Floating Coffin
Castle Face Records
8/10
Da última vez que estive a menos de 300 metros dos Thee Oh Sees, adormeci. Não porque eles me estivessem a dar seca, atenção (estava a ser só uma noite muito complicada ao que à ebriedade diz respeito, mas adiante). Até hoje, guardo uma mágoa por não ter estado em plenas capacidades para apreciar esse concerto. Especialmente porque, daquilo que me lembro, estava a ser uma das grandes aparições do rock’n’roll dos últimos anos.
Putrifiers II, o trabalho anterior de 2012, já augurava uma mudança (vá, um upgrade) na sonoridade dos Oh Sees. A produtividade destes gajos de São Francisco é notória, mas este Floating Coffin marca, sem dúvida, um ponto de viragem: há uma negritude muito densa, comum às dez malhas e uma preocupação maior, um cuidado arty nos arranjos — como se a cena psicadélica norte-americana tivesse andado a curtir com o post-punk de Manchester e que o filho deste cruzamento tivesse como padrinho um gajo do peso. Tudo isto na garagem, com a “Maze Francier” a tocar: há esperança no rock’n’roll.