Skins Negros

A moda para desenhos de tatuagens também são passageiras. Dez anos atrás, todas as lésbicas tatuavam símbolos celtas nos braços. Hoje em dia, estão cobrindo os motivos celtas com desenhos tradicionais estilo marinheiro. Antes, todos os punks tinham tatuagens dos Exploited feitas em casa. Agora, só descansam quando tiverem tatuado um olho da providência dentro de uma árvore segurando um punhal esfaqueando um escorpião que lê a Bíblia de trás pra frente por cima de uma moeda de um centavo inglesa. Cara, tanto faz. Duma coisa você pode ter certeza: os clássicos de verdade nunca morrem. Saquem só as tatuagens maneiras que estes manos têm.

VICE: Olá. Como você se chama?
Pete: Swastika Pete.

O que inspirou sua tatuagem?
No início desse ano fiz uma aposta com um skinhead Nazi de Orange County. Ele disse que se eu tatuasse uma suástica, vinha passar um fim de semana comigo e com a minha família. Ambos cumprimos a aposta e, graças a isso, abrimos nossas cabeças para os diferentes lados.

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Você compartilha dos ideais dele?
Sou um pouco menos expansivo e mais reservado com o meu racismo. Estou irritado com alguns elementos da Somália, da Índia e da Nigéria. Eles chamaram minha mãe de puta preta no ônibus.

O que aconteceu?
Tô tipo: “Vocês são da África, qualé essa de chamar minha mãe de puta preta? Há uns anos vocês apareciam na TV implorando por comida e nós enviamos. Roupa, comida e merdas assim. Agora estão aqui sendo cafetões e pagando de malvadões?”

Quem mais você odeia?
Não sou racista com todas as pessoas, mas sou racista com alguns bengalis. Você vai me entender. Primeiro, a minha namorada quase foi estuprada por um deles em Brick Lane. Segundo por causa dos adesivos que ando vendo por aí. Um deles tem o Bin Laden e o George Bush, e diz: “Ou você está com a Jihad e é muçulmano, ou você não é muçulmano”. Eu não sou grande fã nem dos Estados Unidos nem do Bush, mas o 11 de Setembro não foi um ataque apenas contra os EUA. Foi um ataque contra a humanidade.

Em Londres já não existe mais tanta separação entre brancos e negros, mas existe uma separação contra os muçulmanos graças a esses adesivos. Outro dia, numa locadora, eles me disseram: “Isso é território bengali, vaza daqui, seu branco de merda”. Essa eu ainda tô tentando entender.

O Swastika Pete é o cara na foto da esquerda. O da direita não quis falar com a gente sobre a tatuagem, mas o Peter Bienge, que foi quem o tatuou, disse que ele a fez para “irritar os vizinhos reclamavam do seu som muito alto”.

TEXTO POR TOUSSAINT OKELES VICE UK
FOTOGRAFIAS POR ANDY CAPPER E POR PETER BIENGE
TRADUÇÃO POR EQUIPE VICE BR

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