Martine Rose

A estilista de moda masculina Martine Rose começou desenhando camisetas com sua amiga Tamara sob o nome LMNOP, mas parece que qualquer prova disso foi completamente apagada da face da Terra — ou pelo menos da internet — então você vai ter que confiar na minha palavra. A LMNOP estava indo bem, inclusive internacionalmente, mas Martine decidiu pular fora e seguir sozinha com sua própria marca. No começo ela focou principalmente em camisas e depois gradualmente passou a ramificar para outras peças, mas suas camisas estampadas incríveis continuam sendo o ponto focal de cada coleção. Bom, pra mim pelo menos. Conseguir misturar roupas esportivas e alfaiataria sem parecer uma tática corporativa mal assessorada que apela para homens na crise de meia-idade é uma perspectiva complicada, mas Martine tem atingido esse resultado em cada uma das suas coleções até agora, o que me pareceu um bom motivo para papear com a moça.

VICE: Oi, Martine. Bom, quando você saiu da LMNOP e começou sua própria marca, você fazia camisas de botão e só. Por quê?
Martine Rose:
Porque todo mundo ama camisas. Elas são uma das peças principais que atravessa todos os níveis da moda masculina, e eu acho que é um bom lugar para começar quando se desenha roupas masculinas. Já existe uma estrutura e um formato para essas camisas, então acho muito divertido jogar com isso. Espero que meu gosto e aplicação tenham ficado mais sofisticados com o tempo. Não de uma maneira pretensiosa, mais no sentido de que estou entendendo melhor o meu mercado — do que as pessoas gostam no meu trabalho. Refinando meu estilo, acho.

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Sua experiência anterior na LMNOP ajudou na sua carreira solo e na mudança das camisetas para as camisas de alfaiataria?
Acho que sim. A LMNOP me ensinou muitas coisas, mas uma das mais importantes foi focar em uma coisa primeiro, aperfeiçoar isso, e então partir gradualmente para outras peças. Nós — a Tamara Rothstein e eu — não tínhamos ideia do que estávamos fazendo, quem iria gostar do nosso trabalho, como deveríamos produzir as peças, de basicamente nada antes de começarmos, exceto que queríamos fazer alguma coisa. Tínhamos 23 anos, inquietas e ambiciosas, não tínhamos financiamento nem dinheiro, então não tivemos outra opção senão começar pequeno, mas com certeza isso teve um impacto em como comecei minhas próprias coisas.

Como foi entrar para a indústria como uma estilista jovem com tão pouco experiência?
Bom, talvez tenha sido por causa da percepção das outras pessoas, mas antes de começar eu sempre achei que a indústria ia pegar pesado comigo, mas não foi nada disso. Descobri que os outros estilistas realmente apoiam uns aos outros.

Você acha que isso é uma coisa mais de Londres que global?
Sim, acho que Londres é o único lugar onde você pode ser um estilista jovem e começar sua marca do zero. Acho que não funciona assim em Milão, Nova York ou Paris. Nova York e Milão são mais voltadas para a parte dos negócios da indústria, e Paris é obviamente dominada pelas grandes casas, já Londres é muito mais discreta e de base, o que faz a comunidade de estilistas aqui ser diferente das da Europa e dos Estados Unidos.

Vamos falar sobre a sua marca. É basicamente uma mistura 50% sportwear e 50% alfaiataria, escolher essa vibe te limitou de alguma maneira?
Nem um pouco. As duas disciplinas são tão diferentes que a fusão delas é uma coisa que realmente me inspira, e na verdade eu também não sinto que preciso seguir um formato restrito. Eu ficaria entediada se tivesse. Mas sim, acho que é minha estética natural — eu sempre acabo voltando pra ela organicamente, então não há como ela ser restritiva.

Legal. Eu vi uma entrevista onde você dizia que o Kurt Cobain de vestido e o skatista Jay Adams foram as inspirações para sua coleção Primavera Verão 2012. Como exatamente?
Bom, há uma sensualidade, uma agressividade e uma confiança arrogante, totalmente assentadas em fragilidade e tragédia nos dois. Eu me inspirei pela atitude “Sou bonito mas não dou a mínima, foda-se”. Não é isso que todo mundo quer quando se arruma de manhã?

Haha, acho que sim, né. Então você prefere esse lado mais tosco da moda do que toda aquela coisa italiana super glamorosa?
Bom, acho que tem a ver com o lugar de onde eu vim, sabe? Eu não sou uma estilista italiana, sou uma estilista londrina. Então não é que prefiro esse lado da moda, necessariamente, é que eu sou assim, então isso faz muito mais sentido pra mim.


Martine e sua jaqueta feita em colaboração com a Timberland.

Um bom motivo. Você acha que se inspira mais na cultura geral do que em seguir o que está acontecendo na moda internacional?
Sim, definitivamente. Sabe, essas tendências estão sempre borbulhando aqui e ali no caldeirão do que é realmente relevante na sua época. O problema é que muitos estilistas vão se servir nesse mesmo caldeirão ao mesmo tempo, e podem ter gostos similares. Então acho que as coisas acabam ficando todas iguais se cada roupa tirar inspiração do que é atual naquele momento em particular.

Você prefere procurar inspiração no passado em vez de ficar obcecada pelo que é atual?
Totalmente, sim. Há milhões de estilistas que acho inspiradores, mas em termos de influência direta no meu trabalho, meu passado tem um papel muito maior. Gosto de música, então isso sempre foi uma grande fonte de inspiração. Meu pai é jamaicano e ter crescido numa família jamaicana foi uma influência maciça em quem eu sou, e subsequentemente no meu design, eu acho.

Como exatamente?
Acho que é mais a atitude em relação a tudo ao invés de ter um impacto direto numa parte específica do meu trabalho, sabe? Música teve um grande efeito sobre mim em termos do que eu acho bonito e interessante, então isso definitivamente teve sua influência em como eu abordo o que faço e em como nasce a peça final.

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