Tecnología

Até Minha Mãe Consegue Usar Este Serviço de Criptografia (Sim, Eu a Fiz Testar)

Enviar um email criptografado, para a maioria das pessoas, é dureza. Por mais que uma série de programas de troca de mensagens seguros tenham invadido as lojas de aplicativos depois que Edward Snowden revelou os segredinhos da NSA e tutoriais bem explicadinhos sobre como configurar um email criptografado já tenham sido escritos, ainda pode ser uma tarefa intimidadora para aqueles que não tem tempo ou conhecimento técnico necessário.

Mas pode ser que o povo ainda queira retomar sua privacidade e não saiba muito bem por onde começar. O Lavaboom vem para suprir essa demanda: é um provedor de e-mails que criptografa os metadados e conteúdo das mensagens entre usuários e, segundo seus criadores, é facílimo de usar. O que é interessante é que o serviço também criptografa metadados para os usuários que enviam emails do Lavaboom para qualquer outro que não use o serviço.

Videos by VICE

“Removemos todos os metadados que seriam enviados normalmente ao endereço do destinatário, e o endereço de envio e IP que aparecerão serão do coração de Colônia”, me disse o CEO da empresa, Felix Müller-Irion. (Ah, nota válida: a sede do Lavaboom fica em Colônia.) Tal recurso é importante porque, caso alguém esteja monitorando a comunicação, não tem como saber quem enviou o email a partir dos metadados.

Para testar o Lavaboom, decidi recrutar alguém com quase total inexperiência tecnológica: minha santa mãezinha.

Esta é a segunda versão do serviço; a primeira surgiu em abril de 2014. Na sexta, o Lavaboom levará sua nova versão às 25 mil pessoas que se inscreveram antecipadamente.

Para testar o Lavaboom, decidi recrutar alguém com quase total inexperiência tecnológica: minha santa mãezinha.

“Abra seu navegador”, pedi a ela, ao telefone.

“Hum, então eu vou no Google, né?” respondeu.

“Vai lá onde você digita um endereço.”

“O que, no e-mail?”

“Não, onde você vai pra entrar em um site.”

Começamos com o pé esquerdo. Assim que ela se cadastrou com o código que havia lhe dado, suas chaves de criptografia foram geradas no navegador.

As chaves funcionam da mesma forma que o PGP tradicional (tecnologia Pretty Good Privacy, utilizada para assinar e criptografar emails): há uma chave para decodificar as mensagens e uma segunda para criptografá-las para você. Tudo é feito automaticamente por meio de uma implementação do PGP em JavaScript, e as chaves podem ser armazenadas na máquina do usuário.

Captura de tela do primeiro e-mail criptografado de minha mãe. O nome dela foi alterado

Depois de criar uma boa senha, mamãe estava dentro do sistema. Ela escreveu uma mensagem curtinha, incluiu meu endereço do Lavaboom como destinatário e apertou em “Enviar”. Pronto, ao todo foram 10 minutos (é, eu cronometrei).

“Sim, é muito fácil”, disse mamãe quando lhe perguntei sobre a dificuldade do processo.

Para confirmar que o Lavaboom enviava emails criptografados, enviei alguns para mim mesmo. De fato, o texto do email era criptografado; parecia lixo puro para qualquer um que o interceptasse. Müller-Irion mencionou que isso inclui o próprio Lavaboom.

Claro que este não é necessariamente o melhor serviço de criptografia para quem lida com material mais sensível: quem se preocupa em particular com essas questões talvez prefira manter sua chave em um computador fisicamente separado, por exemplo.

Mas se até minha santa mãezinha consegue mandar mensagens criptografadas com ele, tenho certeza de que qualquer um poderia fazê-lo.

Tradução: Thiago “Índio” Silva

Thank for your puchase!
You have successfully purchased.