Pega no Roller Derby

Quando me mandaram essa pauta abri o Google Imagens e a primeira foto que apareceu era de uma colisão entre duas meninas tatuadas em que uma delas voava de boca no chão. Apesar de estarem cobertas por equipamento de proteção e parecerem fofas com suas meias calças de onça e patins de quatro rodas, aquilo tudo parecia bem violento. Não sei bem por que, mas lembrei de quando quase apanhei num show dos Garotos Podres em Santos.

Eu era uma coxinha de apenas 13 anos, e fui lá com minha melhor amiga. Quando me dei conta tava cercada por um bando de bigoduda com a cara do Charlie Brown Jr. e tendo que responder um questionário idiota pra não sair de lá sem um dente. Eu podia até parecer a Barbie na roda punk, mas com certeza entendia mais de Garotos Podres que elas… Até ouvir uma outra que nem tava na rodinha falando que ia me quebrar inteira. Arreguei na hora. Minha amiga até insistiu, mas enfiei meu rabo entre as pernas, vendi meu ingresso e sentei na porta do show, no corredor da derrota, onde além de nós tinha mais uns três meninos que pareciam estar na mesma situação. Mas sabe o que é pior? Nem podia convidá-los pra uma cerveja pra rir de tudo aquilo, eu nem bebia, nem fumava, só gostava de Garotos Podres.

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Voltando ao Roller Derby, achei o esporte bem interessante, primeiro por ser praticado só por mulheres, por elas andarem de patins todas maquiadas, terem apelidos “de guerra”. Li como começaram no Brasil, sobre o quanto é difícil conseguir patrocínio. Já tava quase entendida do assunto, e se você quiser saber mais, Google e tal. A ideia era cobrir um bootcamp durante uma semana (do dia 11 ao dia 15 de julho). Bonnie D. Stroir, fundadora da liga San Diego Derby Dolls e uma das melhores jogadoras da atualidade, daria o seminário com direito a treino intensivo e tudo mais. Pras meninas do Ladies of Hell Town (a equipe local), aquilo era algo importante, no final de semana aconteceria uma seletiva, havia a possibilidade de algumas delas serem escolhidas para participar da primeira Copa do Mundo da modalidade no Canadá no final do ano. Se eu fosse uma delas provavelmente estaria maluca com essa chance.

Tudo rolou num ginásio na Vila Mariana. Na quadra tinham meninas de diversos portes físicos, todas muito bem dispostas. Logo identifiquei a Bonnie chegando. Era um treino intensivo, fiquei cansada só de olhar. Eram aproximadamente 23 mulheres e dois homens, correndo feito loucos pela quadra–correram das seis até as oito. Na primeira pausa cheguei a ouvir um “Meu corpo dói tanto que parece que participei de um tiroteio na Paulista”, imaginei mesmo que devia ser pesado, já que elas treinavam apenas duas vezes por semana, uma semana inteira correndo 3 horas seguidas na quadra não é pra qualquer uma.

Comecei a tirar algumas fotos, testando luz, e blábláblá, quando a Bonnie veio falar comigo, “Você é repórter?” – Eu nem era repórter! Era a menina da mídia social que teve sorte de cobrir uma pauta! Mas disse que era. Achei que ela fosse falar algo construtivo né, pena que tomei um xixi brabo. Ela mandou um: “Sua idiota, por que tá fotografando elas sem patins?”. Porra, não tava fazendo as fotos! Tava só ajustando a câmera! Dei uma risadinha sem graça e não respondi. Fiquei até com vergonha de tirar fotos depois, então decidi sentar no banco e ver o treino, fazendo mais questionamentos idiotas.

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