Música

Para o Mat Zo, o EDM É o Dente Podre da Música Eletrônica

O Mat Zo simplesmente não a-guen-ta mais a indústria da música eletrônica, e você PRECISA saber que ele está de saco cheio porque ele quer que você saiba disso. O produtor londrino passou o último fim de semana numa verborragia nervosa no Twitter, soltando algumas verdades verdadeiras sobre esse negócio como, por exemplo, “a música eletrônica tem dentes podres que precisam ser extraídos”.

A treta do cara com o gênero se dá porque a dance music, que antes era uma cultura underground na qual esquisitões e nerds podiam ser acolhidos, passou a ser comandada por pessoas de quem esses excluídos fugiam, tudo graças ao sucesso comercial do EDM.

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A música eletrônica consistia em um bando de nerds/desajustados/excluídos, e eu tenho investido muito pra que continue assim

Os caras legais chegaram com a grana e seus produtores fantasmas, aí nós, os nerds, passamos a competir com eles

A gente vê quase toda semana DJs reclamando da estupidez do EDM, mas Zo dá um passo além e chama na chincha pessoas específicas, que por acaso são os maiores artistas do mundo.

Eu tinha ótimos modelos pra me espelhar na [música] eletrônica quando eu era mais novo, porque eles estavam sob os holofotes. Agora os holofotes estão em um bando de farsantes.

Ele começa metendo o pau no Tiësto:

Tiësto uma vez me disse “esses caras do trance são um bando de fracassados velhos”, talvez porque eles seguiram a paixão deles e não foram caçar buceta
Mais pessoas deveriam saber o que essas fraudes pensam de verdade
Por muito tempo esses caras fingiram fazer a própria música, ficaram famosos e deixaram nós, produtores de verdade, ralando
Engraçado como os blogs piram quando eu brinco que tô produzindo pra Krewella, mas quando eu puxo a orelha do Tiësto fica todo mundo quieto. Interessante

Aí ele parte pra cima de outro gigante do EDM e (antigamente) do trance, Markus Schulz:

Quando eu tinha que lidar com o Markus Schulz, ele tentou me sacanear pra fechar um contrato com a Armada [Music], me chamou de novato e me deu uns conselhos horríveis
Todo mundo que eu conheço e que trabalha com o cara, acha que ele é um cuzão
Só tô cobrando Markus pelos anos perdidos da minha vida

De acordo com Zo, os caras que prestam são poucos:

Caras como o Skrillex, Above & Beyond, Eric Prydz e Deadmau5 são alguns dos únicos artistas verdadeiros que encabeçam festivais

Ah, e o Diplo é um produtor não-tão-bom-mas-até-que-é-daora:

Nem todos os DJs com produtores fantasmas são fraudes, por sinal. O diplo é um bom exemplo. Ele fez sua carreira sendo diferente e tocando o que queria
Vocês acham que o Diplo tá todo ofendido porque eu disse que ele usa produtores fantasmas? Nah, é besteira, ele mesmo disse isso em entrevistas, ele sabe quais são as habilidades dele

E quando Diplo respondeu Zo, o londrinho rebateu:

Diplo: Tem dois jeitos dee um DJ mudar o mundo.. 1 Fazer boa música.. 2 Reclamar de outros DJs bem sucedidos.. Ah, pera, só tem um jeito
Mat Zo: @diplo música boa leva tempo, e o que parece com reclamação na verdade é só alguém te defendendo pela primeira vez em anos

Uma treta sobre música eletrônica não está completa até que o Deadmau5 entra no meio dela:

Eu já reclamei sobre algumas merdas antes da moda pegar. Foi engraçado, mas depois eu fui trabalhar pra mudar as coisas que eu estava criticando. Aí vai, Zo.

Aí a cagada tava feita e a guerra de tuítes começou:

Zo: mas o lance não era com você, então não sei do que você está falando
Deadmau5: aqui vai uma dica: abra seu próprio selo e lance suas próprias merdas. No palco é você que manda, não deveria ser tão difícil.
Zo: se você prestasse atenção no mundo em que vive saberia que eu realmente tenho meu próprio selo, e é por ele que eu vou soltar meu disco
Deadmau5: o mundo no qual eu vivo é o mundo que eu fiz. começa a centrar sua visão no seu mundo. um megalomaníaco a menos no mundo com quem eu tenho que lidar, porra
Zo: além de você mesmo?

E o Zo quer deixar bem claro que ele não tá falando bosta:

As pessoas acham que elas não podem mudar as coisas porque a base de fãs dela é sem educação. Bom e quem vai educá-los, os promotores?
A maioria deles entrou na dance music pelos mesmos motivos que eu, e eles se sentem impotentes também. Eles sabem que as pessoas precisam de educação.

Por que as pessoas precisam muito saber das cagadas de bastidores:

Aliás, vocês sabem que dá pra pagar pra ser headliner de um festival. Vários grandes nomes fazem isso pra garantir os melhores horários, custa uns 100 mil dólares

Por enquanto, parece que Zo deixou a metralhadora (leia-se “o Twitter”) de lado. Não é a primeira vez que ele desceu a lenha em produtores e mixers fantasmas que se alastraram pela música eletrônica. Em 2014, o própro Zo admitiu ter usado mixers fantasmas pro seu programa de rádio, e disse que a prática o fez sentir desconectado e perdido. A pergunta mesmo é: essa comida de rabo generalizada vai realmente fazer alguma diferença ou a indústria vai pouco de lixar pra isso e continuar com o negócio?

Mat Zo no Twitter

A Michelle Lhooq é a editora de features do THUMP. Acompanhe a verborragia dela no Twitter.

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