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Este cara comprou um domínio de extrema-direita e transformou num site furry

Em vez de ler teorias xenofóbicas sobre a imigração muçulmana, você pode admirar lobos de cueca prontos para namorar.

por Mack Lamoureux; Traduzido por Marina Schnoor
07 Fevereiro 2019, 9:00am

Brady Grumpelt (esquerda) e suas criações furry (direita). Foto por Mack Lamoureux.

Se você entrar agora no site do Wolves of Odin, um grupo de extrema-direita da cidade de Alberta, Canadá, não vai conseguir ler as visões anti-imigração que eles geralmente pregavam. Você vai ver perfis bem no naipe do Tinder, só que de lobos desenhados e cheios de tesão.

Em vez de encontrar aquelas teorias de conspiração bestas sobre como a imigração muçulmana é um plano para substituir os canadenses “de verdade”, você vai saber um pouco mais sobre um lobo que adora “quando você marca seu território" no peito dele.

Brady Grumpelt é o homem por trás da nova presença na internet do Wolves of Odin. Ele conta que a ideia nasceu quando viu membros do Wolves of Odin supostamente “tentando intimidar o pessoal” num bar onde ele trabalhava.

Um vídeo postado no Facebook parece mostrar o grupo causando no bar, vandalizando a propriedade e discutindo com o proprietário. Grumpelt disse que enquanto o dono do bar afirmou ser “certinho e nunca faria uma coisa dessas”, ele decidiu agir.

No mesmo dia, ex-membros do grupo ganharam atenção nacional por stalkear uma mesquita. Os homens eram membros de uma ramificação do Wolves of Odin – que agora se chamam de a Clann e Canadian Infidels – que deixaram o grupo algumas semanas antes.

“Vi de que grupo eles eram e fiquei imaginando se eles tinham seu próprio domínio na internet. O '.com' tinha dono, mas o '.ca' não – então pensei comigo mesmo 'Acho que vou comprar o domínio e fazer algo engraçado com ele'”, Grumpelt disse à VICE. “Levei uns dez minutos para pensar em tudo. Pensei, 'bom, eles querem lobos, então isso vai funcionar muito bem'.”

“Disso, abordei um amigo que entende mais de computadores que eu e pedi que ele pegasse o domínio e transformasse num site de uma página de fetiche furry.”

Screencap of WolvesOfOdin.ca
Screenshot do WolvesOfOdin.ca

Levou alguns dias para a dupla colocar o site no ar, mas finalmente eles conseguiram. Agora, se for até o WolvesOfOdin.ca, você pode ver os perfis querendo que você “enterre seu osso no meu quintal”; ou que “mal posso esperar para você me rechear como um bolinho”; e, claro, que “não é o lobo mais esperto do zoológico”.

Apesar de o site ter divertido alguns milhares de residentes de Alberta, membros da comunidade furry foram ao Reddit para discutir as implicações de ter seu fandom usado desse jeito. Um usuário chamado Kawauso98 se pronunciou: “Apreciei a piada e tudo mais, porque foda-se esse tipo de grupo”, mas que “autodepreciativos como nós, furries, somos, alguém tirar sarro de um grupo de ódio os fazendo parecer 'um de nós'... é triste, cara”. Outros furries fizeram reclamações similares.

Grumpelt disse que falou com algumas pessoas da comunidade furry online sobre o site, e que algumas até ofereceram suas fursonas para serem colocadas lá. Ele disse que escolheu os furries por causa da conexão óbvia com lobos, e que não queria chatear ninguém.

“Entendo se as pessoas da comunidade não gostarem”, disse Grumpelt. “Eu diria para elas 'Não queria te irritar, quero que o site seja o que é, não quero marginalizar a comunidade furry'."

“Espero que os membros da comunidade furry me perdoem; saibam que só estou tentando fazer o bem no final.”

Estranhamente, essa não é a primeira comunidade da extrema-direita direita com temática de lobo, nem a primeira a ser zoada por furries. Antes do Wolves of Odin – obviamente uma referência a “Soldados de Odin” – teve o La Meute em Quebec.

Um grupo furry chamado La Meute, “A Matilha”, compartilha o nome com o maior grupo de extrema-direita anti-imigração da província. Então esse grupo pegou a página do Facebook “La Meute Officielle” e a transformou no primeiro resultado de busca por “La Meute” no site.

Falando com a VICE no final de 2017, Mr. Wolfenstein, o ativista por trás da página, descreveu a ação como “um jeito diferente de lutar. Algo que a gente não sabia que podia usar, usar nossas identidades furries para lutar contra a intolerância”.

Rolando até o final da página de Grumpelt, uma nota sugere que o leitor pode comprar o domínio fazendo uma doação de $10 mil para a organização “Hate Free YEG”, que apaga pichações racistas em Edmonton. O grupo também tem um Go Fund Me. Um representante da organização disse ao Edmonton Star que a pegadinha e as fotos sugestivas de lobos sexualizados de barraca armada “está meio fora da nossa marca”.

Grumpelt disse que não teve notícias do grupo de extrema-direita, mas que algumas pessoas ligaram para chamar ele de cuzão ou idiota.

Ele pode estar acostumado com esse tipo de reação desde que lançou seu negócio vendendo pintos de goma em 2015. Sua piada “eat a bag of dicks” rendeu a ele muito dinheiro e atenção, incluindo um perfil escrito por este repórter. Ele também lançou uma gaita no formato de um cartucho de Nintendo. Grumpelt disse a VICE que simplesmente “curte fazer coisas”. Mas essa última coisa é diferente, contou, porque pode realmente trazer algo positivo, seja conscientizando, levantando algum dinheiro para caridade, ou fodendo com o tráfego de um grupo de extrema-direita na internet.

“Acho eles ridículos”, esbravejou Grumpelt. “Não entendo a mentalidade de ir até uma mesquita para intimidar pessoas... Para mim, é um pensamento atrasado e eles precisam superar isso, estamos no século 21."

“No final das contas, eu só queria fazer o bem e espero não ser assassinato por um grupo de racistas ou um bando de furries raivosos.”

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Matéria originalmente publicada pela VICE Canadá.

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