Peaches

The Creators Project: Estamos fazendo essa entrevista aqui no seu estúdio, que é lotado de equipamentos e outras coisas. Alguns parecem bem velhos.
Peaches:
Sim, com certeza. Essa foi minha primeira guitarra de muito tempo atrás. Comecei com esse equipamento. Eu era uma roqueira, tinha uma banda, mas meus amigos se mudaram e eu queria continuar tocando. Não sabia o que usar. Isso faz 12 anos e nem todo mundo tinha um computador em casa. E um programa como o GarageBand definitivamente não vinha com o computador. O Pro Tools era caro, então peguei esse equipamento que tinha um mixer e oito faixas, e decidi fazer um disco usando só teclado, que eu podia mudar para bateria, guitarra e baixo.

De que maneira adotar a tecnologia dessa forma mudou o seu estilo musical?
Foi ótimo, porque eu estava interessada em fazer tudo de um jeito bem simples, a retidão pode ser bem dinâmica. Eu não curtia o tipo de dance music que estava rolando na época, mas gostava de vários sons. Gostava mais dos estilos experimentais, tipo Autechre e Pan Sonic. Eu também queria elaborar minha personalidade performática e tinha algo para provar, como mullher que estava fazendo aquele tipo de coisa. É que todos os caras estavam estraçalhando e eu queria mostrar que você não precisa ser um gênio da técnica para fazer isso. E que você também pode incorporar um elemento de rock ´n´ roll na música eletrônica.

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Como o desenrolar disso mudou sua performance ao vivo?
Eu arrisquei e decidi não ter músicos no palco, e por um tempo eu só usava faixas pré-gravadas. Na época foi revolucionário e também polêmico, porque as pessoas se perguntavam se eu estava fazendo arte performática ou música. Eu fiquei meio irritada porque, sim, claro, eu era uma artista, mas também era uma cantora. Eu tocava guitarra no palco e as pessoas pensavam que eu estava fingindo, dublando e coisas do tipo.

O que aconteceu depois?
Depois disso fiz um disco que tinha um dueto com o Iggy Pop, e eu queria apresentar aquilo toda noite, mas não tinha o equipamento apropriado e o Iggy Pop, obviamente, não podia aparecer toda noite. Então, o que fizemos foi pegar um projetor de vídeo e uma tela que entrava e saia do palco, e ele cantava comigo toda noite. O que eu queria mesmo era um holograma dele e espero que daqui uns anos eu possa criar um holograma de cada pessoa que cante comigo.

Fechou-se um círculo, hoje, no que se refere a tecnologia e sua relação com a música? As pessoas estão mais tolerantes?
Vou dar um exemplo: O primeiro equipamento que usei para fazer música foi desenvolvido pela Roland, acho. Era que nem um teremim e eu tocava com a língua, com a cabeça, com o cotovelo, o que fosse… era divertido. Agora, toco o mesmo tipo de equipamento com lasers. Ainda sou música, e quero estar num contexto musical quando estiver fazendo isso, mas quando você usa tecnologia tem que cuidar para não acabar parecendo uma trupe de mímica. Agora que uso toda essa tecnologia, as pessoas não dizem que eu não estou cantando ou tocando guitarra. Nem questionam o fato de eu estar tocando laser ou um controlador. É tudo normal.

Para mais Peaches acesse The Creators Project.

 

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