Discos: naph


Autumn of the Saroos
Ambiencephono
8/10


Um disco duplo carregado de motivos astrológicos e com um título que faz referência ao Outono, acaba por ser a vítima perfeita para uma série de teorias e conspirações. Quando as suas duas metades parecem polos opostos, então é quase inevitável que uma seja comparada ao sol e a outra à lua, uma ao dia e a outra à noite, e daí em diante. E entres os muitos géneros existentes, há um que se destaca por ser especialmente sensível às mudanças e fenómenos da natureza: a música electro-acústica.

O novo disco de naph, Autumn of the Saroos, responde ao perfil do primeiro parágrafo por ser precisamente um disco duplo de música electro-acústica, com um tema astrológico e uma bipolaridade divida entre um CD 1 feito de composições mais tradicionais e um CD2 imerso no código muito mais indecifrável da musique concrête. As duas partes complementam-se e o disco adopta a estratégia do logro para nos agradar em primeiro lugar, com alguma folk feita de guitarra e field recordings meigos, para depois enfiar-nos o barrete escuro da musique concrète, em que só escutamos o ruído e o eco que sobra de uma manipulação extrema dos instrumentos e sons captados nas montanhas de Shirakami.

Mas a considerável experiência de naph (Toru Ohara), como produtor e multi-instrumentista, faz dele o gajo certo para garantir que estas duas trips sejam equivalentes na maneira como agarram a nossa atenção. E agarram de facto, porque tanto “Far Sounds” (CD1) serve como excelente demonstração de um guitarrista espairecido e espirituoso (quase um Norberto Lobo japonês), como também “Autumn of the Saroos” (CD2) apresenta a face mais enigmática de naph. Mesmo que o Paulo Cecílio não queira saber destes meus protegidos japoneses, pode muito bem estar aqui um dos mais valiosos segredos deste ano.

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