação feminista: as melhores ferramentas para reconhecer, evitar e combater situações de violência.”

A Força - inspirado em Amanda Nunes

“Assistir a uma mulher recusar sua feminilidade para amassar uma face com seu punho forte.
Ela desvia do golpe e sobe no pódio.
Seu coração não é de ouro mas ela carrega 24 quilates no peito.”

Um beijos pra todas as fortonas!

Fortona, de Lovelove6
Impresso em risografia
pelo Fuio Printshop, em Brasília

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