A escola que abriu num feriado



Passadas já quase quatro décadas, que temos nós afinal para mostrar aos camaradas da velha guarda? Aqueles identificados pelo cravo no bolso e não pela mascara do Guy Fawkes, ou seja, quem viveu e vive o espírito de liberdade, quem fez do caminho dos Aliados-Es.Col.A. uma passerelle pop-punk. Estavam de corpo presente e pregavam os ideais anti-capitalistas, enquanto passeavam os seus iPhones e Dr. Martens patrocinados pelo capital do papá.

Por outro lado, aos camaradas de Abril nem foi preciso dizer nada, uma vez que eles faziam questão que soubesses sobre o que era a manif, o que acabou por distinguir quem foi lá para dizer que foi e que aconteceu, de quem foi porque achou por bem ir. Quem foi lá para fazer circo deu-se, no melhor sentido da expressão, mal: a força policial não estava lá para domar leões, cavalos, elefantes e (principalmente) camelos, mas, no entanto, não faltaram palhaços.

E sendo o espaço delimitado pela polícia, escoltado pela polícia e supervisionado pela polícia, será que ainda há espírito revolucionário ou é só fachada? Separemos o trigo do joio: como os haters que não somos, só temos bem a dizer da Fontinha, um projecto que deveria receber fundos da câmara em vez de obstáculos. Não sei o que mais incomoda o Rui Rio: o facto de eles não estarem a fazer uma pista de carrinhos ou o simples facto de se fazer algo sem pedir dinheiro em troca, mas pelos vistos o Rui prefere ressacas a gangrenar dos braços num edifício abandonado a ter um projecto social educativo dirigido às crianças da Fontinha — não percebo porquê já que nenhum dos dois vota nas próximas eleições.
 

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