Marcelo Camelo

The Creators Project: Quando você começou com os Los Hermanos, suas primeiras demos eram fitas e agora você tem que passar pelo computador se você quiser gravar qualquer coisa. Como você enxerga essa mudança?
Marcelo Camelo:
O bom é que você pode fazer um monte de testes antes de gravar. Pode ver o que funciona e o que não funciona. Você pode gravar a bateria, o baixo, depois gravar a guitarra em casa, sabe? De uma forma simples. E muita gente que não tem dinheiro para ir a um estúdio profissional e gravar pode fazer algo que tenha uma boa qualidade de som, que não fique devendo tanto quanto a nossa demo devia. Acho que o caminho é facilitar mesmo, o caminho da tecnologia é virar o instrumento facilitador. Esse aspecto de facilitar realmente tem mudado a música, porque você não vai mais à loja para comprar um álbum. Eu não
compro um álbum há anos. Não faz sentido ter um álbum. Vou ao YouTube e ouço lá.

Você acha que toda essa tecnologia influencia a maneira que você escreve ou produz música?
Sim, totalmente. Tudo me influencia, principalmente a informação que eu consumo. A própria internet é o novo meio de comunicação, e isso muda completamente os parâmetros. Você começa a ver artistas que usam a internet para se expressar. Nós somos realmente privilegiados por presenciarmos a vinda de algo tão novo e poderoso como a internet, que conecta as pessoas e nos permite desenvolver algum tipo de inteligência que eu acho que é realmente nova; essa inteligência coletiva, ter uma resposta, uma reação imediata, uma conversa. As nossas ideias sobre informação têm mudado totalmente nos últimos anos. Agora a ideia de uma enciclopédia parece realmente bizarra. A Encarta da Microsoft foi extinta no ano passado. As pessoas olhavam para ela e diziam: “Cara, isso não faz sentido”. O negócio é: ter informação perdeu o sentido. Quando a internet começou, eu olhava para música e dizia: “Cara, ruim, ruim, ruim”. Eu não posso vendê-la porque tê-la não faz sentido. Você pode acessá-la em outro lugar se você não quiser me pagar. E eu acho que ninguém pode resolver esse dilema econômico para as pessoas que vendem informações. Pessoalmente, eu me sinto confortável e feliz por saber que posso ser um consumidor e tirar proveito dessa nova tecnologia porque eu consumo
informação o tempo todo e produzo informação em uma quantidade muito pequena de tempo.

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Você pode dar um exemplo de como você tira proveito de toda essa nova tecnologia e acesso?
Para mim a melhor canção do ano foi escrita por um homem que me abordou na rua e disse: “Eu tenho algo na internet, por que você não dá uma olhada?”. O nome dele é Nativo do Brasil, e a música é Mulher Maravilha. É um cara tocando violão na sala dele. Ouvi a música mil vezes. Tem mil visualizações da página dele e são todas minhas. Para mim é a coisa mais linda do mundo. A canção é
realmente muito boa e o cara é muito, muito sincero. Eu acho que o futuro será muito mais assim do que com os robôs sem graça. A ideia que tenho sobre o futuro é muito mais o Nativo do Brasil do que qualquer outra coisa.

Para mais Marcelo Camelo acesse The Creators Project.

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