​Os militares brasileiros não estão muito contentes com os Pokémons nos quartéis

Medidas para prevenir a “família militar” dos perigos do jogo já foram tomadas.

|
17 Agosto 2016, 6:29pm

Não são só as ONGs ligadas à privacidade que se preocupam com a quantidade de informações acessadas via Pokémon Go. O Exército brasileiro também está incomodado com a possibilidade de ser espionado. Depois de um Tenente Coronel no Rio de Janeiro passar comunicado interno em um quartel em Triagem sobre os perigos de usar o app, o Exército Brasileiro decidiu proibir o jogo no interior de quartéis, bem como sua instalação em aparelhos eletrônicos da instituição.

As medidas foram tomadas com base no excesso de permissões concedidas no momento da instalação do aplicativo, a exemplo do uso da câmera, do acesso ao GPS e do microfone do aparelho. Elas possibilitariam, segundo nota do Exército enviada ao Motherboard, "mapear a localização e as áreas por onde o usuário passou, enviar para o servidor da empresa fotografias ou vídeos do local onde os personagens foram capturados, permitindo obter dados sobre o ambiente de trabalho".

No mesmo comunicado, o órgão afirmou que também está trabalhando para "alertar a família militar sobre os riscos da exposição dos dispositivos eletrônicos e das consequências reais das distrações em ambientes públicos".

O Exército não é a única das Forças Armadas a querer limitar a captura de Pikachus, Squirtles e Bulbassauros em suas dependências. A Marinha Brasileira também emitiu comunicados internos em que foi vetado o uso do aplicativo pelos mesmos motivos, assim como quaisquer outros que utilizem câmera, GPS e microfone.

Não é a primeira vez que o jogo da Niantic Inc. gera controvérsia envolvendo militares. Alguns países como Indonésia, Israel e China proibiram os soldados de jogar em suas instalações ou mesmo de instalar o jogo em seus aparelhos, por razões bastante semelhantes às do Exército Brasileiro. Também foram registrados casos de soldados jogando em situações insólitas como em treinamentos ou até em combates.

A polêmica envolvendo o excesso de permissões requeridas pelo aplicativo chegou a levantar questões e teorias de que Pokémon Go seria parte de um plano da CIA para vigilância global. Embora seja um pouco demais sugerir esta relação direta entre a agência de informação e Pokémon, o CEO da NIantic, John Hanke, esteve à frente da empresa Keyhole que possuía financiamento da agência e mais tarde viria a se tornar o Google Earth, segundo informações do The Intercept.

Então já sabe: se você, jovem que atingiu a idade de se alistar no exército e foi convocado, é melhor deixar seu boné de Ash e o Pokémon Go em casa.