Coisas que Aprendi Com o Enema Alcoólico

By Jeff Winkler

A inserção de objetos estranhos no reto do Homo sapiens não é novidade. Como você deve se lembrar das aulas de história, os maias administravam enemas de tabaco e alucinógenos com fins religiosos e também por puro tédio. Eles até tiveram a consideração de deixar alguns relevos em pedras e estatuetas documentando o ato — agora usamos vídeos e blogs com propósitos similares. Também nos livramos dos incômodos aspectos espirituais de inserir tubos nas nossas bundas. Isso se chama progresso.

O último burburinho envolvendo curtição anal ocorreu no final de setembro, quando um membro da fraternidade Pi Kappa Alpha da Universidade do Tennessee, Alexander “Xander” Broughton (sim, provavelmente se pronuncia “bro-ton”) foi hospitalizado em coma alcoólico depois de “supostamente” fazer um enema alcoólico com vinho de caixa longa vida, o que os caras de fraternidade costumam chamar, acredito eu, de “Tour de Franzia”. O enema alcoólico, chamado nos EUA de butt chugging (algo como literalmente “encher o cu de pinga”), permite que o álcool ignore a filtragem do fígado e outros processos metabólicos, assim o etanol entra direto na corrente sanguínea através da veia cava inferior. Basicamente você dá um curto circuito nas defesas contra intoxicação do corpo colocando bebida nele pela bunda. Espera-se que isso provoque um barato intenso quase instantâneo.

Depois disso, a universidade suspendeu os direitos da fraternidade e isso era pra ser o fim da história. Mas Xander resolveu dar uma entrevista coletiva involuntariamente (?) hilária. Cercado por seu advogado e todos os colegas Pi Kappas, Xander negou ter qualquer conhecimento anterior do que vinha a ser um enema alcoólico, criticou as instituições que o acusaram do ato, prometeu vingança a todos os meios de comunicação que ficaram tão fascinados com a história e, através de seu advogado, deixou bem claro que “é um homem hétero e que acha a ideia de enema alcoólico absolutamente repulsiva”.

Também sou um cara hétero e sei que, diferentemente do Xander, colocar coisas na bunda não tem nada a ver com ser gay. Como eu poderia não estar intrigado com o enema alcoólico? Parece uma ideia horrível, claro, mas os jovens têm feito muitas coisas idiotas que trazem alegria a milhões, como o Facebook. Será que se embebedar pelo rabo não é algo parecido com o Facebook? Acontece que não é. É terrível, como descobri depois de experimentar isso uma noite. Ainda assim, isso me permitiu ver o mundo de uma perspectiva diferente. E não simplesmente porque passei boa parte daquela dita noite no meu apartamento deitado de costas, glúteos flutuando no ar, portando uma garrafinha de enema cheia de goró. Não, é mais profundo que isso. Mais profundo também que o bico pré-lubrificado que penetrou meu esfíncter. A questão é que novas perspectivas brotam depois de se tomar um copo de vinho e uns 250 ml de vodca pela bunda. 

Perspectiva 1: Cachorrinho

Insisti no “Sunset Blush” como vinho. O nome sugere o tipo de ternura que qualquer bunda consideraria aceitável, quem sabe até convidativa. Também comprei vodca e uísque, pra fins de comparação e também pra dar um barato mais rápido. Numa rua próxima à loja de bebidas, uma farmácia vendia enemas, dois pelo preço de um. “Eles deviam anunciar isso como 'gêmenemas'”, disse minha Cara Metade (CM) alegremente (por razões óbvias, ela preferiu permanecer anônima).

Chegando em casa, coloquei cuidadosamente duas doses de Sunset Blush na garrafa de enema. A posição “cachorrinho”, de quatro com uma toalha por baixo, pareceu a opção mais respeitável.

Atrás da porta fechada do banheiro, voltei minha bunda aos céus enquanto tentava equilibrar meu peso no braço esquerdo pra dobrar o outro desconfortavelmente pra trás, cutucando desajeitadamente o ponto de entrada. Algumas respirações profundas facilitaram o relaxamento e um jorro fresco de Sunset Blush invadiu minhas entranhas. Não foi assim tão ruim. Não ardeu. Um pouco mais de gotejamento do que eu gostaria. Mas meu esfíncter se revoltou. Enquanto eu tentava persuadir meu ânus tanto física quanto verbalmente (“Shhh, tudo bem. Tá tudo bem.”), fiz um balanço da minha própria situação comprometedora. Aquilo era... Bom, não tem outro jeito de dizer isso... Aquilo era muito degradante. Pra não parecer leviano, não vou dizer que finalmente me conectei emocionalmente com minhas irmãs feministas que desprezam o sexo de quatro como uma forma humilhante de submissão. Mas sim, não tem como se sentir poderoso quando se está de joelhos e algo está entrando na sua bunda. Depois dessa epifania, limpei o excesso de vinho, levantei as calças e fui pra cozinha onde CM e eu fizemos pizza.

Perspectiva 2: O Estribo

Eu esperava uma embriaguez rápida ou, pelo menos, ficar com as bochechas coradas. Nada disso. Só um quadril dolorido e uma leve tontura por levantar muito rápido. Medi mais uns 100 ml e tentei novamente, dessa vez sentado na banheira com a perna esquerda apoiada no suporte de toalha e a direita esticada até a pia. Considerando as dificuldades que tive da última vez, untei o enema com uma boa dose de vaselina.

Posicionado como uma mulher naquelas mesas de estribo de ginecologista, movi o enema como um médico faria. Comecei então a divagar sobre tempos mais simples.

Meu antigo colega de apartamento e eu bebíamos tanto que ficamos enjoados da mecânica básica da intoxicação. Caçávamos alternativas mais emocionantes. Felizmente ele trabalhava numa loja que vendia todo tipo de coisa hippie brega. Lá ele roubou uma fonte de fumaça em forma de montanha que enchemos de bebida, esperando ficar bêbados com a névoa de uísque. Foi uma decepção e, pior, um desperdício de uísque.

Os caras da fraternidade que “supostamente” teriam feito o tal butt chugging também deviam estar entediados. O que sobra pra fazer depois de todos os jogos etílicos como beer pong, aquela técnica de furar a latinha, tomar doses no corpo dos outros, usar capacetes de cerveja etc.? Depois de tudo isso vem o bong de cerveja e o próximo passo lógico é isso aqui. Se, como eu suspeito, Xander estava tão entediado e tão empolgado com a novidade do enema alcoólico que realmente quebrou rituais culturalmente aceitáveis pra se embebedar realizando um ato tão tabu com tanta vontade que foi parar no hospital... Bom, francamente, ele merece meus parabéns.

Mas o que me incomodou foi o non sequitur homofóbico de Xander na entrevista coletiva retransmitida por seu advogado. Uma boa parte dos homens heterossexuais curtem atividades “excêntricas” como fio terra, plugues anais e cintas-caralhas. Ainda assim, ferramenta do preconceito ou não, ele estava pensando em algo quando ridicularizou a mídia por sua cobertura imprudente e risonha. Todo mundo ficou tão impressionado com o ato em si que a declaração incrivelmente mal informada e homofóbica de Xander foi essencialmente ignorada. Ou talvez as pessoas simplesmente assumam que caras de fraternidade de 20 e poucos anos odeiam gays.

Nossa cultura está condenada?, perguntei a mim mesmo enquanto terminava de bombear um copo cheio de vinho pra dentro da minha bunda. As coisas pareciam ruins. Primeiro, eu não estava bêbado. Segundo, fiquei com cãimbra. E, pior de tudo, eu estava ficando de saco cheio. 

Perspectiva 3: O Quarterback

Meu amigo chegou quando eu estava enchendo a garrafa de enema com uma segunda dose de vodca. Ele só ficou um tempinho e achou que eu estava brincando quando falei dessa história de enema alcoólico. Durante sua breve estada, contemplamos outras potenciais posições melhores. Com a primeira dose de vodca, tentei a posição “quarterback”, que consiste em ficar de pé com as pernas dobradas, mais ou menos naquela posição que os jogadores de futebol americano ficam antes das jogadas. A infiltração foi um pouco menor. Pelo menos a vodca não ardeu como eu imaginava. Houve também um borbulho toda vez que o enema acabava. Nota geral: 6,0.

Ter que me retirar da conversa pra tomar outra dose era irritante, igual a ser o único fumante numa festa de naturebas. Depois de um brainstorm, concluímos que a melhor maneira de fazer um enema alcoólico era deitar com as pernas jogadas pra cima da cabeça. “Relaxe os músculos da perna”, disse meu amigo repetidas vezes enquanto demonstrava a posição. Esse era o método preferido na maioria das fotos e vídeos de enema alcoólico que vi. Até os caras do Jackass fizeram desse jeito.

Dessa vez, duas doses de vodca entraram sem derramar nenhuma gota. Infelizmente, não bateu. As outras doses tinham feito meu intestino fazer barulho e eu sentia como se estivesse prestes a cagar. Corri pro banheiro e quase não consegui chegar a tempo. O que saiu foi na maior parte líquido claro. E, meu Deus, como isso queima. Me limpei bem e tentei sair andando. “Vamos lá! Levanta e anda!”, gritei pra mim mesmo. Voltei pro banheiro alguns minutos depois com outras duas doses. Essa nova posição parecia funcionar, mesmo com o meu reto começando a ficar esperto.

Perspectiva 4: Lótus Marrom

A CM inicialmente estava apreensiva com o meu projeto. Sua principal preocupação era a gente ir parar no hospital. Ela odeia dirigir à noite, e como eu estava sendo descuidado com o enema, assim que pôde ela assumiu o controle da situação. Ela escolheu o termo “Babá de Enema”, ao invés do “Supervisora de Enema” que eu tinha sugerido. Então, lentamente, ela foi pegando o jeito da coisa toda.

Depois de mais uma dose nessa nova posição, que decidi chamar de “lótus marrom”, ainda não me sentia intoxicado. Dei uma pesquisada na internet, esperando encontrar um guia passo-a-passo que me ajudasse. A única coisa que o Google fez foi me ajudar com a ortografia: “Você quis dizer: como fazer butt chug?”. Me vendo frustrado, a CM sugeriu a prática de skimming, um termo que significa colocar um absorvente interno embebido em vodca em alguma cavidade do corpo. Ela disse que a gente precisava passar na farmácia no dia seguinte pra comprar um aplicador. Eu disse que já estava estourando o prazo final da matéria. Ela sugeriu soprar um pouco de fumaça de maconha na minha bunda. Seu raciocínio era: “Precisamos colocar coisas aí dentro pra te deixar bem louco.”

De volta à posição do lótus, a CM resolver agir. “Posso?”, perguntou ela de um jeito que mais parecia uma ordem. Nem tive tempo de responder. Ela estava perfeitamente enquadrada entre as minhas pernas que estavam por cima da minha cabeça. Então ela me olhou friamente, segurando a garrafa de enema como uma arma.

“Amor, você parece um pouco perturbadora deste ângulo”, eu disse a ela.

“Eu poderia dizer a mesma coisa de você, amor.”

Não houve nem aviso nem simpatia da parte dela. Ela enfiou o negócio tão fundo que nem senti o enema funcionar. Ela disse: “é difícil manter lá dentro”, e começou a mexer o negócio com tanta força que derramei uma lágrima.

A próxima dose foi também a última da noite. Em partes porque coloquei mais uns 250 ml na minha bunda. Isso me fez sentir como se tivesse algo queimando no meu reto. Mas a razão principal é que a CM queria sair pra beber com algumas amigas. Ela ficou tão entediada com essa pequena aventura quanto eu. Sem dizer muita coisa, caminhei até o banheiro como se fosse outro dia de trabalho normal. Deitei e ela administrou o enema. Todo o processo demorou menos de um minuto. Agora éramos profissionais. 

Perspectiva 5: De Bruços

A CM e eu saímos então pra alguns drinques orais. Pra minha surpresa, algumas das amigas dela nunca tinham ouvido falar de enema alcoólico, ou pensavam que era uma versão etílica de “2 Girls 1 Cup”. Em certo momento, fui ao banheiro pra largar um barro. A coisa toda cheirava a desinfetante, igual salmão de supermercado.

Como eu disse, o que tentei estava mais pra degustação do que pra bebedeira anal. Pra ver um enema anal realmente interessante, acesse este vídeo no Vimeo, que mostra um homem deitado de bruços com uma garrafa de cerveja enfiada no rabo. O fundo da garrafa foi removido pra ela servir de funil, e os amigos dele riem enquanto colocam um líquido arroxeado no recipiente. O mais impressionante é ver as nádegas trabalhando. Elas se movem e se contorcem como uma cobra digerindo um rato. Isso realmente parece alguém virando uma garrafa de bebida normalmente. Eu não consigo fazer isso. Nem quero.

Deitado de bruços na cama naquela noite, senti meu ânus se retraindo incessantemente, como se eu estivesse com um plugue anal fantasma. Não é tão ruim quanto um quarto girando ou uma ressaca, mas daqui pra frente provavelmente vou me ater a formas mais socialmente aceitáveis de consumir álcool. Como beber até vomitar. Pelo menos tenho boas chances de nem lembrar de nada no dia seguinte.

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