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A Evolução do Timbaland

Essa é a história de como o DJ Timmy Tim e sua vitrola da Fisher Price reformularam a essência do pop contemporâneo como o conhecemos.
17.4.15

Illustração por Dan Evans

Quando você ouve uma batida feita pelo Timothy Zachery Mosley, você já sabe o que esperar. Essas baterias difusas, efeitos de som obscuros, percussão vocal e mosaicos sonoros orientais… a produção do Timbaland é inconfundível. Muitas vezes descrito como um produtor de hip-hop, esse rótulo é, sem dúvida, um eufemismo gigantesco. Ao longo dos anos ele se aventurou em inúmeros gêneros, incluindo R&B, pop e música eletrônica, deixando todos com uma cara nova desde então.

Abrangendo mais de 20 anos, a carreira do Timbaland é muito extensa para nos aprofundarmos em cada momento, e isso aqui não é a Wikipedia. Felizmente, ele foi encruzilhado mais de uma vez e se deparou com alguns becos sem saída em sua carreira, então iremos focar nos momentos cruciais que transformaram o DJ Timmy Tim e sua vitrola de brinquedo no padrinho do pop contemporâneo.

DJ TIMMY TIM E O ENSINO MÉDIO NA ESCOLA SALEM

(Imagens via)

No início, ele era apenas uma criança de três anos de idade que amava a

vitrola de brinquedo

que ganhou de aniversário. Logo depois ele adquiriu um teclado Casio de verdade e,

conversando com a

NPR

sobre suas descobertas de quando era adolescente, citou as mixtapes do Kid Capri como decisivas para manter sua mente musical a mais aberta possível.

Durante o ensino médio na escola Salem, em Virginia Beach, ele fez mixtapes - as quais lançou sob o inocente pseudônimo de DJ Timmy Tim. Em pouco tempo se tornou o gostosão. Entretanto, quando tinha 15 anos, foi obrigado a fazer uma pausa quando seu colega de trabalho no Red Lobster acidentalmente atirou nele, deixando-o paralisado por nove meses. Durante esse tempo, Timmy Tim aprendeu a discotecar exclusivamente com sua mão esquerda, que não foi afetada.

Munido de seu teclado Casio e de uma enorme paciência artística que só pode ser alcançada quando se está em uma cama de hospital, se tornou o produtor mestre para muitos grupos que frequentavam a escola. Incluindo seu próprio grupo, o S.B.I (Surrounded By Idiots), que contava com os membros Magoo e Magnum The Verb (que mais tarde adotaria outro nome: Pharrell Williams) e Def Dual Productions, com Gene Thorton, o mais velho dos dois irmãos que depois formariam a famosa dupla de rap The Clipse (o outro irmão é o Pusha T).

Em entrevista para a Complex, Gene lembrou: “Eu ia até a casa do Tim, e ele tinha todo o equipamento, mas o microfone não chegava até onde você queria. Você tinha que se ajoelhar entre as duas camas de solteiro que ele tinha no quarto. Mas a gente dava nosso jeito”.

No fim dos anos 80, Magoo conheceu Melissa Arnette Elliott, que na época fazia parte da banda local de R&B, Fayze, e hoje em dia é uma artista digna de apresentações no Superbowl conhecida como Missy Elliott. Magoo disse à Missy que ela deveria conhecer seu amigo Tim, e ela começou a ir para a casa dele toda noite depois da escola. Eles se tornaram praticamente irmãos, trabalhando com música juntos.

SE TORNANDO O “TIMBALAND IN DA BASSMENT”

A banda da Missy, Fayze, logo depois assinou um contrato a gravadora Swing Mob, cujo dono era Devante Swing, um pioneiro do jack swing e membro fundador da lendária banda de R&B Jodeci. Depois, o convenceu a assinar um contrato com o Tim também. Em 1992, Tim se mudou para Nova York e montou acampamento no porão da Swing, produzindo parte da coletânea Da Bassment, que também contava com a participação de Ginuwine e Tweet.

Foi aqui que Devante o nomeou Timbaland - uma referência gritante às botas caramelo que estavam nos pés de todos os rappers na época (assim como nos do Mobb Deep na foto acima). Rolam boatos de que o Timbaland foi “produtor-fantasma” de grande parte do disco clássico da Jodeci, Diary Of A Mad Band e, ao mesmo tempo que não levou crédito por isso, foi reconhecido por ter co-criado o remix do Swing Mob de “What About Us”. Mesmo nesta fase inicial, é um grande exemplo do som do Timbaland, repleto de batidas engasgadas e beatboxing.

Assim como muitos grupos talentosos que foram explorados nos anos 90, a vibe no Da Bassment se tornou muito claustrofóbica muito rapidamente. Missy disse ao VH1, no “Behind The Music”: “Nos sentíamos como se estivéssemos sendo abusados mentalmente”. No outono de 1995, o abuso mental se tornou físico, com o chefão DeVante perdendo uma disputa contratual. Tendo testemunhado violência doméstica enquanto criança, Missy rapidamente fugiu do Da Bassment e Timbaland foi com ela. Depois de uma conversa pelo telefone, Ginuwine seguiu o exemplo e se juntou ao par na arborizada Ithaca, em Nova York, onde eles começaram a se concentrar em finalmente lançar seu primeiro álbum, o The Bachelor.

Em uma crítica para a Vibe, Ginuwine disse: “Tínhamos o poder e controle da situação. Nós estavamos apenas criando. O Tim murmurava uma melodia e eu escrevia alguma letra para ela. Ou ele colocava uma pegada beatbox no ritmo. Era assim que criávamos a maioria das músicas presentes no The Bachelor”.

O álbum misturava um retorno ao soul clássico com um toque futurista, o que resultou num som próprio; um grande exemplo disso é a forma como eles combinaram samples de “Numb”, do Portishead, com “I’m Glad You’re Mine”, do Al Green, em “G. Thang”. Esse método centralizado, de trabalhar com um artista em particular de cada vez, foi o que deu certo para Tim e Missy também.

A QUERIDINHA

Era 1996 e uma vocalista de 16 anos que atendia pelo nome de Aaliyah tinha acabado de ser desvinculada de um contrato com a Jive Records devido a acusações de má conduta sexual e um casamento ilícito com seu mentor de 27 anos, R. Kelly. Kelly havia produzido seu álbum de estreia - Age Ain’t Nothing But A Number. Sem ele na jogada, foi difícil conseguir um novo produtor, até que ela ouviu uma demo de “Sugar & Spice”, uma faixa melosa que tinha sido produzida pelo Timbaland e pela Missy.

“Eles curtiram o som, era algo que eles nunca tinham ouvido antes, então disseram, ‘Vamos juntar todos vocês no estúdio com a Aaliyah. E a gente tava empolgado’”, Missy se recorda em uma entrevista para a BET.

Levando em conta que a maior parte da música do Tim e da Missy no Da Bassment era inédita ou não tinha crédito, a dupla decidiu aproveitar a oportunidade para pirar com a Aaliyah no disco que viria a ser One in a Million. Missy disse à E!: “Nós fomos até o zoológico e descolamos uns grilos, choros de criança e todo e qualquer tipo de animal, colocamos na música e voilà!”. A música que dá nome ao disco - e é o terceiro single - tem grunhidos de gafanhoto do início ao fim, e “Are You That Somebody” é lembrada pelos choros de criança sampleados. Essa manipulação de sons e vozes cotidianas se tornou um marco da produção do Timbaland.

One In A Million foi um grande passo, desviando da pegada neo-soul do R&B moderno para combinar a vanguarda da produção do hip-hop com vocais femininos melosos e sossegados. Isso fez com que o disco duplicasse as vendas de seu antecessor.

MISSY SAINDO DE CENA

Em 1997, Sylvia Rhone, da Elektra Records, fechou um contrato com a Missy, e ela começou a trabalhar no Supa Dupa Fly, que seria produzido inteiramente pelo Timbaland e foi gravado em um intervalo de duas semanas. “Eu queria quebrar todas as barreiras e correr riscos”, ela disse à E!, se referindo à gravação inovadora que se tornou a maior estreia de qualquer rapper feminina da história quando ficou em terceiro lugar na Billboard.

Seu primeiro single, “The Rain”, trazia a intro de um clássico de 1974 da Ann Peebels, “I Can’t Stand The Rain” , indo ao encontro de um funk futurista - marca do Timbaland, além de improvisos abafados e efeitos vocais distorcidos. “Você ouve ‘The Rain’ e não conseguirá encontrar nada parecido na rádio, é tipo o ano 2000. O som que a gente faz é futurista”, disse Missy em uma entrevista nos bastidores sobre o clipe - que realmente mudou a cara das mulheres na cena do hip-hop.

Em 1998, Timbaland estava lançando um álbum de estreia diversificado, e ao mesmo tempo não tanto. Tim’s Bio: Life from da Bassment era mais uma compilação de todas as faixas que ele havia produzido, portanto, não tinha a consistência de um ‘álbum’, tornando difícil julgá-lo como tal. Dito isso, ele ainda contém alguns dos melhores e mais antigos exemplos da sua capacidade de transformar qualquer gênero que chamasse sua atenção na época em um pop “cute” e “vira-lata” (confira a balada de rap nada a ver de “Lobster and Scrimp”). Os figurantes - Jay Z, Nas, Missy Elliot, Magoo, Ginuwine, Twista, Aaliyah - são de dar água na boca.

A última parceria de Timbaland e Missy três anos depois seria marcante, devido ao falecimento de Aaliyah em um acidente de avião em agosto de 2001 e Tim admitindo que metade de sua criatividade foi embora com ela. Possivelmente impulsionada pela dor, a dupla lançou uma de suas maiores obras-primas no ano seguinte.

O terceiro disco de Missy foi acompanhado por uma explicação: “Under Construction demonstra simplesmente que eu sou um trabalho em progresso, estou me aprimorando. Desde que Aaliyah se foi, eu passei a dar mais valor a vida”. Esse disco é assumidamente de hip-hop, com uma produção bombástica onde Timbaland adotou uma abordagem mais tradicional: vocais arranhados e irreverentes e samples de breaks provenientes de músicas como “Peter Piper”, do Run DMC, mas, obviamente, combinados com ruídos de elefantes na medida certa.

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MUDANDO A CENA DO POP

Por um tempo em meados dos anos 2000, Timbaland meio que desapareceu. Em um dado momento, parecia que ele tinha largado a música para sempre para se tornar um rato de academia em tempo integral, perdendo quase 45kg de acordo com a imprensa, e com grandes chances de se tornar o Sr. Gostosão de Miami naquele verão.

Não muito depois disso, Tim conquistou um aliado, o Nate “Danja” Hills - que originalmente começou a trabalhar com ele em sua turnê de ônibus. É importante mencionar que o ônibus da turnê do Timbaland se tratava de um conjunto de rodas multimilionário que foi decorado para parecer uma balada burguesa e abrigava um estúdio melhor do que os presentes na maioria das cidades.

A música estava de volta em sua lista de prioridades, e em dois anos, Danja, se tornou seu braço direito, tendo grande importância na nova direção de Tim. Juntos, eles aumentariam drasticamente a produção e mudariam o cenário da música pop, começando com um rápido lançamento de três álbuns em 2006: Loose, da Nelly Furtado, Futuresex/Lovesounds, do Justin Timberlake, e um autoral do Tim, Shock Value.

Os discos eram criados paralelamente - um começava a ser produzido enquanto o anterior estava em processo de mixagem. “Isso definitivamente abriu portas para os Skrillexs, os David Guettas e os Afrojacks que você vê hoje em dia”, Danja falou sobre o período para a Complex Magazine. Na maior parte das vezes, Tim selecionava sons de sua enorme biblioteca que construiu ao longo dos últimos 15 anos e Danja criava os loops que depois ele samplearia.

Em Futuresex/Lovesounds, do Timberlake, a meta inicial era replicar o sucesso fenomenal de “Cry Me A River”. Em uma noite de novembro em 2005, Timberlake chegou ao estúdio de Tim em Virginia Beach e o trio começou a trabalhar, gravando “What Goes Around” em apenas uma sessão. O processo de gravação do álbum fez com que o trio fizesse o papel de integrantes de uma garage band - bandas como The Killers, Arcade Fire, Radiohead e Coldplay eram uma grande fonte de inspiração para Timberlake na época, que não estava impressionado com o estado da rádio pop - Tim era o baterista, Danja cuidava das melodias e Justin era o vocalista. Juntos eles criaram um dos maiores tesouros da discografia do Timbaland: um álbum que passeava por diversos gêneros e era coeso, inovador, convincente e estava pronto para causar um grande impacto na cena mainstream.

O ano seguinte foi interessante. Timbaland estava no auge da sua jogada comercialmente falando, e era o produtor mais requisitado da época. Seu álbum autoral, Shock Value, contava com colaborações desde Elton John até The Hives e gerou uma série de hits incluindo “Give It To Me”, “The Way I Are” e “Apologize” (apenas um produtor primoroso seria capaz de pegar o OneRepublic e fazer uma das músicas pop mais duradouras do século 21). “The Way I Are” reforçou a briga com seu ex-parceiro Scott Storch, que havia se queixado de não ter recebido créditos de produtor da música “Cry Me A River” depois que Timbaland disse “eu sou um produtor de verdade, você é só o cara que toca piano”. Em resposta à isso, Storch lançou uma música bem vergonhosa, a “Built Like That”, que insinuava que “o seu querido Danja deve te odiar com tanta paixão, cacete. Ele faz os hits enquanto você leva todo o crédito, cara. (Your boy Danja gotta hate you with a passion man / he makes the hits while you’re taking all the credit, damn)”.

Não foi a única vez que Timbaland foi desrespeitado; um finlandês criador de demos do gênero chiptune tentou processá-lo por ter plagiado sua música “Acidjazzed Evening” em “Do It”, da Nelly Furtado. Para ser justo com o acusador Janne Suny, as músicas de fato eram absolutamente parecidas, mas seu caso foi por água abaixo quando foi revelado que ele nunca tinha registrado o direito autoral sobre ela nos Estados Unidos.

SE ENVOLVENDO COM ÍCONES DA MÚSICA

A essa altura, Timbaland estava cobrando mais de 274 mil dólares por uma batida - mais do que o Dr Dre na época - e a mídia o condecorou o “beatmaker mais valioso vivo”. Graças ao seu status VIP, ele começou a se distanciar ainda mais de suas raízes, fazendo parcerias com grandes nomes da música, incluindo Madonna, Björk e Duran Duran. Mas os resultados nem sempre foram favoráveis e abriram brechas para que sua consistência fosse questionada.

A banda Duran Duran inicialmente estava empolgada com a parceria durante a promo de seu álbum produzido pelo Timbaland, o Red Carpet Massacre. O tecladista Nick Rhodes disse à Billboard: “Pessoalmente falando, sempre me sinto muito mais inspirado quando trabalho com produtores urbanos do que com produtores de rock”. Mas quando o disco se revelou ser o segundo mais pobre de sua carreira, eles voltaram atrás, dizendo à The Quietus: “Quando o Timbaland viu a guitarra, o baixo e a bateria adentrando o estúdio, acho que ele ficou desgraçado, porque para esses caras tudo se resume a uma caixa”. O guitarrista John Taylor foi um pouco mais direto ao ponto, dizendo simplesmente que aquilo foi “um pesadelo horroroso”. Chegue à sua própria conclusão.

Enquanto algumas de suas ousadas parcerias foram pavorosas, outras foram muito fodas. Tim era um fã de longa data da Björk - chegou a samplear a faixa “Joga” em uma música da Missy Elliott - e já tinha expressado seu amor por “Venus as a Boy” que possui instrumentos de corda e uma influência sul-asiática que ele tanto usou ao longo de sua carreira em faixas como “Get Ur Freak On”, “Big Pimpin’”, “Indian Flute” e “Do It”.

“Nós gravamos a sessão dos instrumentos de corda em Bollywood para essa música ["Venus as a Boy"], e ele [Timbaland] ficou realmente fascinado com isso”, Björk

disse à Pitchfork

. A admiração era mútua, com a ícone islandesa revelando que uma das suas músicas favoritas do catálogo do Tim era

“Slide”

, da Missy Elliott, e dizendo também que amava “My Love”, do Justin Timberlake - “Fala sério, é incrível!”.

Eventualmente, os tapinhas nas costas à distância se tornaram uma sessão de estúdio. Tim, Danja e Björk teriam passado três horas tocando, o que de alguma forma resultou em sete faixas em 2006, um ano antes do eventual lançamento do Volta. “Ele não tinha tempo para a pós-produção, o que acabou se tornando uma dádiva porque assim eu pude brincar com os resultados por um ano e editar a porra toda”, admite Björk.

As faixas que saíram dessa parceria incorporavam todos os elementos clássicos de Tim: vocais sampleados, padrões polirrítmicos e complexos, e a influência sul-asiática que o levou até o trabalho da Björk inicialmente. Mas o álbum também apresentava a natureza híbrida do que poderia acontecer quando ele não estava envolvido no processo de pós-produção, com sua música descansando na mão de outras pessoas.

Sendo uma espécie de totalitário, era algo que ele deveria aprender a se acostumar, já que vários astros do pop estavam deixando de preferir grandes equipes de produção e se interessando por apenas um mago solitário.

ROC NATION E AS SESSÕES NO ESTÚDIO JUNGLE CITY

Foi mais ou menos nessa época que Timbaland encontrou um novo aliado em Fort Worth, Texas, que atendia pelo nome de J-Roc. Em 2013 Tim, J-Roc e Danja foram até o estúdio Jungle City, em Nova York - comandado pela Alicia Keys e Swizz Beatz -, para trabalhar em três dos maiores discos do ano: o LP auto-intitulado da Beyoncé, o Magna Carta Holy Grail, do Jay Z e a continuação do The 20/20 Experience, do Justin Timberlake.

Em janeiro daquele ano, Tim anunciou ter fechado contrato com a empresa de gestão do Jay Z, a Roc Nation. Apesar de ter trabalho com Jay anteriormente - criando hits como “Big Pimpin” e “Dirt Off Ya Shoulder” - os dois se separaram depois do Blueprint 3, por ter algumas faixas do Tim vazadas e que, por isso não foram finalizadas. “Eu estava errado”, Timbaland disse à Revolt TV. O par se reuniu no show da inauguração do Brooklyn’s Barclays Center, e Jay depois disse à Zane Lowe: “Eu vi um novo Timbaland, ele tinha amadurecido e evoluído”. Claramente mais maduro do que aquele Timbaland mascando chiclete e procurando briga com um ar professoral para cima do Jay no estúdio antes do The Black Album.

O

20/20 Experience 2 of 2

continuaria onde a primeira parte - que foi lançada no início daquele ano - parou, com James Fauntleroy compondo as músicas em parceria com o Timberlake e Tim e J-Roc na produção. O álbum era focado em estruturas de música expansivas de rock clássico e a mistura de classic soul com elementos futuristas que Tim vinha aperfeiçoando desde o álbum de estreia do Ginuwine. Mas Beyoncé e o

Magna Carta Holy Grail

fizeram com que ele trabalhasse de um jeito diferente, com uma equipe diferente e com o bem maior do produto final sendo mais importante do que seu ego. “Qualquer coisa que for para melhorar o projeto, deixa rolar. Estou curtindo essa galera”, Timbaland disse à

Revolt TV

, admitindo que, no passado, ele preferia ter controle absoluto.

SESSÃO ESPÍRITA: TRABALHANDO COM MICHAEL JACKSON

Após ter usado a carta na manga da sua “influência Michael Jackon” com o sample de “Human Nature” na música “Skull Caps & Stripe Shirts”, que fez com a banda da galera do colégio, a S.B.I, Timbaland foi consagrado CEO das Gravações Épicas de Los Angeles. Depois, liderou uma equipe de produtores para o lançamento póstumo do Michael Jackson ano passado, o Xscape. Em uma entrevista para a NBC, ele descreveu o processo como “meio bizarro”, já que as fitas com as quais ele estava trabalhando - apenas capelas - tinham a voz do Michael dando instruções aos engenheiros como se eles estivessem presentes ali no estúdio. Em um documentário feito para acompanhar o álbum, Tim explica que achava que Michael estava se comunicando através de sua música: “Enquanto eu gravava eu ouvi ele dizer ‘Isso aí, Tim, é isso que eu curto’. O espírito dele ressoava através de mim para me dar um OK.”

TIMBALAND, O MENTOR

Então, o que o futuro reserva para Timbaland, que em seu próximo bolo de aniversário terá que apagar 43 velinhas? Além de ter um projeto solo chamado Opera Noir em vista - que será acompanhado por um filme - a aposta atual mais empolgante para Timbaland é uma artista de Chicago de apenas 19 anos chamada Tink, que compartilha da qualidade característica da Missy de uma suave transição entre rimar e cantar.

Em uma entrevista com a The Breakfast Club Power 105.1, Tim está visivelmente empolgado quando fala sobre os artistas que possuem contrato com a Mosley Music Group, se descrevendo como “não o produtor Timbaland, e sim o mentor Timbaland”. Tim já colocou Tink em contato com Rick Ross e Jay Z em uma versão inédita da música “Movin Bass”, e está trabalhando para produzir seu álbum de estreia, o qual ele tem muitas expectativas, e chegou até a afirmar: “Vou colocar todo o dinheiro da minha conta nisso - ela é uma superstar!”

Os últimos anos podem ter sido os mais silenciosos para Timbaland, mas isso não diminui os outros 20 que vieram anteriormente. Ninguém deu ao pop contemporâneo mais batidas que o Timbo, e o grande lance é que ele ainda nem se aposentou.

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Tradução: Stefania Cannone