Dreaming in Key
Atomnation
7/10
O rapaz na fotografia chama-se Pascal Terstappen e com esta aparência de miúdo giro, a sua vida deve ser cheia de possibilidades. O Pedro Lamy, quando era mais novo e aparecia na televisão a vender coisas, também nos fazia acreditar que ali estava o rosto de um rapaz que vai longe. Não sabemos ainda até onde vai Pascal Terstappen, mas o produtor holandês conhecido por Applescale pode já gabar-se de ser um dos poucos músicos com uma edição física — o álbum Dreaming in Key — na label Atomnation e tudo leva a crer que a partir daqui será sempre a subir.
Uma boa parte de Dreaming in Key tem um optimismo semelhante ao que os Röyksopp empregavam há muitos anos em Melody A.M., disco muito simpático, que marcava o ponto de partida do duo norueguês da mesma maneira que anunciava o que podia ser a electrónica mais pop no novo milénio. É pouco provável que Applescal consiga marcar uma temporada da mesma maneira (o seu campeonato é renhido), mas há uma utopia qualquer na ambição de um jovem produtor que não tem medo de trincar qualquer género dos muitos na árvore gigante da electrónica.
Dreaming in Key resulta bem quando acerta no nervo que nos faz dançar (“Spring and Life” mexe até com os pêlos do rabo) e falha graciosamente quando a maturidade do seu criador ainda não chega para manter viva a chama de uma malha house por mais de cinco minutos.. Apesar de algumas dúvidas, Applescal fica referenciado no bloco secreto do Mourinho.
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Illustration by Reesa -

(Photo by: Samuel Dietz/WireImage)

