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Os melhores shows do Lolla para quem já foi no Lolla

O público das edições anteriores conta histórias de triunfos, perrengues, e dos melhores shows que já viram no festival.

por Beatriz Moura
21 Dezembro 2018, 8:26pm

Foto: Divulgação / I Hate Flash

Mais um Lollapalooza Brasil vem aí. Nos dias 5, 6 e 7 de abril, acontece a nona edição do festival que se consolidou como um dos principais eventos de música alternativa do país. Ao longo desses anos, já passaram pelo palco do Lolla BR grandes nomes do indie-rock, como Arctic Monkeys -- em 2012, após o lançamento dos discos Favorite Worst Nightmare (2007) e Suck It and See (2011) --, Arcade Fire e The Strokes; rappers como Eminem, Wiz Khalifa e Snoop Dogg; divas do indie-pop como Marina And The Diamonds, Lana Del Rey e Florence And The Machine; além de algumas das principais bandas da cena independente nacional, como Boogarins, Baleia e francisco, el hombre.

Em 2019, o festival trará como atrações principais o rapper Kendrick Lamar, Arctic Monkeys e Tribalistas -- a primeira banda brasileira a ser headliner na história do Lollapalooza Brasil. Enquanto abril não chega, resolvemos lembrar momentos inesquecíveis do Lolla para os fãs que viveram a emoção (e as tretas) de ver suas bandas favoritas no festival.

A Rebecca ficou comportadinha na grade.

Rebecca Mistura, 21 anos. Passo Fundo (RS).

Melhor show: The Killers (2018).
Quantas vezes: Duas (2015 e 2018).

"Fui duas vezes, em 2015 e 2018. O do The Killers deste ano foi o melhor porque era um show que eu esperava há anos e nunca imaginei que fosse conseguir ver.

Em 2015, eu e minhas amigas não sabíamos que não podia entrar no local do Lolla com bebida. Saímos do hotel ainda mais cedo do que tínhamos planejado só para comprar aqueles copinhos de água para levarmos e bebermos durante o dia. Compramos todos os que tinham sobrado no mercado, porque uma outra galera já tinha tido a mesma ideia que nós. Eram muitos copinhos mesmo. Uns quinze, pelo menos. Só que, quando chegamos no festival, os seguranças nos barraram. Tivemos que ficar um tempão do lado de fora bebendo todas as águas. Deu vontade de ir no banheiro, mas bebemos mesmo assim. Ainda escondemos algumas do lado de fora para a hora da saída, mas acabaram pegando.

O momento mais memorável foi em 2015. Nós fomos principalmente pra ver o Bastille, mas durante a tarde, enquanto a gente esperava para ficar mais perto do palco, fomos assistindo aos shows anteriores. Vimos o da St. Vnicent. Não conhecíamos ela, mas amamos muito o show. Depois que terminou o dia, quando voltamos para o hotel, vimos que o vocalista do Bastille tinha postado uma foto no show da St. Vincent. Poucos metros de onde estávamos. A gente endoidou."

Pô Ana, cortou o hang loose do Kevin.

Ana Beatriz, 25 anos. São Paulo (SP).

Melhor show: Tame Impala (2016).
Quantas vezes: Cinco (2012, 2013, 2014, 2015, 2016).

"Na primeira vez no Lollapalooza, em 2012, eu vim de moto do Guarujá, onde eu morava, até São Paulo. Meu cunhado veio me deixou e ainda me emprestou dinheiro para pagar o ingresso. Fui pro show com uma amiga, que era a única pessoa de São Paulo que eu conhecia. A gente foi pra ver o Arctic Monkeys, que era minha banda preferida. Fiquei nove horas sentada no mesmo lugar, esperando o show do Arctic. Só comi um hot dog o dia inteiro. E fui ao banheiro uma vez. Mas valeu a pena, foi incrível (e também foi o primeiro show internacional que assisti).

Em 2016, só fui no festival porque amava muito Tame Impala. Não queria ver mais nenhum show. Tive que assistir Matanza e Bad Religion no meio de roda punk -- eu sou mulher, meço 1.50 m de altura e sou bem magra. Voltei pra casa meia-noite. Às 7h, fui atrás do Tame Impala no hotel que eles estavam ficando. Eles foram descer só às 13h, mas ficaram conversando com a gente de boa, tiraram foto com todo mundo. Consegui até pegar autógrafo e abraçar o Kevin Parker (e tirar foto fazendo hang loose). Com certeza dois dos melhores dias da minha vida."

Gabriel Di Pietro, 26 anos. Campo Grande (MS).

Melhor show: Interpol (2015) e Queens Of Stone Age (2013).
Quantos Lollas: Três (2012, 2013 e 2015).

"Nunca fui para participar do festival inteiro ou ver todas as atrações, sempre ia ver uma banda pontual. Um dos meus shows favoritos foi o do Interpol, em 2015. Eu descobri o Interpol duas vezes. Quando eu era mais jovem e andava de skate (devia ter uns 12 ou 13 anos), tive um DVD dos skatistas da The Girl em que uma das trilhas sonoras era 'Obstacle 1', do Interpol. Meu inglês não era bom o suficiente na época para eu entender do que se tratava a letra para poder pesquisar minimamente. Ficou por isso mesmo. Alguns anos depois, quando já tinha uns 17 ou 18 anos, estava com minha namorada na época e ela disse que ia colocar um disco pra eu ouvir. Me deu em mãos o ‘Turn on the Bright Lights’, do Interpol, e eu não sabia quem eram. Quando a segunda faixa começou a tocar, era 'Obstacle 1' e eu imediatamente tive uma catarse porque finalmente descobri de quem era a música de que eu tanto gostava há anos! Desde então, Interpol se tornou uma das bandas mais importantes pra mim, e por isso foi tão marcante poder vê-los. Ainda por cima, eu tava bem próximo do palco - e a última vez que os havia visto num show tinha sido em 2011, então estava muito ansioso para reviver aquela experiência e ouvir as músicas novas ao vivo.

Outro show que gostei muito foi o do Queens of the Stone Age, de 2013. Eu estava na grade e era minha primeira vez vendo a banda ao vivo. Foi um petardo e uma energia colossal, sem contar que ouvimos em primeira mão o single novo da época 'My God is the Sun'. Sem dúvida esse foi um dos melhores shows que já vi, os caras eram inesgotáveis."

Raquel Batista, 26 anos. Belo Horizonte (MG).

Melhor show: De melhor energia, foi o do Gogol Bordello (2012). De superar as expectativas, o do Mumford and Sons (2016). De melhor espetáculo, fico entre o show do Jack White (2015) e o do Nine Inch Nails (2014).
Quantos Lollas: Seis (2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017).

"Em 2013, eu tinha comprado o Lollapass e estava decidida a ir aos três dias de festival. Aproximadamente um mês antes, aconteceram uns episódios que me deixaram numa bad terrível e eu estava quase desistindo de ir. Uma amiga, com quem eu me encontraria lá, me convenceu a ir pelo menos em um dos dias pra ver o Two Door Cinema Club e o Queens Of the Stone Age. Perdi o ingresso da sexta, vendi o de domingo e resolvi ir no sábado. Sou de BH, então comprei uma excursão bate-volta com um pessoal que sempre faz aqui, já que eu estava indo sozinha. Eu entrei no ônibus e, como não conhecia ninguém, comecei a trocar ideia com uns caras que estavam nos assentos ao lado. Chegando em São Paulo, a gente começou a se animar e comecei a falar dos shows que eu já tinha ido. Quando falei do Interpol, um menino que estava deitado em um dos últimos bancos, o Gabriel, se intrometeu na conversa. Lembro de ter achado ele meio enxerido. Foi muito inusitado o jeito que ele entrou na conversa. Passamos em um shopping pra almoçar, eu, os caras que eu tinha acabado de conhecer e o Gabriel. O Gabriel deu um jeito de sentar na minha frente e à essa altura todo mundo já tinha notado o interesse dele. Eu só não tava prestando atenção.

Quando chegamos ao Lolla, na época era no Jockey Club, ele foi em um daqueles totens carregar o celular enquanto eu fui encontrar a menina pra quem eu tinha vendido o ingresso de domingo. Nesse mínimo intervalo de tempo, ele saiu de onde estava e foi andando no meio da multidão. Na minha cabeça eu só pensava "se ele for embora, eu não acho ele mais no meio desse povo todo". Entreguei o ingresso o mais rápido que pude e fui atrás dele. Fomos os dois pro show da Graforréia Xilarmônica (risos) e fizemos uma aposta se ia chover ou não. O pagamento para o vencedor seria em cerveja, mas digamos que eu achei uma forma melhor de receber o prêmio. Nosso primeiro beijo foi ao som da Graforréia e desde então não nos separamos mais. Estamos casados há dois anos e já acumulamos cinco Lollapalooza para nossa lista e a meta é dobrar a meta.

Fato curioso: todos os meus amigos que fiz no Lolla 2012, inclusive a Amanda, que foi nossa madrinha de casamento, chamavam ele de 'Lollaboy'."

A Isabela, de blusa florida, era a primeirona na fila

Isabela Santos, 22 anos. São Paulo (SP)

Melhor show: The Strokes (2017).
Quantos Lollas: Dois (2015 e 2017).

"Tenho algumas histórias na real. Fui só pra ver o Childish Gambino, em 2015. O show tava tão vazio que eu cheguei meia hora antes e fiquei na grade. O Chainsmokers tocou antes dele e juro pela vida da minha mãe que tinha no máximo dez pessoas no final do show deles. Anos depois eles voltaram como headliner.

Para o Strokes, eu cheguei às 3h da manhã com a minha mochilinha e entrei na fila com duas amigas da faculdade. Tinham só mais umas duas meninas na minha frente, mas elas queriam ver o Two Door Cinema Club. Parando para pensar, era super perigoso, né. Um monte de menina na rua em Interlagos de madrugada. Aquilo ali tava deserto. Mas, enfim, fiquei lá até abrirem os portões, corri igual a uma louca e peguei a grade. Aí foi ficar o dia inteiro lá esperando. Não podia comer, não podia beber muito, porque você não pode sair em hipótese alguma do seu lugar, mas valeu demais, foi o melhor dia da minha vida. É minha banda preferida. Conheci com 15 anos em 2011 e fiquei obcecada. Não poderia ver o show de qualquer outro lugar que não fosse a primeira fila. Se tivesse que ter passado dias ali, teria passado. Ano que vem, pretendo dormir na fila pra ver o Arctic Monkeys."

Tava curtindo, a Rafaela.

Rafaela Martuscelli, 20 anos. Bauru (SP).

Melhor show: Marina And The Diamonds (2016) e Twenty One Pilots (2016).

Quantos Lollas: Três (2015, 2016 e 2017).

"Meu coração fica dividido quando me perguntam qual foi o melhor show que vi no Lolla. O da Marina And The Diamonds foi muito importante, porque ela é minha cantora favorita desde 2012. E em 2015 eu sofri o trauma do cancelamento. Só que graças a Deus no ano seguinte o show dela foi a coisa mais linda do mundo. Não conseguia acreditar. E eu ainda fiquei tão pertinho.

Apesar disso, teve o show do Twenty One Pilots, que no fundo é o que eu mais gostei, eu acho. Eu conhecia a banda e gostava já. Quando assisti ao show, eu tava num momento muito complicado da minha vida, de frequentar psicólogo e tudo. As músicas que eu conhecia deles, na época, já eram muito reconfortantes pra mim, mas quando eu vi o show, foi um negócio que meu corpo até amorteceu. Fui pra um mundo paralelo e quando acabou eu fiquei pensando “NÃO É POSSÍVEL QUE ISSO AÍ EU VI COM MEUS OLHOS”. A partir desse dia, eu nunca mais parei de ouvir Twenty One Pilots e falo de boca cheia que é minha banda favorita -- inclusive amanhã estou indo tatuar uma frase deles.

Além disso, conheci minha atual roommate no Lolla 2017. Uma amiga minha me avisou que uma conhecida ia sozinha e perguntou se a gente não queria conversar e se conhecer pra ir junto. Coincidentemente, essa menina que ia no Lolla tinha passado na mesma faculdade que eu, no mesmo curso e na mesma sala. A gente se conheceu lá, um mês antes das aulas começarem, e quando ela foi embora eu falei pros meus amigos 'acho que vou morar com ela, sabia?'. E aconteceu mesmo! Moramos juntas desde abril de 2017."

Thiago Neves, 26 anos. Belo Horizonte (MG).

Melhor show: Arcade Fire (2014).
Quantas vezes foi no Lolla: Três (2012, 2014 e 2015).

"Das minhas lembranças em shows, algumas das melhores foram vividas em dias de Lollapalooza, quando se anda de um palco pro outro pra dar vida à fantasia de assistir às bandas que por muito tempo foram miragens sonoras nos meus fones de ouvido. Mas de todas essas queridas memórias, nenhuma supera a de quando eu vi pela primeira vez, em 2014, o Arcade Fire ao vivo. Aquela explosão monumental dos timbres canadenses e caribenhos que compunham as canções de Reflektor, as quais ouvi do lado de amigos e da minha mãe (também uma fã da banda), é hoje a mais bonita das recordações que vêm à minha cabeça quando volto à fantasia de ouvir It’s Never Over com os meus fones de ouvido."

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