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Sangue falso e cabelos em pé com os Cheryl

A festa que vai arruinar a vossa vida é hoje no Musicbox.



"Que história contas com o teu cabelo?" É esta a pergunta que os nova-iorquinos CHERYL nos fazem hoje no Musicbox. Este quarteto de artistas sedeado em Brooklyn vem a Lisboa para nos mostrar o seu mundo de disfarces folclóricos e sangue falso. A ideia é trazeres o teu cabelo (verdadeiro ou falso) e divertires-te com ele. Fomos ao Chiado falar com o Nick Schiarizzi, DJ residente dos CHERYL — podes vê-lo quase a cuspir cabelos nesta promo —, para saber o que nos espera esta sexta-feira.

VICE: Ouvi dizer que vocês organizam as melhores festas. Isto é verdade ou mito?
Nick:
Acho que sim, são as melhores festas do mundo. Há muita gente que concorda, diria eu. São das maiores festas em Nova Iorque e já as andamos a fazer há cinco anos. Estamos pela sexta vez na Europa e esta é a nossa quarta vez em Lisboa. Não passávamos por cá há um ano e meio. Mas acho que são as melhores festas, porque o conceito por detrás delas é não haver nenhuma atitude pré-definida, as pessoas podem aparecer vestidas de pássaros ou podem ficar nuas. Podem fazer o que lhes passar pela cabeça e ninguém dá importância. A música é divertida e tem alta energia. Escolhemos sempre DJs que são bons, mas que não são snobes em relação ao que fazem, que não hesitam em tocar qualquer música. Não querem saber, é altamente. O objectivo das festas é tentar que o pessoal curta ao máximo. Por isso, sim, são as melhores festas do mundo.

Bem, já que não é a vossa primeira vez por cá, que memórias têm das outras festas?
Foram muito boas. A primeira vez que fizemos uma festa em Lisboa foi uma enorme surpresa. Nunca cá tínhamos vindo, o pessoal estava maluco. A festa estava ao rubro, com muita gente e super divertida. Percebemos logo que não havia problemas com a tradução nos países que não falavam inglês. Não sabíamos o que esperar, mas foi altamente. As festas têm sido muito boas e com pessoas que não têm problemas em mascararem-se ou em sujarem-se. Adorámos o espaço do Musicbox, porque podemos sujar tudo. As festas têm sido consistentemente muito boas.

E o pessoal português? É muito diferente do pessoal dos outros países?
Por cada país que passamos é difícil perceber como serão as coisas. Mas como já fizemos três festas em Lisboa e uma no Porto, tenho uma ideia de como é a audiência portuguesa. Ficam malucos como em qualquer outra cidade. Durante a primeira hora ficam um pouco tímidos, mas depois vão à loucura. Foi igual em Londres. O pessoal fica envergonhado durante a primeira hora, precisam de algum tempo para se embebedarem. Mas em países como Espanha é mais difícil fazer com que as pessoas parem de se preocupar em parecer sexy. Querem parecer bem. Mas as festas são para que o pessoal não se preocupe com nada e para que se divirta. Não queria generalizar, mas é o que tenho notado.



Soube da vossa campanha no Kickstarter para financiarem uma espécie de festas móveis por Nova Iorque. Como é que essa história ficou? Saíram-se bem?
Sim, safámo-nos! Conseguimos dinheiro suficiente para comprar uma carrinha. Acabámos por pintá-la como se estivesse a pingar sangue. Comprámos um sistema de som por seis ou sete mil dólares e pusemo-lo na mala da carrinha. Andávamos às voltas por Nova Iorque, abríamos a carrinha e mandávamos um som super alto. Mesmo muito alto. Fazíamos fesras, dançávamos na rua. Foi mesmo fixe. No Inverno não podíamos fazer tantas coisas porque está muito frio. Mas sempre que era possível, pegávamos na carrinha, íamos até à praia, a uma galeria ou a um parque para passar umas músicas e dançar. Algum pessoal só se ria, mas outra malta vinha ter connosco e dançava. Depois havia gente que fica assustada. Só queremos que o pessoal se divirta.

O tema da festa de hoje é cabelo. Qual é o teu penteado favorito? Que penteados esperam ver pelo pessoal?
Quando fizemos a primeira festa desta digressão na semana passada em Brooklyn, ficámos mesmo entusiasmados com as máscaras do pessoal. Geralmente, as máscaras são com roupa, mas desta vez é com cabelo. Algumas vieram vestidas com roupas feitas de cabelo, outras construíram umas esculturas esquisitas no cabelo para que ficasse meio maluco. Outras só usaram umas perucas. Para a festa em Lisboa estamos à espera de algo desse género. Estou curioso para ver como é que o pessoal se vai adaptar ao tema. Em Nova Iorque há uma comunidade caribenha que tem imensas lojas de cabelo falso. O pessoal compra o cabelo falso e é fácil fazer um penteado maluco. Com os recursos que há em Lisboa, estou curioso para ver como é que as pessoas vão aparecer vestidas. Se calhar vão aparecer com perucas ou algo assim, não tenho expectativas. Mas trouxemos muito cabelo connosco nas nossas malas.

Vi uma imagem no vosso Twitter com uma mala cheia de cabelos postiços. Vão usar aquilo tudo?
Eu não, só algumas peças. Passar música com headphones e perucas é complicado. Na semana passada tentei e não foi fácil. Acho que vou usar uma peruca das pequenas.



Vão passar alguma música da Cheryl Cole? Quando googlei o vosso nome só meu apareceu o dela.
É engraçado porque na primeira vez que fomos a Londres, fizeram um artigo sobre nós na Time Out e diziam algo do género “não, não é a Cheryl Cole” e nós não fazíamos ideia de quem era. Nos Estados Unidos, ninguém sabe quem ela é. Mas parece que é conhecida por cá. Houve alguma confusão no início. Por agora, acho que o pessoal já percebeu que somos totalmente o oposto dela. Mas é muito engraçado, sempre que voltamos ao Reino Unido, lembramo-nos de que há uma senhora com o mesmo nome. Ainda por cima, parece que ela mudou o nome e agora é mesmo só Cheryl e tudo ficou ainda mais confuso. Se passar uma música dela em Londres deve ser engraçado. Vou pensar sobre isso. Ela é conhecida por aqui?

Mais ou menos. É mais conhecida ela do que a música.
Pois, porque é gira. Lembro-me agora de uma das últimas grandes festas que fizemos em Brooklyn, em que tocámos depois dos Phoenix. Eles fizeram um concerto secreto e os bilhetes apareceram para venda no Ticketmaster. Mas, por engano, disseram que era uma festa da tour da Cheryl Cole. As pessoas começaram a comprar os bilhetes e quando vimos já tinha um milhão de likes. E nós dissemos: “Não, não, não, isto não é nada bom!”

Têm alguma surpresa preparada para logo?
Temos algumas. Fazemos sempre um pequeno espectáculo para melhorar as cenas que estamos a fazer. Geralmente, sou eu a passar música e algumas pessoas que sobem ao palco — dançam um bocadinho e depois descem para a pista e enrolam as pessoas em fita e atiram-lhes coisas. Mas não é violento. Trazemos montes de sangue falso e cobrimos as pessoas com a tinta. Temos vídeos também. Fazemos quase sempre um vídeo de cada festa. Chegámos a mostrá-los todos no MoMA, em Nova Iorque, quando o museu nos convidou para tomarmos conta do primeiro e do segundo pisos. Organizámos uma festa enorme para mil pessoas. Projectámos os vídeos e foi mesmo fantástico. É fixe porque podes ver cada um separadamente. Projectamos estes vídeos nas festas todas. Por isso, mais logo, vão passar em loop todos os que já fizemos. Vai ser giro.

Podes dizer-nos numa pequena frase por que é que não devemos, por nada, perder a vossa festa?
Os Cheryl não vêm muitas vezes a Portugal e, por isso, esta é uma festa muito especial. O pessoal que aparece torna-se viciado porque é tudo tão fixe, tão maluco e tão diferente… Acho que se a perderem vai ser uma pena, porque não a vão poder apanhar muitas vezes.


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