The Creators Project: Em que projetos vocês estão trabalhando atualmente?
François Wunschel: Em algumas plug-ins de distorção e experiências sonoras.
Pier Schneider: Dançando!
O trabalho de vocês é superinteressante e multifacetado, mas classificá-lo como “arquitetura” parece limitá-lo. Como vocês definem o que o 1024 architecture faz?
PS: Digo que sou um arquiteto de vídeo ou um artista urbano. Usamos construções como estrutura e a arquitetura como suporte.
FW: Eu prefiro um caldeirão de mídia. Faço um ensopado de espaço, cozinho vídeos, acrescento algumas especiarias e sirvo tudo fresco com música eletrônica.
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Vocês têm um processo criativo específico ou o processo muda a cada projeto que vocês fazem?
PS: Depende de cada projeto, cada um tem uma proposta diferente, montagem, conteúdo visual, programação, forma de interagir, processos de concepção e ferramentas de criação. Tudo depende do seu contexto de intervenção.
FW: Tudo que sei é que eu gasto tempo de mais na frente do meu computador.
Quais os programas e tecnologias mais importantes para o trabalho de vocês?
FW: A tecnologia de código aberto, porque ela é gratuita e sempre tem alguém para ajudar se você tiver problemas.
PS: Um telefone e uma agenda são as melhores coisas para ficar centrado na realidade do agora.
Vocês são de uma geração que testemunhou a chegada e a evolução dos computadores pessoais e de outros produtos eletrônicos. Vocês se lembram dos seus primeiros aparelhos eletrônicos?
FW: Meu primeiro jogo eletrônico chamava Conte (conto de fadas). Era baseado em textos, e o jogador podia criar seu próprio conto de fadas de acordo com um questionário de múltipla escolha. Não era muito extravagante. Também me lembro de quando comecei a jogar o primeiro Mario Bros., e eu jogo até hoje.
PS: Foi provavelmente o Game & Watch da Nintendo, a versão de duas telas de Donkey Kong. Foi um presente de aniversário do meu padrinho. Lembro que os meu polegares ficavam doloridos no final do dia.
Existe alguma tecnologia que vocês gostariam que fosse desenvolvida num futuro próximo?
FW: Identificação de pensamentos e uma tecnologia tipo Babel Fish que realmente funcione.
PS: Teletransporte, talvez.
Qual foi a última coisa que vocês leram ou assistiram que tenha realmente inspirado vocês?
FW: O Octocat de David O’Reilly, que é uma mistura de gato e polvo. Você simplesmente não pode descrevê-lo com palavras. É impressionante e supercontemporâneo.
PS: Acho que Press de Pierre Rigal. Ele é um ótimo dançarino. O espetáculo é sobre uma luta constante entre o homem, a máquina, a submissão e a compressão. É excelente!
Qual invenção ou inovação vocês acham que facilitaria as suas vidas?
FW: Eu ainda acho que a inovação e a invenção são processos que acontecem de baixo pra cima. Então, espero que algum jovem bem doido tenha uma ideia fantástica que torne a minha vida mais fácil. Eu não sei o que será, mas estou aberto para várias coisas.
PS: Meu trabalho é basicamente usar e raptar tudo que é tipo de ferramenta, tecnologia ou coisas que me permitam compor, então vou descobrir novas maneiras de usar as coisas que outras pessoas inventarem, o que quer que elas sejam.
Estamos em 2010. Era assim que vocês imaginavam o futuro quando vocês tinham 15 anos? O que está faltando?
FW: Eu realmente achava que o mundo teria entrado em colapso, como em Akira, mas não entrou. Ainda.
PS: De jeito nenhum. Eu imaginava que eu ia poder me locomover em carros voadores, estacionar nos telhados e usar a garagem como um laboratório. Desculpa se isso te decepciona, mas hoje eu já tenho tudo o que preciso. Prefiro raptar as coisas aqui – os materiais e as tecnologias.
Para mais 1024architecture acesse The Creators Project.
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