Receptáculo da Ira

Fotos por Dirk Alvermann, Enrique Bostelmann, Anna Candiani, Paolo Gasparini, Kitai Kazou e Paola Mattioli

Olhando em retrospecto, pode parecer que 2011 foi unilateralmente definido por protestos, revoltas, levantes e descontentamento geral pelo mundo todo. É importante notar, no entanto, que essa percepção é informada principalmente pela internet e pelas redes sociais, e que há pouco tempo era muitíssimo mais difícil organizar cinco mil estudantes e divulgar seu descontentamento para o resto do mundo. Naquela época, quem aparecesse para uma festa com coquetéis molotov tinha que possuir bolas (ou ovários) de aço, forjados na lava de um vulcão gigante que expelisse desgosto e indignação fundidos. E que na maioria das vezes que a coisa ficava feia e os marginalizados eram presos — ou pior — não havia uma rede de segurança digital entre eles e seus túmulos.

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O Martin Parr, sendo o astuto fotógrafo histórico que é, conhece as lições do passado muito bem, e no começo do ano decidiu que era uma boa hora para reimprimir cinco livros de fotografia que retratam vários movimentos de protesto dos anos 60 e 70, e que até então só estavam disponíveis para colecionadores. A coletânea resultante é

The Protest Box

(Steidl). Os cinco livros cobrem levantes na América Latina, Japão, Argélia e Itália, e deslizam facilmente de um estojo utilitário que parece ter caído da traseira de um caminhão do exército. A caixa é limitada a 1.500 cópias e vai custar em torno de US$ 500 (provando mais uma vez que o descontentamento não sai barato), então achamos que seria legal mostrar algumas fotos de cada livro — um aperitivo de dissidentes, se você preferir.

Essas fotos foram tiradas da obra prima de Paolo Gasparini

Para Verte Mejor, América Latina, uma documentação angustiante das injustiças sociais na América Latina, como indígenas sendo forçados a trabalhos braçais e empregos em fábricas. O livro foi lançado originalmente em 1972 pela editora mexicana Siglo XXI Editores.



Essas fotos são do livro 1970

América: Un Viaje a Través de la Injustiça, pelo fotógrafo mexicano Enrique Bostelmann. Como Gasparini, Bostelmann viajou pelo continente procurando por injustiça e destacando o contraste entre capitalismo e comunismo.







Essas imagens do livro

Sanrizuka Kitai Kazou capturam a raiva que se desenvolveu no Japão pós-guerra e que se espalhou por vários movimentos populares de protesto. Publicado em 1971, a obra prima de Kazou documenta os protestos contra a construção do aeroporto de Narita pelo governo.









Essas foram tiradas por Anna Candiani, que em 1974 fotografou os protestos contra a revogação na Itália da legalização do divórcio, para seu livro

Immagini del No, o décimo primeiro de uma série de livros de foto intitulados Occhio Magico (Olho Mágico).









Em 1960, o fotógrafo alemão Dirk Alvermann publicou

Algerien, de onde essas fotos foram tiradas. O livro estava à frente de seu tempo — carregando as marcas registradas da fotografia de protesto dos anos 70 e cobrindo os dois lados da insurreição na Argélia durante a luta do país pela independência.








 

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