Enquanto você vestir aquela calça cargo e guardar uma blusa com lantejoulas na mochila (pode rolar uma balada depois da manifestação), enquanto você desenhar a letra A no braço e fizer um círculo em volta ou tatuar MEAT IS MURDER na sua barriguinha vegana, os fantasmas da moda progressista estarão te incentivando.
Toda geração de agitadores acredita ter inventado um estilo único e próprio, mas os ativistas que vieram antes, em cujos ombros incendiários orgulhosamente nos apoiamos, também tinham uma forma especial de se expressar. Sem precisar dizer uma palavra, eram membros de um movimento maior.
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O assunto é vasto demais para ser analisado a fundo em um pequeno artigo, mas enquanto manifestantes ao redor do mundo preparam seus trajes para levar adiante as tumultuosas mensagens de 2011 – do Occupy Wall Street, das ruas do Oriente Médio e de ações coletivas nas praças Vermelha, de Leicester e da Pérola –, pode ser um exercício divertido parar um momento para examinar como se vestiam nossos ilustres ancestrais ativistas nos últimos cento e poucos anos.
Aqui vai um breve olhar profundamente pessoal, decididamente nada abrangente e altamente resumido sobre um século de grandes momentos da história da indumentária revolucionária.

GERAÇÃO BEAT
Adicione sabor à sua festa em Tuxedo Park… alugue um beatnik totalmente equipado: barba, sombra de olho, jaqueta militar velha, Levis, camisa surrada, tênis ou sandália (opcional). Tarifas reduzidas para beatnik com barba feita, banho tomado, sapato e cabelo cortado. Também disponíveis moças beatniks com traje preto habitual.” Acredite ou não, em 1959 o fotógrafo nova-iorquino Fred McDarrah de fato anunciou esse serviço de “Aluguel de Beatnik”, um negócio em grande parte irônico (supõe-se) que despacharia um cidadão libertino da boemia para uma solenidade de classe média pseudointelectual por uma taxa de US$ 40. E o que deveria vestir esse emissário? Se fosse um declamador de poesia animado que estala os dedos, talvez uma gola rulê e uma boina; se uma existencialista fosse enviada, ela talvez ostentasse um collant com saia-lápis ou calça capri, joias de prata assimétricas e sapatilhas (dê uma olhada na Audrey Hepburn em Cinderela em Paris, de 1957, se quiser comprovar o glamour de uma meia-calça preta e sapatilha).


Hoje as pessoas podem ceder ao prazer culpado de assistir RuPaul’s Drag Race, e o filho da Cher, nascido menina, pode ser adorado pelo público do Dancing with the Stars, mas não faz muito tempo que o simples ato de um homem se vestir de mulher ou de uma mulher usar roupas masculinas era considerado crime em Nova York. A insanidade dessas leis era exemplificada pela legislação local, que exigia que os cidadãos usassem pelo menos três itens que estivessem de acordo com seu “verdadeiro sexo” ou poderiam ser presos. Travestismo era considerado desobediência civil.
LIBERAÇÃO DAS MULHERES 
Em 1976, Vivienne Westwood e seu parceiro, o falecido Malcolm McLaren, abriram uma loja na King’s Road em Londres, chamada Seditionaries. O nome personificava a rebeldia niilista de seus jovens fregueses como Rotten, cuja camiseta do Pink Floyd com os olhos dos membros da banda riscados e o slogan “Hate” era uma das favoritas do McLaren.
Claro, a turma libertina da rua não tinha dinheiro para comprar na Seditionaries, mas qualquer um que quisesse expressar suas paixões obscuras tinha dinheiro para comprar um alfinete para furar a bochecha ou um pote de brilhantina para levantar um moicano ou uma faca para rasgar uma calça e deixar à vista uma tira de pele machucada.
OCCUPY WALL STREET Rever as imagens dos manifestantes do parque Zuccotti e de todos os outros protestos que foram surgindo depois ao redor do mundo é ver reunidas praticamente todas as tendências da moda progressista do último século – black powers e jaquetas militares, boinas beatniks e piercings, jeans e Doc Martens. Apesar de os vestidos brancos e longos sufragistas ainda não terem aparecido, podemos ver ocasionalmente túnicas longas e floridas acompanhadas de muitos bottoms e emblemas com palavras de ordem – o equivalente moderno àqueles broches de Holloway.Isso nos traz para 2012, e ficamos imaginando quais looks aparecerão nas convenções políticas do verão no hemisfério norte (moda inspirada em Chicago 1968?). Independentemente do que nossos jovens ativistas decidam vestir nesses encontros e o que as pessoas vão achar disso, todos devemos muito aos nossos antepassados travestis, cabeludos, sem sutiã e vestidos de branco. Eles preparam o caminho para nós não só com suas roupas, mas também com suas vidas.
Curtiu? Não?! Então veja como se vestir como um direitista aqui.