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      O Suéter de Natal do Slayer é uma Desgraça

      December 19, 2012

      O Slayer foi a primeira banda que realmente me assustou. Eu era um moleque de dez anos folheando a Circus Magazine num supermercado perto de casa quando a tipografia do logo do Slayer e os pentagramas me deram um arrepio na espinha. Na adolescência, fui meio que sequestrado por um conhecido skinhead. Ele se ofereceu pra me deixar na casa dos meus pais em Boston. Então, quando perguntei por que ele tinha passado direto pela saída na estrada que levava até lá, ele disse que estávamos indo ver o Slayer em Providence, e que eu podia pular do Dodge Aires dele que estava a 80 por hora se quisesse descer. Depois de tentar subornar o Kerry King com seis baseados perto do ônibus da banda do lado de fora do show lotado, finalmente conseguimos entrar sorrateiramente no lugar, onde vi algo que ainda hoje não consigo explicar. Enquanto éramos esmagados no fundo do show pela multidão suada, o braço de um caipira horrorizado que estava perto de mim começou inexplicavelmente a pegar fogo enquanto as notas de abertura de “South Of Heaven” saíam pelos alto-falantes, música essa sobre o exato oposto do tédio cheio de sacarina que é a época de Natal.

      Por isso que é uma puta desgraça do caralho que exista um suéter de Natal do Slayer.

      O suéter de Natal brega já é há algum tempo a marca natalina dos nerds irônicos. Você verá essas catástrofes tricotadas enfeitadas com renas e flocos de neve sendo usadas num tamanho três vezes menor, cheias de furos, manchas de pingos de burrito e óleo de pizza. Qualquer tentativa de parecer legal só é obtida através da nostalgia. Os suéteres em si são ridículos, mas as memórias que eles evocam, não. Primeiramente introduzido pelo seu tio bigodudo encharcado de rum chamado Billy (ou, se você for judeu, Clark Griswald), o escroto suéter vermelho e verde se tornou um significante por excelência dos natais passados.

      O Slayer, claro, é superlegal, mesmo com o vocalista deles, o Tom Araya, atualmente parecendo o Jerry Garcia. Mas mesmo que o estoque do suéter tenha esgotado em questão de poucas horas de vendas online, eu simplesmente não consigo conciliar o descaramento inerente de um suéter natalino do Slayer com aquilo que a banda representa pra mim e pro mundo.

      Um pouco de história: o Descendents, uma banda muito velha de punk da Califórnia que inventou o punk pop e que tocava solos de guitarra durante músicas inteiras, lançou no ano passado esse suéter natalino falsamente retrô brega. O negócio vendeu feito água, já que a banda se transformou numa indústria de merchandising que rivaliza com o Grateful Dead — eles colocaram à venda uns 400 box de camisetas algum tempo atrás e me parece que elas esgotaram em meia hora. Pra crédito do Descendents, eles ainda são a melhor banda no gênero que inventaram. Então, se alguém quer um suéter pra combinar com o tênis, meia, caneca e boné do Descendents no Natal, bom, isso até faz sentido.

      Mas existe uma razão pela qual usar um suéter de Natal do Slayer é uma grande merda. Descontando a alegação bem fundamentada de que até usar as camisetas deles é babaquice, a banda não tem nada a ver com Natal. Claro, você pode argumentar que três reis magos seguindo uma estrela pelo deserto, procurando pelo Rei Menino pra presenteá-lo com resina é tipo o clipe “Seasons In The Abyss” da religião cristã. Mas enquanto o Slayer pode até ter sido a trilha sonora de assassinatos de adolescentes e conspirações em Juventude Assassina, eles nunca foram a razão pela qual o Ralphie ia dar um tiro no próprio olho em Uma História de Natal. Não dá pra colar os caras num feriado que não tem porra nenhuma a ver com eles. É loucura.

      É difícil imaginar alguma circunstância onde um fã de verdade do Slayer usaria essa merda tricotada, além daqueles compromissos chatos com os pais quando a sua avó vem jantar em casa ou no seu próprio enterro. E nem assim porque um fã de verdade do Slayer não se comprometeria desse jeito nem morreria de um jeito que deixasse o corpo adequado pra caixão aberto — mas um fã do Metallica sim. Claro, eu não ia ficar puto de ver um pequeno suéter do Slayer num nenê usando aqueles protetores de ouvido gigantes de criança sendo içado pelos pais punk crust num show.

      E continuo confuso como no começo com a possibilidade de um fã real do Slayer usar essa porra de suéter. Mas tenho certeza de que nas próximas semanas, seja lá quem foi que comprou um desses, vai ser aquele mesmo punheteiro alegre que coloca “Santa Claus Is Coming To Town” do Springsteen na jukebox do bar da sua cidade natal encobrindo a risada de Satã enquanto continua pra sempre sendo um babaca.

      Siga o John Liam Policastro no Twitter: @JohnLiam

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      Tópicos: Natal, Metal, Slayer, suéter, John Liam Policastro

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