Alguns dias atrás o papa Bento XVI chegou a Madri pra reassegurar aos milhares de jovens católicos em todo mundo que o Deus deles ainda era relevante. Mais ou menos umas 150 organizações sociais e seculares, ajudadas pelas pessoas do movimento “Indignados”, marcharam em protesto contra a desaforada opulência da visita do Ratzinger com o slogan “De mis impuestos, al Papa cero” [“Dos meus impostos, pro papa zero”, em tradução livre]. Esperanza Aguírre, presidente da Comunidad de Madrid, os chamou de “agitadores intolerantes”, o arcebispo de Toledo os classificou como “ignorantes” e um porta-voz da Conferência Episcopal Espanhola acusou os manifestantes de serem “parasitas sociais”.
A marcha em si foi realizada em uma atmosfera festiva de blasfêmia. Vendedores de cervejas lucraram alto. Tudo seguia pacificamente até a tarde, quando ambos os lados (manifestantes e peregrinos católicos) ficaram cara a cara na Plaza del Sol. Peregrinos gritaram “Sou viciado no Bendito” e os descontentes respondiam com “Pederastas!”. Não muito depois das 22h, a polícia decidiu escoltar os peregrinospara fora da praça e investir em cacetadas. Ultimamente, cacetadas policiais têm se tornado uma das características mais agradáveis da vida noturna de Madri.



