Viagens

Os melhores fotógrafos do Mundo levam-nos numa viagem através de imagens marcantes

Fotos do último evento de vendas da Magnum, em parceria com a Aperture, em que o tema foi "Crossings".

Por VICE Staff
16 Novembro 2018, 10:07am

"Ferry between Helsinki and Stockholm". Finland. 1991. © Martin Parr / Magnum Photos. “No início dos anos 80, dava aulas em Helsínquia e ia regularmente a Estocolmo passar o fim-de-semana. Isto envolvia comprar álcool barato e consumi-lo na viagem de ferry. Os finlandeses adoram saunas e este tipo estava a sair de uma para apanhar um fresquinho".

Este artigo foi originalmente publicado na VICE UK.

A lendária agência Magnum representa alguns dos melhores fotógrafos do Planeta. Sim, a “qualidade” da fotografia é subjectiva, mas, por outro lado, objectivamente, estes são mesmo os melhores.

Recentemente, a agência fez outra das suas "square print sales" - em parceria com a Aperture - em que pedem aos fotógrafos para escolherem uma imagem dos seus arquivos que exemplifique um tema especifico para, depois, venderem impressões em qualidade de museu por 100 dólares cada [cerca de 90 euros]. Desta vez, o tema escolhido foi “Crossings”.

Abaixo podes ver algumas das fotos que estiveram à venda este ano, com citações dos próprios fotógrafos, que explicam porque é que acham que a imagem representa o tema.

Bruce Davidson

bruce davidson gang photo
"Backseat of a car", da série "Brooklyn Gang". New York City, USA. 1959. © Bruce Davidson / Magnum Photos

“Estão a ver Lefty e a sua namorada, membros de um gang de Brooklyn, que se auto-intitula 'The Jokers', em viagem para Bear Mountain Park. Esta fotografia não é suposto ser arriscada. Eles são adolescentes, jovens e com muita força de espirito, energia e amor nas suas vidas, que eram instáveis, descuidadas e, muitas vezes, perigosas. Nas palavras de Pauley, um amigo de um dos membros do grupo chamado Bengie, 'não viemos de famílias disfuncionais - o bairro inteira era disfuncional'.

Na altura, achei um bocado estranho estar a fotografar a viagem dos The Jokers a um parque nacional, uma viagem patrocinada pela Youth Board. O gang estava completamente fora do seu elemento. Sem ruas más, sem preocupações, apenas tempo para se explorarem a si próprios e ao parque. Estavam livres e isso era cativante”.

Nan Goldin

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"Drugs on the Rug", NYC, 2016. © Nan Goldin, cortesia Aperture

“Fui agarrada ao Oxycontin durante quatro anos, Tive uma overdose, mas regressei à vida. Decidi tornar o que era pessoal em algo político e fundei um grupo chamado P.A.I.N. (Prescription Addiction Intervention Now) para falar da crise dos opióides.

Somos um grupo de artistas, activistas e toxicodependentes que acreditam em acção directa. Temos como alvo a família Sackler, que manufacturou e distribuiu OxyContin através dos museus e e universidades que têm o seu nome. Falamos pelos dois mil e 500 corpos que já não têm voz”.

A fotógrafa acrescenta que o dinheiro da venda da fotografia reverte para o trabalho da P.A.I.N.

Harry Gruyaert

Harry Gruyaert
"Crossing in the Ginza district". Tokyo, Japan. 1996. © Harry Gruyaert / Magnum Photos

“Desde a minha primeira viagem a Tóquio, em 1996, que fiquei fascinado com o Japão; é tão diferente da China e da Coreia. A atitude das pessoas é especial. Tens um enorme sentido de segurança: as crianças podem ir para a escola de metro sozinhas, tens a impressão que podias deixar a máquina fotográfica num restaurante ou numa cabine telefónica e, dias depois, quando a fosses procurar, ainda lá estaria.


Vê o primeiro episódio de "Gaycation", no Japão


Há uma grande sensação de disciplina, como nesta fotografia em que toda a gente espera pacientemente em fila para atravessar a estrada, não avançando sem que a luz fique verde. Outra coisa sobre o Japão: ninguém olha para ti. É um paraíso para um fotógrafo. Mas, passado uns tempos, começas a perguntar-te se ainda existes”.

Joel Meyerowitz

Joel Meyerowitz
New York City, 1965. © Joel Meyerowitz, cortesia Aperture

“Uma rapariga numa Vespa a caminho de ‘sabe-se lá onde’, quando o semáforo a parou na 72nd Street no cruzamento perto de Dakota, onde John Lennon iria um dia cruzar-se com o seu destino.

Ela aproveita o momento para arranjar uma unha, antes de voltar à sua viagem, enquanto eu, parado no mesmo cruzamento, mas a pé, salto para a rua para captar esta visão de uma rapariga de sonho, antes que o tempo a leve de volta ao seu caminho”.

Tyler Mitchell

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"Untitled (Twins)". Brooklyn, USA. 2016. © Tyler Mitchell, cortesia Aperture

"Esta imagem foi fotografada em Brooklyn, na zona de Flatbush. Tinha na cabeça uma imagem de masculinidade negra, que emanasse liberdade. Especificamente, uma imagem ficcional de homens negros a expressarem-se livremente. Comecei por adornar estes dois gémeos, Torey e Khorey, com pérolas, tecidos e luz natural, para criar um mundo em que o documentário e a fantasia se cruzam”.

Alex Webb

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Tijuana, Mexico. 1995 © Alex Webb / Magnum Photos

“Há muito que os paradoxos na fronteira México-EUA me fascinam. Entre 1975 e 2001, cruzei a fronteira inúmeras vezes, fotografando esta região única para a tentar perceber. Apesar dos dois países estarem em mundos culturais separados, às vezes parecia que a fronteira era um terceiro país no meio dos dois - um sítio em que dois países se encontram, umas vezes facilmente, outras com mais dificuldade e outras ainda com um toque de surrealismo.

Agora que olho para trás, percebo que o meu livro Crossings (2003), que originou estas fotografias, reflecte os últimos dias de uma fronteira mais porosa entre o México e os Estados Unidos, muito diferente da tão militarizada dos dias de hoje.

Em 1995, ao andar pelas ruas de Tijuana, fui apanhado de surpresa por esta caixa de sapatos coloridos, que parecia estar completamente fora de sítio num local poeirento e isolado. Olhei à volta em busca de algum tipo de explicação. Teria havido um mercado ali montado antes e os sapatos tinham sido esquecidos? Teriam mulheres trocado estes saltos altos por sapatos mais confortáveis antes de irem para o trabalho no centro de estética ali do lado? Ou teria o vendedor de sapatos abandonado o posto durante a hora de calor? No meu espanhol manhoso, perguntei a um senhor que passava se ele sabia. Encolheu os ombros.

Até hoje, esta cena surreal é um mistério”.


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