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Sexo

Este cara pinta o sexo que diz ter feito com alienígenas

Quando tinha 17 anos, David Huggins diz ter perdido a virgindade com uma extraterrestre.

por Kara Weisenstein; Traduzido por Marina Schnoor
08 Fevereiro 2018, 5:40pm

Todas as imagens cortesia de Brad Abrahams. Detalhe de First Time de David Huggins (esquerda); still do filme sobre Huggins Love and Saucers (direita).

Matéria originalmente publicada na VICE Canadá.

Perder a virgindade geralmente deveria ser um evento memorável. A maioria lembra do ato com carinho e, provavelmente, um pouco de constrangimento. Mas David Huggins diz que a primeira vez que ele fez sexo foi mais — bom, de outro mundo — que a da maioria.

“Quando eu tinha 17 anos, perdi minha virgindade com uma extraterrestre”, diz o homem de 74 anos num documentário sobre ele chamado Love and Saucers. “É só isso que posso dizer.”

O coito em questão aconteceu supostamente em 1961, quando Huggins era um adolescente morando com pais numa fazenda na Georgia. Não era a primeira vez que extraterrestres apareciam para ele; ele via criaturas estranhas desde que tinha oito anos. Mas naquele dia, ele estava andando pela floresta perto de sua casa, quando uma mulher alienígena apareceu e o seduziu. “Eu achava que perderia a virgindade no banco de trás de um Ford — ou algo assim. Mas não foi o que aconteceu”, ele diz no filme.

Still do filme Love and Saucers, Huggins segurando seu quadro First Time.

Segundo Huggins, esses visitantes extraterrestres, e seu relacionamento sexual com eles, continuou até a vida adulta. Quando o entrevistamos para esta matéria, Huggins me disse que seu último encontro com Crescente, o nome que ele deu para a mulher da floresta, tinha sido seis meses atrás. “Eu estava sentado numa cadeira e a mulher, Crescente, estava atrás de mim, e ela colocou os braços em volta de mim”, ele disse. “E foi isso. Não sei de mais nada além disso.”

Huggins é perturbadoramente direto quando fala sobre seus encontros. Isso o diferencia do que geralmente se espera de um entusiasta de OVNIs. Ele não busca notoriedade e não liga se alguém acredita nele ou não. Quando Huggins fala sobre ser pai de centenas de bebês alienígenas—– e sim, essa é outra faceta dos encontros dele — ele parece um fazendeiro experiente explicando rotação de plantações.

Essa é uma das coisas que fez o cineasta Brad Abrahams rastrear Huggins até Hoboken, Nova Jersey, onde ele mora agora. Abrahams ouviu a história de Huggins num podcast sobre OVNIs e o paranormal. “Num mar de afirmações estranhas, uma se destacava na superfície”, ele disse. “E era a história de David.”

Huggins nasceu numa área rural da Georgia em 1944. Em Love and Saucers, ele fala sobre caçar pontas de flecha em terrenos próximos por diversão e não gostar da igreja batista para onde seus avós o levavam às vezes. Quando seres estranhos que ninguém mais podia ver começaram a aparecer para ele na fazenda, ele achou que estava enlouquecendo.

“Estou sentado embaixo de uma árvore, e ouço essa voz dizendo 'David, atrás de você'. Me viro e vejo um cara baixinho cabeludo com estranhos olhos brilhantes me encarando. Achei que era o bicho-papão. Eu não sabia o que pensar”, ele diz no filme. Outro dia, um “ser parecido com um inseto”, que fez Huggins lembrar de um louva-deus, apareceu. “Foi muito assustador”, ele diz. “Foi tipo 'Para o que diabos estou olhando?' E como um menino de oito anos, você não sabe o que pensar.”

Quando o choque passou, Huggins diz que seus encontros eram estranhos, mas nada ameaçadores. Quando ele saiu da Georgia no meio dos anos 60 para estudar artes em Nova York, os seres o seguiram. Visitas noturnas de Crescente, a ET que o deflorou, se tornaram rotina. “Meu relacionamento com Crescente era carinhoso e amigável. Um pouco estranho. O que estou dizendo, um pouco. Muito estranho. Ela era minha namorada”, diz Huggins no filme. “Era uma relação nada convencional”, ele acrescenta.

Floating Up, David Huggins (esquerda); Huggins em seu estúdio com a pintura da mulher alienígena com quem ele diz ter transado (direita).

Uma das primeiras pinturas que Huggins fez mostra ele e Crescente — transando. “[A pintura] não ficou muito boa. Ela está em cima de mim, atinjo o clímax, aí ela e o ser insetóide vão embora”, ele diz. Pinturas similares enchem o apartamento dele. Elas são surreais e um pouco infantis, dominadas por tons azuis e verdes profundos.

Essa é outra coisa que diferencia Huggins da maioria das pessoas com histórias de abdução alienígena: ele pinta seus encontros. Tudo começou em 1987, quando Huggins passou a lembrar detalhes das primeiras visitas. Ele diz que o dilúvio foi desencadeado pelo livro de Budd Hopkins Intruders: The Incredible Visitations at Copley Woods.

“Era como uma compulsão. Eu estava sendo atraído para o livro”, ele diz no filme. “Tinha o capítulo 'Outra Mulher, Outro Homem'. Comecei a ler e pensei 'Meu deus, é a mulher sobre a qual nunca contei a ninguém'. Enquanto eu lia, memórias atrás de memórias começaram a surgir. Era uma imagem atrás da outra. Elas não paravam. Acho que o que mais me incomodava era que eu não sabia o que fazer com isso. Eu estava muito assustado.”

“Parecia que ele estava quase enlouquecendo […] por não poder processar essas experiências que aconteceram com ele. O que era aquilo? Por que ele? Parecia que ele estava perdendo o controle de sua vida e da realidade”, me disse Abrahams. “E aí, aparentemente, ele recebeu essa mensagem [dos seres], de que ele devia pintar as experiências, e logo que começou a fazer isso, ele mudou.

“Ele disse que foi um alívio. Ele conseguiu dormir pela primeira vez em semanas. E desde então, ele vem pintando cada detalhe de cada encontro. São umas cem pinturas. É terapia com arte. Não sei se o David descreveria assim, mas essa era uma grande parte do que eu queria mostrar também. Quando ele achou um jeito de mostrar para o resto do mundo, ou mesmo só para ele, [o que aconteceu] através de arte, ele conseguiu processar, tirar um sentido disso, e ficou em paz com seja lá o que aconteceu com ele”, diz Abrahams.

David Huggins trabalha numa pintura (esquerda); Caught, David Huggins, óleo sobre tela, 1989 (direita).

O que torna Love and Saucers um documentário muito bom sobre um homem que se pinta transando com alienígenas é que Abrahams mostra os detalhes da história de Huggins e deixa o espectador tirar suas próprias conclusões. No cerne, Love and Saucers é um filme sobre acreditar. A primeira metade é Huggins contando sua própria história, mas a segunda parte são entrevistas com amigos e vizinhos. Alguns não sabiam dos encontros de Huggins antes. Mas todos acreditam nele.

Aí você tem Jeffrey Kripal, professor de filosofia e pensamento religioso da Rice University no Texas. Ele passou o começo de sua carreira estudando misticismo erótico, o que o levou a estudar abduções alienígenas na literatura. “A história das religiões é basicamente sobre seres estranhos vindos do céu e fazendo coisas estranhas com humanos, e historicamente, esses eventos ou encontros eram enquadrados como anjos ou demônios, deuses ou deusas, ou qualquer coisa assim. Mas no mundo moderno e mais secular, o mundo em que vivemos, eles são enquadrados como ficção científica”, diz ele em Love and Saucers.

Kripal acredita em Huggins. Ele diz que a mistura de terror e euforia que Huggins descreve se alinha com descrições de outras eras de humanos encontrando o sagrado. Além disso, os detalhes das abduções de Huggins espelham aqueles descritos por outras pessoas que Kripal entrevistou, que também acreditam que tiveram experiências sobrenaturais. “Estou convencido de que elas não estão mentindo; elas estão sendo sinceras. Mas novamente, o que isso realmente é, é uma questão completamente diferente, e é aqui que acho que precisamos de muito mais humildade”, ele diz.

Her Eyes, David Huggins

Acreditando ou não que Huggins realmente fez sexo com alienígenas pelos últimos 50 anos, o que fica aparente é que o próprio Huggins acredita. “Considere que esse homem não está mentindo e que ele está comunicando algo que experimentou, mas isso não precisa ser tomado literalmente. Alguém pode não ser louco mas ainda dizer que teve experiências completamente inexplicáveis”, diz Abrahams.

O que acho mais fascinante do que se “a verdade está lá fora” ou não, é o que as histórias de Huggins dizem sobre o impulso de explicar o que não entendemos, ou nossa capacidade limitada de interpretar todas as sensações, experiências e neurônios disparando aleatoriamente que vêm com ser um humano.

Quando perguntei a Huggins por que ele achava que os seres apareciam para ele, ele me disse: “Sinto que dezenas de milhões de pessoas, talvez centenas de milhões, tiveram experiências similares. Muitas quando crianças. É isso que posso dizer, mas acho que crianças são muito abertas para as coisas, então esses seres podem aparecer para nós. Sei que nunca me fechei para isso, porque essas experiências continuaram por toda minha vida”.

Love and Saucers está disponível para assistir aqui.

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