Pedalar com a MERRELL no Doclisboa


Fotografia por LOAD

Foram três dias e três filmes, alimentados por energia cinética. Numa sala acolhedora do Palácio das Galveias, assisti a três coisas que tu nunca deves ter visto. Podes ter visto muitos filmes, desde os do Godard (é fixe dar uma de intelectual) àqueles básicos que dão ao domingo à tarde (porque são os mais fixes), mas nunca os viste com energia gerada pela força de três estafetas de bicicleta, a dar-lhe mesmo rápido.

Isso mesmo, a MERRELL montou lá um sistema todo marado que, se tu meteres lá uma bicicleta e pedalares, produz energia eléctrica através de uns processos que eu conseguiria descrever melhor se tivesse prestado mais atenção às aulas de Físico-Química. Aquilo deve ter um conversor qualquer que transforma uma energia na outra, não é? Depois, convidaram a malta da Camisola Amarela, colocaram umas bicicletas todas pimp e pronto, foi assim que se fez magia (ou ciência, depende da vossa formação).

Ao princípio, parecia que o espectáculo visual e sonoro de três homens a pedalar numa sala sem saírem do sítio ia distrair-me da cena principal: os filmes. Mas não, o som da bicicleta a rolar é muito parecido com o barulho de um projector antigo a funcionar e, ao fim de alguns minutos, já nem reparas. Eles pedalavam, bebiam um copo e, ao mesmo tempo, viam um filmezinho. Como diria alguém que acabou de descobrir a internet: like a boss. As três sessões foram muito diferentes e parece que o mood dos copos, ainda no Palácio, era bastante influenciado pelos filmes. Heroína, porrada, assassinatos, ditaduras e outras coisas chungas são cenas que derrubam a alegria de qualquer um.



O VICE Guide To Karachi baixou a moral da audiência. O pessoal quer a vida como ela realmente é, mas depois fica todo triste porque ela é assim. A realidade é um pouco pesada, mas a malta deve animar-se ou vai acabar a cheirar mal e a viver numa casa ocupada. Ou pior, com rastas. Curioso que, depois de conhecer a realidade fodida de Karachi, no Paquistão, encontrei um amigo do Bangladesh, o Sojel. E vinha com um gajo de onde? De Karachi. Pensava que aquilo fosse pior, ele ainda só viu três pessoas a serem assassinadas.



Os outros dois documentários já foram mais divertidos. Um, o Takanuy, é sobre uma tradição do Peru em que, no dia de Natal, as pessoas juntam-se para andar à porrada. O outro, North Korean Film Madness, é sobre os alegados estúdios de cinema da Coreia do Norte. Estes filmes já fizeram rir e, no fim, toda a gente foi contente para casa (porque se embebedou depois).



No final das sessões, o público aplaudia não só os filmes, mas também os suados Camisola Amarela. Uma coisa é certa, destas pós-matinés (nós que não ficámos a ver a Casa dos Segredos) não nos vamos esquecer. Obrigado, MERRELL!

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