Bright Days Ahead
Schole
7/10
Há uma certa liberdade na escuta de uma banda-sonora composta para um filme ainda por ver. Se é verdade que a música se cola às imagens de um filme que nos é familiar (olha o Pulp Fiction), não é menos certo dizer que a escuta prévia e isolada de uma banda-sonora obriga muitas vezes a mente a conceber as suas próprias imagens. Sucedeu-se então a segunda situação quando peguei em Bright Days Ahead de forma a escutar os instrumentais compostos pelo pianista Quentin Sirjacq para a longa-metragem homónima (o título original francês é Les Beaux Jours e só soa bem dito por uma linda jovem de blusa às riscas).
Não sei o que acontece com vocês, quando começam a imaginar uma comédia dramática francesa, mas creio que logo de início concebi a cena em que a quarentona apetitosa seduz o rapaz que tem o nariz gigante e aquele aspecto de quem não se alimenta há quatro dias. Depois tem de haver também alguma nudez de extraordinária qualidade (a melhor exportação francesa a seguir ao vinho de Bordéus), umas quantas sequências aborrecidas na praia e na berma da estrada e o tal diálogo tempestivo que acorda todos os que adormeceram nos primeiro trinta minutos do filme.
Os títulos das faixas incluídas no disco indicam também que Bright Days Ahead envolve viagens, escapadelas e um aeroporto. Quem por acaso gostar da música que os Tindersticks ofereceram à filmografia de Claire Denis, vai certamente adorar o que Quentin Sirjacq tem aqui para mostrar. Todos os que, por sua vez, ficarem rendidos ao pianista parisiense, podem também arriscar ouvir Akira Kosemura ou Motohiro Nakashima, até porque está mais que provado que a editora de todos eles — a Schole — tem um excelente faro para compositores de orientação clássica e pós-Sakamoto. O filme francês que produzi na cabeça acaba por ser o menos importante, sobretudo quando as cenas de tensão sexual entre a quarentona sabida e o jovem do grande nariz são acompanhadas por óptima música.



