ma caixa de CDs do Man Is the Bastard chamada Dennis estava andando de bicicleta pela rua. No cruzamento, encontrou um velho amigo, uma pia industrial de aço inoxidável chamada Hans.
“Olha só, que bom ver você aqui”, disse Hans.
“Tudo bem?”, perguntou Dennis.
“Finalmente tirou um dia de folga?”
“Bom, a manhã está tão bonita”, disse Dennis, a caixa de CDs do Man Is the Bastard. “Acordei e pensei, ‘Se ao menos uma vez eu pudesse ter um dia para mim e simplesmente aproveitar a vida’, sabe? E então me dei conta, Meu Deus, ‘Por que não tiro o dia para mim e vou para a praia?’ Sabe, ‘Viver um pouco!’. Então aqui estou.”
Ele tinha razão—estava um dia glorioso, ensolarado, azul e com uma brisa leve. As nuvens passeavam preguiçosamente pelo céu como folhas em um riacho.
“Bom, você não poderia ter escolhido um dia melhor para ir à praia”, disse Hans, que, como já mencionei, era uma pia industrial de aço inoxidável. “Na verdade, acabei de voltar da minha natação matinal. Eu passaria a tarde me bronzeando, mas, infelizmente, preciso ir buscar minha mulher e meus nove filhos em uma hora para irmos comprar uma árvore de Natal.”
“Só espero que a praia não esteja cheia demais quando eu chegar lá”, disse Dennis.
“Verdade, verdade”, riu Hans. “Ah, por falar em praia, você não vai acreditar quem eu encontrei—Jimmy, lembra dele? Aquele frasco simpático de aspirina infantil?”
“JIMMY, O FRASCO DE ASPIRINA INFANTIL?”, gritou Dennis, a caixa de CDs do Man Is the Bastard. “AQUELE FILHO-DA-PUTA ME DEVE DINHEIRO!!”
Ele correu até a praia com sua bicicleta e freou bruscamente perto de um grupo de bolos de cenoura no estacionamento.
“Alguém viu Jimmy?” Os bolos de cenoura deram de ombro nervosamente, percebendo a fúria em sua voz.
“E você?”, perguntou a uma placa antiaborto que estava de sombreiro. “Viu Jimmy?”
A placa antiaborto de sombreiro engoliu a seco e disse, “Acho que o vi na barraca de cachorro-quente uma hora atrás…”
“Uma hora atrás. Obrigado, crânio, isso me ajuda muito”, ele disse, descendo da bicicleta.
“Qualquer um que encostar na minha bicicleta vai ter um sangramento de nariz saindo pelo cu quando eu voltar”, ele gritou.
A praia estava lotada: gente se bronzeando, nadando, jogando frisbee. Dennis percebeu que não ia conseguir encontrar um frasco de aspirina infantil no meio da multidão. De repente, uma voz chamou seu nome. Ele virou e viu um Toyota Highlander 2003 atravessando a praia em sua direção.
“Cadê o seu namorado?” resmungou Dennis.
“Ele não está aqui”, Sheila, o Toyota Highlander 2003 respondeu. “Por que você não deixa ele em paz? Ele vai pagar na quarta-feira, quando receber o salário.”
“Quieta, garota”, ele disse a ela. “É melhor você me dizer onde posso encontrá-lo hoje, imediatamente, ou vocês dois vão se alimentar por um canudo pelo próximo mês.”
“Se você está me ameaçando, vou chamar a polícia”, ela afirmou com firmeza, enquanto pegava um celular sobre um cobertor mais próximo.
“Espere um minuto. Esse cobertor é seu?”, perguntou Dennis. “Isso significa que ele estava aqui até agora pouco. E só há um lugar onde alguém possa se esconder nesta praia.” Ela o viu olhar para o palácio do governo a dez metros de distância.
“Não”, ela implorou. Mas ele já estava correndo pela areia. “Não”, ela gritou. “Não o machuque! Ele é a minha vida! NÃO!!”
Ele chutou a porta do palácio do governo. Jimmy estava encolhido no canto. Ele de fato era um frasco de aspirina infantil, com braços e pernas finos como de um desenho animado.
“Vejam só”, ele disse, sorrindo. “Se não é meu velho amigo. Como vai, parceiro? Fugindo do sol?”
“Eu ia pagar você cara, de verdade, eu ia”, disse o frasco. “Só preciso de um pouco mais de tempo…”
“Sabe, eu não me importo que você não responda meus e-maila, e nem me importo que você faça sua namorada acobertar você como uma vadia fugitiva que você é”, disse Dennis, agarrando um dos tacos de beisebol de alumínio convenientemente empilhados perto da porta da frente.
“Mas sabe o que realmente me incomoda? Que todo mundo fale como você é legal. ‘Ele é um cara tão legal, aquele frasco de aspirina infantil.’ E eu também achava. Achava você um cara tão legal que resolvi correr o risco e te emprestar seis dólares. E aqui estamos, uma semana depois, e eu preciso vasculhar os 12 continentes para receber meu dinheiro de volta. É isso que me incomoda.” Ele girava o taco de beisebol de alumínio. “Todo mundo acha você o cara mais legal na história dos caras legais, mas eu sei a verdade. Você não passa de um caloteiro de pau pequeno que não vale nada.”
“Ah, não, pelo amor de Deus”, o frasco de aspirina infantil implorou. “Vou ser pai em breve, por favor, não me machuque.”
Dennis levantou o taco. “Acho que é um pouco tarde para…”
Um barulho agudo de sirene da defesa civil soou à distância.
“Que merda?”
Ele pegou e ligou o rádio transistor que sempre carregava com ele. Um âncora de notícias estava falando.
“… cientistas confirmaram que o Large Hadron Collider da Europa Ocidental criou um buraco negro enorme que vai engolir o planeta em questão de minutos, se não segundos…”
Dennis riu. Jimmy riu. De muito, muito longe, um barulho horrível de sucção ficava cada vez mais alto.
“Sabe por que estou rindo?”, perguntou Jimmy. “Não”, disse Dennis. “Estou rindo porque faz 40 anos que eu como a sua mulher!”
Dennis estava prestes a responder, mas o terrível buraco negro os engoliu.