TEXTO POR ALEX MILLER, FOTOS POR WILL FAIRMAN
Não sei se algum de vocês está planejando ir para a Flórida nas férias, mas aconselho com veemência não ir a nenhum dos locais mencionados nesta matéria, a não ser que você tenha algum interesse específico. Tudo vai se esclarecer logo.
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Recentemente, passei uma semana em Sunshine State, dentro de um carrão americano ao lado de um ex-fuzileiro naval chamado Art Hammer, enquanto ele me levava para hotéis de sexo, restaurantes ruins e cidadezinhas litorâneas que certamente se beneficiariam com um aumento de três metros no nível do mar.
Art administra três grupos que têm nomes incríveis: The Dark Cavern Real Players Club, Hot Chocolate Parties Club e, o melhor de todos, The Florida Mandingo Society. Para aqueles que não estiverem familiarizados com o termo “mandingo”, ele se popularizou nas plantações americanas quando os negros eram escravizados para colher o algodão dos brancos ricos. Se você estivesse entre os escravos maiores e mais durões, supostamente seria chamado de mandingo e teria um caso secreto com a esposa-troféu do dono da plantação.
Os mandingos de Art pertencem a um grupo de homens negros que está fazendo sucesso no mais novo fetiche do Sul dos EUA, o swing inter-racial. Então, se você for branco, estiver na Flórida e está louco para ver sua mulher participar de um gangbang com até 12 negros de uma vez, precisa ter Art na sua agenda telefônica, Facebook, Skype e G-chat, porque esse é o serviço que ele presta.
Depois de nos apresentarmos pela Internet, Art concordou em deixar que eu e uma equipe de câmera da VBS passássemos uma semana com ele, aprendendo sobre a cena, conhecendo o grupo, entrevistando os casais, indo a hotéis de swing e participando das festas “Hot Chocolate” que ele organiza em suítes de hotel e casas de orgia privadas em toda Flórida.
Encontramos Art na casa de um amigo dele num bairro residencial de Fort Lauderdale, que é uma das cidades mais idiotas em que já estive. Nenhum pedaço desse lugar sem carisma merece um nome tão macho como “Fort”—é tão sem graça e desagradável quanto um shopping center no dia mais quente do inferno. É conhecida como a Meca dos universitários, mas conforme nos aproximamos do lugar, no final das intermináveis curvas das ruas do bairro, parecia a terra dos mortos-vivos.
Quando se está num lugar tão chato, você subitamente entende por que os garotos nos EUA saem por aí destruindo caixas de correio e atirando em todo mundo no refeitório da escola. Talvez seja pela mesma razão que o swing se infiltrou com tanto sucesso aqui como uma contracultura próspera do baby boom com um interminável espirógrafo de subgêneros.
O amigo de Art não nos deixou filmá-lo porque é um policial tímido que faz swing, mas nos deixou conversar com Art em sua sala de estar. A decoração saiu diretamente de um catálogo (inclusive as frutas falsas), e havia uma TV gigante embutida na parede.
Art formou o grupo depois que conheceu seu mentor, um lendário promoter de festas de gangbang inter-racial chamado Doo-Rag Bob. Com ele aprendeu os segredos de como gerir uma franquia de gangbang inter-racial de sucesso.
Parece estar dando certo. Nos últimos dois anos, os mandingos de Art tomaram conta da cena de swing da Flórida. Eles não são michês, mas, se você comprar um ingresso para uma festa do Dark Cavern Real Players Club, é quase certo que vai poder co-nhecer esses homens bem intimamente durante a noite (mulheres apenas, mas homens podem assistir).
Então, no decorrer da semana, acompanhamos Art todos os dias enquanto ele nos contava sobre seu estilo de vida e planejava um gangbang inter-racial de 48 horas em uma residência privada em Fort Meyers, Flórida.
Durante aquela semana, viajamos por todo Sunshine State para encontrar mandingos, gente que faz swing, terapeutas sexuais e um dono de bar de striptease que apontou uma arma para nós em um estacionamento. Descobrimos a exótica culinária local em um lugar chamado Cheeseburger In Paradise, cujo menu declara heroicamente: “Finalmente! O gosto das famosas Buffalo Chicken Wings na forma de um cheeseburger”. Lambemos o prato
Uma das locações mais notáveis que visitamos foi Hollywood Beach, Miami. Trata-se de um hotel de swing chamado The Rooftop, que nos ofereceu uma tarifa reduzida para que fôssemos o mais legal possível em relação a ele: era como se alguém tivesse construído um asilo para pervertidos dentro do cu de um estuprador.
Havia camas de PVC, balanços para sexo, enormes espelhos e TVs mostrando pornografia a noite toda feita no início dos anos 90. Nosso quarto cheirava a poppers, e as portas não trancavam. Havia homens gordos de 45 anos nus zanzando pelas sacadas às 3 da manhã.
Não conseguimos dormir lá sem nos embriagar, então fomos até o bar mais próximo. Um garoto mexicano deixou que Andy Capper ganhasse dele na sinuca e então perguntou se ele gostaria de dar uma volta na praia. Um veterano do Vietnã se interessou por mim no bar e quis me levar para ver a arma dele. Rapidamente ficou claro que estávamos sendo cobiçados sexualmente e/ou preparados para um roubo armado, então voltamos para os nossos quartos com os homens solteiros, gordos e nus de tanga parados do lado de fora da nossa janela.
No dia seguinte, dirigimos por cinco horas por uma chuva bíblica enquanto “MC Hammer”, de Rick Ross, tocava no rádio umas 28 vezes. O gangbang inter-racial de 48 horas estava esperando por nós e mal podíamos esperar. Talvez eles tivessem mais alguns cheesebuguers esquisitos ou coisas do gênero.
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