"O medo vai mudar de bando!": a manifestação contra a violência machista antes das festas de San Fermín
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"O medo vai mudar de bando!": a manifestação contra a violência machista antes das festas de San Fermín

"O meu corpo, a minha vida, a minha forma de foder, não se ajoelham ante o sistema patriarcal! Assim se gritou em Pamplona.
6.7.18

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Espanha.

Em Pamplona, Espanha, foram muitas as pessoas que na noite de quarta-feira, 4 de Julho, participaram na manifestação contra a violência machista, organizada pelo colectivo feminista Farrukas e que antecedeu o arranque das festas de San Fermín. A marcha decorreu sob o lema "El miedo va a cambiar de bando. ¡Insumisión al heteropatriarcado!" ["O medo vai mudar de bando. Insubmissão ao heteroptriarcado!"].

Presentes estiveram mulheres de todas as idades, mas, sobretudo, jovens. Muitas com menos de 20 anos. Às 10 da noite, na praça Recoletos, as participantes começaram a tapar as caras e foi lido um comunicado em que explicaram que, tal como as zapatistas, "tapam os seus rostos para serem vistas".

Alguns dos cânticos ouvidos durante o evento foram: "Kaleak, gaua: gureak dira!" (as ruas, a noite: são nossas), "¡Matxirulo, entzun: pin, pan, pun!" (machirulo [expressão que junta machista e chulo], ouve: pim, pam, pum), "Mi cuerpo, mi vida, mi forma de follar, no se arrodillan ante el sistema patriarcal!" (o meu corpo, a minha vida, a minha forma de foder, não se ajoelham ante o sistema patriarcal!), "Si tocan a una, nos tocan a todas!" (se tocam numa, tocam em todas!), "¡Patriarcado, capital: alianza criminal!" (patriarcado, capital: aliança criminosa), ou "Con ropa, sin ropa, no nos tocas!" (com roupa, sem roupa, não nos tocas!).

O som dos tambores ia abrindo caminho pela Calle Mayor, passando depois pela praça San Francisco, pela Calle San Miguel e pela concorrida San Nicolás. Enquanto alguns comiam "pintxos" e as mulheres aplaudiam, do centro da manifestação ouvia-se, "Não fiques só a ver, junta-te a nós!".

Um dos mais momentos mais reivindicativos, aconteceu quando as manifestantes chegaram à Estafeta, por onde passam os touros no "Encierro" durante as festas. À chegada à catedral ouviram-se aplausos e gritos de "Vamos queimar a conferência episcopal!". Na praça do Ayuntamiento, onde se celebra outro dos momentos das festas conhecido como o "Chupinazo", foram mesmo queimados elementos do sistema patriarcal.

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Abaixo podes ver mais imagens da manifestação em Pamplona.


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