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Danny Perez

The Creators Project: Você trabalha com artistas como Black Dice, Panda Bear e Animal Collective. Como começou essa parceria entre vocês?
Danny Perez:
Eu fui roadie do Black Dice e convivi com eles na estrada por muitos anos. Minha primeira turnê com eles foi com o Animal Collective e foi assim que conheci os caras. Foram anos de amizade, ouvindo o mesmo som, vendo os mesmos filmes e assistindo TV até tarde da noite em quartos de hotel. Acabamos descobrindo que gostávamos das mesmas coisas.

As pessoas têm reações estranhas quando assistem aos seus filmes. Esse é seu objetivo ou é um problema delas?
As pessoas me perguntam: “Isso é intencional?” ou “Você quer que a audiência tenha uma experiência negativa?”. Eu diria que, principalmente hoje em dia, uma reação negativa é tão válida quanto uma reação positiva. Prefiro fazer as pessoas sentirem repulsa do que fazer algo que elas simplesmente gostem ou considerem razoável. Pelo menos essa experiência vai entrar na cabeça delas e ficar por lá algum tempo.

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Muito do seu trabalho lembra filmes de terror que passam de madrugada na TV. Você tinha esse gênero em mente quando fez o ODDSAC?
Tanto eu quanto o Animal Collective somos fãs de cinema e queríamos fazer algo que prendesse a atenção – algo que assistíssemos do começo ao fim num quarto de hotel vagabundo –, cheio de efeitos especiais toscos. Quando você é mais novo e assiste a um filme de terror, pode ser bem traumatizante e muito pesado. Mas quando você assiste de novo, o filme simplesmente não tem o mesmo efeito. Isso que é meio único em cinema, o fato dele ser bastante subjetivo. Depende muito da sua experiência e do seu humor na hora que você assiste ao filme. Acho que, nesse contexto, o filme vai ser visto várias vezes – as pessoas vão gostar de reassistir. Eu mesmo ainda vejo coisas nele que são totalmente novas pra mim, e olha que eu o editei durante quatro anos.

O que você acha dos elementos de horror nos trabalhos de artistas como a Lady Gaga?
É muito estranho. Se realmente existisse algum elemento na performance dela que fosse considerado pesado, dadaísta ou avant-garde, eu acharia normal o fato desses elementos terem infiltrado a máquina pop. Mesmo a música sendo tão ruim quanto é, mas ela não tem peso nenhum. Ela encontrou um nicho. A próxima coisa vai ser uma estrela pop com um braço só cantando “Eu sou aleijada!” de biquíni. Ainda é obsceno. Uma obscenidade cultural.

Como o YouTube tem mudado os parâmetros do vídeo?
Acho que coisas como o formato e o tempo do filme com certeza estão mudando. A capacidade de atenção das pessoas está menor a cada dia. O ODDSAC é definitivamente algo para pessoas com pouca capacidade de concentração. Ele meio que imita essa experiência do YouTube. E isso foi algo que discutimos muito quando estávamos tentando estabelecer o humor e o fluxo do filme. Tinha aquela ideia de você assistir uma cena e, literalmente, duas cenas depois você estar assistindo algo completamente diferente. Nesse aspecto talvez o filme seja anacrônico, talvez em 20 anos ele pareça inofensivo. Tem muito disso – a publicidade e a tecnologia utilizando a arte pop e de vanguarda em protetores de telas e outras coisas do tipo. Hoje, tudo que é imagem de protetor de tela de banco foi basicamente arte de vanguarda nos anos 60, que na época não pagava nem as contas do artista. Agora as pessoas que controlam o mundo estão almoçando na frente delas.

Para mais Danny Perez acesse The Creators Project.

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