Não, não são as Donas de Casa Desesperadas. São a massa cinzenta do Doclisboa.
É já a partir de hoje que o Doclisboa 2012 começa a espalhar o Documentário por uma série de salas de Lisboa, entre as quais a Culturgest, o Cinema São Jorge e a Cinemateca Portuguesa. A variedade de propostas é enorme e abrangerá longas e curtas-metragens sobre todo o tipo de temas. Só para terem uma ideia de como o Doclisboa é diverso, basta olhar para a programação de Domingo (dia 21 de Outubro) e reparar que, entre tantos outros, serão exibidos filmes de Chantal Akerman, uma curta filmada no Bairro da Bela Vista e um documentário sobre o movimento Tropicália. Nesse mesmo dia, ainda haverá tempo para uma raríssima oportunidade de ver Elliott Smith a tocar num ecrã gigante, quando Lucky Three for exibido em conjunto com Benjamin Smoke, naquele que será um excelente serão para conhecer o cinema de Jem Cohen no São Jorge. O mesmo Jem Cohen que será, provavelmente, um dos mais valiosos documentaristas do rock norte-americano (e não só) nos últimos vinte anos. A programação de domingo é apenas um exemplo, porque o Doclisboa vai estar carregado de óptimos filmes para ver entre 18 e 28 de Outubro.
A quiche que é vendida no festival normalmente também é excelente. Para celebrar a ocasião (e, como este ano, a VICE até marca presença no Doclisboa com sessões dos nossos documentários e com a festa de encerramento do festival) e para ficarmos a saber um pouco mais sobre o que se vai passar, fiz algumas perguntas às meninas da direcção do Doclisboa. Imaginem-nas a responder em uníssono.
VICE: Em primeiro lugar, contem-me o que vai mudar no Doclisboa 2012.
Doclisboa: Esta edição tem duas características fundamentais: resulta de uma herança que assume a história de dez anos do Doclisboa, com a sua qualidade e pluralidade, e é uma edição que se desenhou também com um olhar atento ao presente. Assim, aquilo que vai mudar no Doclisboa 2012 reflecte os caminhos naturais que o próprio festival apontou, mas reflecte também o que se passa no mundo e o modo como esta direcção específica encara o lugar do festival no presente.
Querem especificar?
Abrimos três novas secções (Verdes Anos, Cinema de Urgência, Passagens), que trouxeram novas questões e caminhos para o festival. E criámos mais espaços e momentos de reflexão e debate: acreditamos que o cinema documental pode de facto ajudar a compreender o mundo e a encontrar vias de mudança, e entendemos que um festival como o Doclisboa pode e deve ser o lugar para discutir e entrever essas mesmas vias.
Sei que a Criterion Collection tem uma admiração profunda por Chantal Akerman. Foi por aí que a conheci, por acaso. Existe para vocês alguma outra colecção que seja uma referência determinante em termos de cinema documental?
De facto, a Criterion Collection é importante, como outras, como é o caso também da colecção do British Film Institute (BFI).
Atendendo a que a retrospectiva United We Stand, Divided We Fall centra-se no trabalho de colectivos radicais, quais vos parecem os dois documentários mais radicais dessa secção? Houve algum filme demasiado radical para ser incluído no Doclisboa?
O conceito de “radicalidade” não é para nós um critério de programação. Não existe nenhum filme “demasiado radical” para nós, porque olhamos cada filme como uma singularidade, e o que procuramos é entender essa proposta específica.
Fiquei agradavelmente surpreendido com a inclusão de Apocalypse: a Bill Callahan Tour Film. Suponho que não seja exibido muitas vezes. É engraçado reparar como a duração de 61 minutos do filme é muito próxima da duração do último concerto do Bill Callahan em Portugal. Existe alguém que tenha feito todos os esforços possíveis para que isto acontecesse? Há algum fã do Callahan na vossa direcção?
O Bill Callahan é admirado em geral pela equipa do Doclisboa. Programámos o filme porque entendemos que traz o universo específico deste músico, mas também porque somos conscientes dos admiradores que ele tem em Portugal.
Existe algum documentário no programa que nesta altura vos faça sentir que “foi muito difícil, mas valeu a pena”?
Todos os filmes valeram e valem a pena, neste programa. E não é porque foram mais ou menos difíceis de conseguir. Este é um programa feito com muito cuidado, empenho e atenção.
Acho que faz muito sentido o Shup up and play the hits: o fim dos LCD Soundsystem ter direito a uma exibição especial no Lux. Acreditam que pode haver quem dance durante a sua exibição? Qual era a melhor coisa que vos podia acontecer nessa noite?
É impossível não dançarem. O melhor que nos pode acontecer é ver um público entregue ao som dos LCD.
Sempre achei que o Doclisboa era altamente propício a momentos memoráveis e a debates muito animados sobre os filmes no regresso a casa. Recordo-me com especial carinho do final de The Five Obstruction, do Lars Von Trier, ou do Abel Ferrara a falar sobre a Nova Iorque suja de outros tempos. Quais foram para vocês os momentos mais marcantes de edições anteriores do Doclisboa?
A primeira retrospectiva, em 2004; a masterclass “Como entender o Médio Oriente”, da Marceline Loridan-Ivens, em 2010; a sessão do filme Agnès de ci, de là Varda, de Agnès Varda e com o Sodankyla Forever de Peter Von Bagh, em 2011. Entre muitos outros momentos.
Fotografia por João Carlos (para a UP, aquela revista que lês quando voas na TAP)
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