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Os curitibanos do Rolldabeetz só querem fazer um som estranho

Conversamos com Soundman Pako, metade da dupla que completa 10 anos na estrada e faz nessa quinta (4) o lançamento em vinil de seu novo EP, ‘He Kills for a Prize’.
4.8.16

No epicentro da garbosa cena techno/house de Curitiba, surgia, há 10 anos (isso mesmo, em 2006, quando "

Promiscuous Girl" da Nelly Furtado era a faixa mais tocada do momento), a dupla Rolldabeetz. O projeto é o resultado da junção de dois panos de fundo musicais bem distintos: Soundman Pako formou a banda punk Abaixo de Deus nos anos 80 e é um veterano da cena eletrônica em Curitiba, enquanto Fabø é um produtor que começou a despontar nos anos 2000, apaixonado pelos sintetizadores e queridinho dos selos gringos.

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O som do Rolldabeetz, que evita falar sobre possíveis rótulos associados às suas músicas, fez com que o sucesso individual da dupla se estendesse também ao projeto: além de terem participado de coletâneas e lançado EPs por selos de fora, como o italiano Presslab e o norte-americano Nervous, a dupla também já lançou pelos brasileiros Inminimax Rec e Tropical Beats — até, finalmente, em 2011, resolverem criar a sua própria label, e assim surge a Playperview.

Nessa quinta (4), o Rolldabeetz comemora os 10 anos de existência com o lançamento do primeiro vinil da Playperview, um EP intitulado He Kills for a Prize, que conta com duas faixas inéditas e um remix do Zopelar e Davis para a faixa-título. Quando bati um papo com Pako, ele me contou sobre a importância do vinil e dos equipamentos analógicos para o Rolldabeetz e falou sobre o desejo da dupla de fazer um "som estranho".

No epicentro da garbosa cena techno/house de Curitiba, surgia, há 10 anos (isso mesmo, em 2006, quando "

Promiscuous Girl" da Nelly Furtado era a faixa mais tocada do momento), a dupla Rolldabeetz. O projeto é o resultado da junção de dois panos de fundo musicais bem distintos: Soundman Pako formou a banda punk Abaixo de Deus nos anos 80 e é um veterano da cena eletrônica em Curitiba, enquanto Fabø é um produtor que começou a despontar nos anos 2000, apaixonado pelos sintetizadores e queridinho dos selos gringos.

O som do Rolldabeetz, que evita falar sobre possíveis rótulos associados às suas músicas, fez com que o sucesso individual da dupla se estendesse também ao projeto: além de terem participado de coletâneas e lançado EPs por selos de fora, como o italiano Presslab e o norte-americano Nervous, a dupla também já lançou pelos brasileiros Inminimax Rec e Tropical Beats — até, finalmente, em 2011, resolverem criar a sua própria label, e assim surge a Playperview.

Nessa quinta (4), o Rolldabeetz comemora os 10 anos de existência com o lançamento do primeiro vinil da Playperview, um EP intitulado He Kills for a Prize, que conta com duas faixas inéditas e um remix do Zopelar e Davis para a faixa-título. Quando bati um papo com Pako, ele me contou sobre a importância do vinil e dos equipamentos analógicos para o Rolldabeetz e falou sobre o desejo da dupla de fazer um "som estranho".

HUMP: Vocês tiveram alguma inspiração específica ou influência para compôr as duas faixas do EP?
Soudman Pako: Eu não sei se a gente se inspira em alguma coisa, na real. Nunca pra nós é parecido com alguma coisa. A gente fica trocando figurinhas com os DJs daqui, principalmente os mais próximos; eu, Fabø, Henrique [Oliveira, o HNQO], essa turma toda, e a gente manda música um pro outro, pergunta o que eles acharam. E é engraçado porque esses dias eles falaram "puts, é a cara de vocês!". Então acho que é até uma coisa bacana, durante esses 10 anos a gente conseguiu criar uma personalidade. Não que a gente faça algo que nunca foi feito, porque eu acho que isso não existe mais. Acho que sempre vai ter uma inspiração daqui ou dali, mesmo sem ser porque a gente quis, mas acaba saindo instintivamente. Mas eu acho difícil alguém ouvir nosso som e falar "ah, é igual a tal coisa", vai lembrar, talvez, mas como diz o Henrique: é nossa cara.

Que som vocês procuraram com essas músicas novas?
Sempre que a gente vai compor, a gente quer fazer algo estranho. Acho que a regra fundamental é fazer uma coisa estranha, com um barulho estranho, um som estranho. A gente chega com uma ideia, senta, e quando a gente chega no final do projeto, não tem nada daquilo que a gente planejou. Daí que eu acho que é a força da criatividade, que vem e se torna aquilo. E, realmente, o que aconteceu com o EP foi isso: quanto a gente viu, a gente estava com duas faixas que a gente pensou "nossa, não era esse o programado". [risos] Mas a gente fica feliz, porque isso é a inspiração. Graças a Deus é assim, a gente não tem uma fórmula pra fazer música.

Vai ser a primeira vez que vocês lançam em vinil?
Vai ser a primeira vez que a Playperview lança em vinil. O Rolldabeetz já participou de algumas coletâneas, e alguns EPs nossos fora; mas nosso mesmo, pela Playperview, é o primeiro.

Foto do Facebook da dupla.

Há alguns DJs mais antigos que tentam emplacar aquela premissa de "DJ que é DJ toca com vinil". Vocês concordam com isso? Não acham que é meio antiquado?
Olha, eu sou um desses. [risos] Eu comecei a tocar em 89, trabalhei com discos e sou colecionador de discos até hoje. Até o ano 2000, eu era bem radical quanto a isso. O Fabø já é de uma geração que não liga muito pra essas coisas, apesar dele apreciar o vinil, também — ele compra muito vinil, tanto de rock quanto de eletrônica. Eu sempre tive o pensamento de que pra quem tá na pista, a forma física do que tá saindo ali — se é CD, vinil, pen drive, seja o que for — não importa muito, a gente é que é chato mesmo.

E de onde surgiu a ideia de fazer um lançamento em vinil?
Era uma coisa que desde o início do selo, da Playperview — quando eu, Fabø e Henrique começamos, a gente tinha essa intenção. Mas é uma coisa muito cara — nosso selo é um selo pequeno; apesar de ter um certo reconhecimento, é pequeno. A ideia inicial era desde o início ter vinil, mas descobrimos que não era compatível com o nosso mercado. [A ideia] foi engavetada, e agora com essa história de 10 anos do Rolldabeetz quisemos lançar o primeiro. Esse é um EP que a gente curtiu bastante as faixas, e o Zopelar e o Davis fizeram aquele remix que encaixou muito bem. A gente tá fazendo um teste, meio que já queremos lançar outras coisas em vinil. Acho que, daqui pra frente, quando a gente achar que vai valer o investimento — não que vai retornar, porque o dinheiro não vai retornar, muito difícil — mas pra valorizar o selo, pra valorizar o Brasil, os próprios artistas que a gente lança. Então algumas coisas vão começar a sair em vinil direto.

Como surgiu o Playperview?
Começou bem depois do Rolldabeetz, mas partiu da necessidade da gente mesmo lançar nossas faixas. No começo é difícil, você manda som pra Deus e o mundo mas é difícil alguém escutar, principalmente se você é uma pessoa desconhecida e não um artista famoso, coisas do gênero. A gente montou realmente pra nos ajudar, e pensamos naquela outra história de que a gente tinha muito amigo que produzia também. Se ninguém faz, se ninguém toma essa atitude, vamos tomar e vamos fazer. A gente criou o selo e a coisa deu muito certo já no início. Tem muita gente de fora querendo lançar com a gente, conseguimos bons remixes e a coisa vingou. Hoje, a gente não precisaria mais do selo, mas mais do que nunca a gente quer fortalecer essa coisa nacional, o nosso selo, os nossos artistas do Brasil, e é bem por aí.

O Rolldabeetz tá completando 10 anos de carreira. O que mudou no modo de composição e produção de vocês?
O propósito do Rolldabeetz sempre foi ter uma gama muito grande de tipos de som pra tocar. A gente nunca quis focar em só um estilo, porque gostamos muito da diversidade. E [o propósito] ainda continua sendo [esse], por mais que a diversidade seja um pouco menor, mas a gente sempre procura variar no que tá tocando. Em termos de produção, é a mesma coisa. A gente continua brigando do mesmo jeito [risos]. Claro que a gente amadureceu muito durante os dez anos — o Fabø é um produtor e um engenheiro de mão cheia, e o que facilita a nossa vida é justamente isso — ele evoluiu muito nesse quesito de tecnologia. Eu, como sou velho, essas coisas demoram a entrar na minha cabeça [risos].Mas o processo de composição é praticamente a mesma coisa, só que hoje temos muito mais equipamentos, e, claro, muito mais experiência. Acredito que eu posso dizer que tudo só evoluiu — está a mesma coisa, mas evoluiu.

Você e o Fabø tem um pano de fundo musical um tanto diferentes, certo? Como vocês convergem isso no Rolldabeetz?
No começo foi até um pouco mais difícil, mas graças a Deus a gente se dá muito bem nesse quesito de gosto, e, como o Fabø é aberto, digamos que, nesses 10 anos, eu fui mostrando a ele o que acontecia, nos anos 80, nos anos 90, toda a história. Tanto é que ele pegou um gosto muito bacana por isso, ele gosta dos produtores antigos, gosta das faixas antigas, volta e meia eu sigo passando coisas pra ele e ele acha tudo aquilo maravilhoso. Mais por essa coisa da engenharia de som, que ele gosta muito; timbres, essas coisas, ele escuta essas produções que eram feitas totalmente analógicas e compara com as de hoje e fala "meu, que merda que são as produções de hoje em dia". Em termos de qualidade, é insuperável os anos 90. Claro que tem umas coisas boas hoje em dia, mas a pegada era outra. Graças a Deus, a gente trabalha muito bem nisso. Não tem essa diferença gritante que talvez eu tivesse com uma outra pessoa da mesma idade que ele, que não entendesse muito disso e quisesse fazer tudo sintético e não tivesse a cabeça aberta pra novas ideias, novos sons.

Vocês tem um apreço pelo analógico, então?
É. Eu já tive banda nos anos 80, então, pra mim isso é muito legal, e pro Fabø — eu acho que qualquer produtor que realmente comece a entender um pouco de como funciona essa coisa da gravação em si, ele vai preferir o analógico com certeza, não tenha dúvidas.

Como rolou o remix do Zopelar e do Davis pra "He Kills for a Prize"?
Quando a gente acabou as duas faixas, começamos a pensar a quem pediríamos pra remixar, quem era a cara da aquele som. E como a gente já tinha trocado algumas ideias com o Davis aqui em Curitiba e em São Paulo, e o Zopelar é um cara que a gente já conhecia, eu falei pro Fabø: "meu, vamos tentar os caras, vamos ver se os caras tem tempo, e vamos ver se eles acham que encaixa." Mas essa coisa de encaixar pra gente não tinha tanta importância, porque a gente queria uma coisa que fosse diferente mesmo. Não importasse o que eles mandassem, tava valendo. A princípio a gente mandou as duas faixas pro Davis, e ele se apaixonou, e escolheu "He Kills". Daí, ele disse que estava indo pro estúdio com o Zopelar. E o resultado pra nós foi fantástico, ficou muito boa a faixa, muito boa mesmo.

P.S.: Quem quiser mandar suas produçoes para a Playperview pode anexar um link do Soundcloud e mandar via inbox para a pagina da Playperview no Facebook.

O Rolldabeetz está no Facebook // Twitter // Soundcloud.

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HUMP: Vocês tiveram alguma inspiração específica ou influência para compôr as duas faixas do EP?
Soudman Pako: Eu não sei se a gente se inspira em alguma coisa, na real. Nunca pra nós é parecido com alguma coisa. A gente fica trocando figurinhas com os DJs daqui, principalmente os mais próximos; eu, Fabø, Henrique [Oliveira, o HNQO], essa turma toda, e a gente manda música um pro outro, pergunta o que eles acharam. E é engraçado porque esses dias eles falaram "puts, é a cara de vocês!". Então acho que é até uma coisa bacana, durante esses 10 anos a gente conseguiu criar uma personalidade. Não que a gente faça algo que nunca foi feito, porque eu acho que isso não existe mais. Acho que sempre vai ter uma inspiração daqui ou dali, mesmo sem ser porque a gente quis, mas acaba saindo instintivamente. Mas eu acho difícil alguém ouvir nosso som e falar "ah, é igual a tal coisa", vai lembrar, talvez, mas como diz o Henrique: é nossa cara.

Que som vocês procuraram com essas músicas novas?
Sempre que a gente vai compor, a gente quer fazer algo estranho. Acho que a regra fundamental é fazer uma coisa estranha, com um barulho estranho, um som estranho. A gente chega com uma ideia, senta, e quando a gente chega no final do projeto, não tem nada daquilo que a gente planejou. Daí que eu acho que é a força da criatividade, que vem e se torna aquilo. E, realmente, o que aconteceu com o EP foi isso: quanto a gente viu, a gente estava com duas faixas que a gente pensou "nossa, não era esse o programado". [risos] Mas a gente fica feliz, porque isso é a inspiração. Graças a Deus é assim, a gente não tem uma fórmula pra fazer música.

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Vai ser a primeira vez que vocês lançam em vinil?
Vai ser a primeira vez que a Playperview lança em vinil. O Rolldabeetz já participou de algumas coletâneas, e alguns EPs nossos fora; mas nosso mesmo, pela Playperview, é o primeiro.

Foto do Facebook da dupla.

Há alguns DJs mais antigos que tentam emplacar aquela premissa de "DJ que é DJ toca com vinil". Vocês concordam com isso? Não acham que é meio antiquado?
Olha, eu sou um desses. [risos] Eu comecei a tocar em 89, trabalhei com discos e sou colecionador de discos até hoje. Até o ano 2000, eu era bem radical quanto a isso. O Fabø já é de uma geração que não liga muito pra essas coisas, apesar dele apreciar o vinil, também — ele compra muito vinil, tanto de rock quanto de eletrônica. Eu sempre tive o pensamento de que pra quem tá na pista, a forma física do que tá saindo ali — se é CD, vinil, pen drive, seja o que for — não importa muito, a gente é que é chato mesmo.

E de onde surgiu a ideia de fazer um lançamento em vinil?
Era uma coisa que desde o início do selo, da Playperview — quando eu, Fabø e Henrique começamos, a gente tinha essa intenção. Mas é uma coisa muito cara — nosso selo é um selo pequeno; apesar de ter um certo reconhecimento, é pequeno. A ideia inicial era desde o início ter vinil, mas descobrimos que não era compatível com o nosso mercado. [A ideia] foi engavetada, e agora com essa história de 10 anos do Rolldabeetz quisemos lançar o primeiro. Esse é um EP que a gente curtiu bastante as faixas, e o Zopelar e o Davis fizeram aquele remix que encaixou muito bem. A gente tá fazendo um teste, meio que já queremos lançar outras coisas em vinil. Acho que, daqui pra frente, quando a gente achar que vai valer o investimento — não que vai retornar, porque o dinheiro não vai retornar, muito difícil — mas pra valorizar o selo, pra valorizar o Brasil, os próprios artistas que a gente lança. Então algumas coisas vão começar a sair em vinil direto.

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Como surgiu o Playperview?
Começou bem depois do Rolldabeetz, mas partiu da necessidade da gente mesmo lançar nossas faixas. No começo é difícil, você manda som pra Deus e o mundo mas é difícil alguém escutar, principalmente se você é uma pessoa desconhecida e não um artista famoso, coisas do gênero. A gente montou realmente pra nos ajudar, e pensamos naquela outra história de que a gente tinha muito amigo que produzia também. Se ninguém faz, se ninguém toma essa atitude, vamos tomar e vamos fazer. A gente criou o selo e a coisa deu muito certo já no início. Tem muita gente de fora querendo lançar com a gente, conseguimos bons remixes e a coisa vingou. Hoje, a gente não precisaria mais do selo, mas mais do que nunca a gente quer fortalecer essa coisa nacional, o nosso selo, os nossos artistas do Brasil, e é bem por aí.

No epicentro da garbosa cena techno/house de Curitiba, surgia, há 10 anos (isso mesmo, em 2006, quando "

Promiscuous Girl" da Nelly Furtado era a faixa mais tocada do momento), a dupla Rolldabeetz. O projeto é o resultado da junção de dois panos de fundo musicais bem distintos: Soundman Pako formou a banda punk Abaixo de Deus nos anos 80 e é um veterano da cena eletrônica em Curitiba, enquanto Fabø é um produtor que começou a despontar nos anos 2000, apaixonado pelos sintetizadores e queridinho dos selos gringos.

O som do Rolldabeetz, que evita falar sobre possíveis rótulos associados às suas músicas, fez com que o sucesso individual da dupla se estendesse também ao projeto: além de terem participado de coletâneas e lançado EPs por selos de fora, como o italiano Presslab e o norte-americano Nervous, a dupla também já lançou pelos brasileiros Inminimax Rec e Tropical Beats — até, finalmente, em 2011, resolverem criar a sua própria label, e assim surge a Playperview.

Nessa quinta (4), o Rolldabeetz comemora os 10 anos de existência com o lançamento do primeiro vinil da Playperview, um EP intitulado He Kills for a Prize, que conta com duas faixas inéditas e um remix do Zopelar e Davis para a faixa-título. Quando bati um papo com Pako, ele me contou sobre a importância do vinil e dos equipamentos analógicos para o Rolldabeetz e falou sobre o desejo da dupla de fazer um "som estranho".

HUMP: Vocês tiveram alguma inspiração específica ou influência para compôr as duas faixas do EP?
Soudman Pako: Eu não sei se a gente se inspira em alguma coisa, na real. Nunca pra nós é parecido com alguma coisa. A gente fica trocando figurinhas com os DJs daqui, principalmente os mais próximos; eu, Fabø, Henrique [Oliveira, o HNQO], essa turma toda, e a gente manda música um pro outro, pergunta o que eles acharam. E é engraçado porque esses dias eles falaram "puts, é a cara de vocês!". Então acho que é até uma coisa bacana, durante esses 10 anos a gente conseguiu criar uma personalidade. Não que a gente faça algo que nunca foi feito, porque eu acho que isso não existe mais. Acho que sempre vai ter uma inspiração daqui ou dali, mesmo sem ser porque a gente quis, mas acaba saindo instintivamente. Mas eu acho difícil alguém ouvir nosso som e falar "ah, é igual a tal coisa", vai lembrar, talvez, mas como diz o Henrique: é nossa cara.

Que som vocês procuraram com essas músicas novas?
Sempre que a gente vai compor, a gente quer fazer algo estranho. Acho que a regra fundamental é fazer uma coisa estranha, com um barulho estranho, um som estranho. A gente chega com uma ideia, senta, e quando a gente chega no final do projeto, não tem nada daquilo que a gente planejou. Daí que eu acho que é a força da criatividade, que vem e se torna aquilo. E, realmente, o que aconteceu com o EP foi isso: quanto a gente viu, a gente estava com duas faixas que a gente pensou "nossa, não era esse o programado". [risos] Mas a gente fica feliz, porque isso é a inspiração. Graças a Deus é assim, a gente não tem uma fórmula pra fazer música.

Vai ser a primeira vez que vocês lançam em vinil?
Vai ser a primeira vez que a Playperview lança em vinil. O Rolldabeetz já participou de algumas coletâneas, e alguns EPs nossos fora; mas nosso mesmo, pela Playperview, é o primeiro.

Foto do Facebook da dupla.

Há alguns DJs mais antigos que tentam emplacar aquela premissa de "DJ que é DJ toca com vinil". Vocês concordam com isso? Não acham que é meio antiquado?
Olha, eu sou um desses. [risos] Eu comecei a tocar em 89, trabalhei com discos e sou colecionador de discos até hoje. Até o ano 2000, eu era bem radical quanto a isso. O Fabø já é de uma geração que não liga muito pra essas coisas, apesar dele apreciar o vinil, também — ele compra muito vinil, tanto de rock quanto de eletrônica. Eu sempre tive o pensamento de que pra quem tá na pista, a forma física do que tá saindo ali — se é CD, vinil, pen drive, seja o que for — não importa muito, a gente é que é chato mesmo.

E de onde surgiu a ideia de fazer um lançamento em vinil?
Era uma coisa que desde o início do selo, da Playperview — quando eu, Fabø e Henrique começamos, a gente tinha essa intenção. Mas é uma coisa muito cara — nosso selo é um selo pequeno; apesar de ter um certo reconhecimento, é pequeno. A ideia inicial era desde o início ter vinil, mas descobrimos que não era compatível com o nosso mercado. [A ideia] foi engavetada, e agora com essa história de 10 anos do Rolldabeetz quisemos lançar o primeiro. Esse é um EP que a gente curtiu bastante as faixas, e o Zopelar e o Davis fizeram aquele remix que encaixou muito bem. A gente tá fazendo um teste, meio que já queremos lançar outras coisas em vinil. Acho que, daqui pra frente, quando a gente achar que vai valer o investimento — não que vai retornar, porque o dinheiro não vai retornar, muito difícil — mas pra valorizar o selo, pra valorizar o Brasil, os próprios artistas que a gente lança. Então algumas coisas vão começar a sair em vinil direto.

Como surgiu o Playperview?
Começou bem depois do Rolldabeetz, mas partiu da necessidade da gente mesmo lançar nossas faixas. No começo é difícil, você manda som pra Deus e o mundo mas é difícil alguém escutar, principalmente se você é uma pessoa desconhecida e não um artista famoso, coisas do gênero. A gente montou realmente pra nos ajudar, e pensamos naquela outra história de que a gente tinha muito amigo que produzia também. Se ninguém faz, se ninguém toma essa atitude, vamos tomar e vamos fazer. A gente criou o selo e a coisa deu muito certo já no início. Tem muita gente de fora querendo lançar com a gente, conseguimos bons remixes e a coisa vingou. Hoje, a gente não precisaria mais do selo, mas mais do que nunca a gente quer fortalecer essa coisa nacional, o nosso selo, os nossos artistas do Brasil, e é bem por aí.

O Rolldabeetz tá completando 10 anos de carreira. O que mudou no modo de composição e produção de vocês?
O propósito do Rolldabeetz sempre foi ter uma gama muito grande de tipos de som pra tocar. A gente nunca quis focar em só um estilo, porque gostamos muito da diversidade. E [o propósito] ainda continua sendo [esse], por mais que a diversidade seja um pouco menor, mas a gente sempre procura variar no que tá tocando. Em termos de produção, é a mesma coisa. A gente continua brigando do mesmo jeito [risos]. Claro que a gente amadureceu muito durante os dez anos — o Fabø é um produtor e um engenheiro de mão cheia, e o que facilita a nossa vida é justamente isso — ele evoluiu muito nesse quesito de tecnologia. Eu, como sou velho, essas coisas demoram a entrar na minha cabeça [risos].Mas o processo de composição é praticamente a mesma coisa, só que hoje temos muito mais equipamentos, e, claro, muito mais experiência. Acredito que eu posso dizer que tudo só evoluiu — está a mesma coisa, mas evoluiu.

Você e o Fabø tem um pano de fundo musical um tanto diferentes, certo? Como vocês convergem isso no Rolldabeetz?
No começo foi até um pouco mais difícil, mas graças a Deus a gente se dá muito bem nesse quesito de gosto, e, como o Fabø é aberto, digamos que, nesses 10 anos, eu fui mostrando a ele o que acontecia, nos anos 80, nos anos 90, toda a história. Tanto é que ele pegou um gosto muito bacana por isso, ele gosta dos produtores antigos, gosta das faixas antigas, volta e meia eu sigo passando coisas pra ele e ele acha tudo aquilo maravilhoso. Mais por essa coisa da engenharia de som, que ele gosta muito; timbres, essas coisas, ele escuta essas produções que eram feitas totalmente analógicas e compara com as de hoje e fala "meu, que merda que são as produções de hoje em dia". Em termos de qualidade, é insuperável os anos 90. Claro que tem umas coisas boas hoje em dia, mas a pegada era outra. Graças a Deus, a gente trabalha muito bem nisso. Não tem essa diferença gritante que talvez eu tivesse com uma outra pessoa da mesma idade que ele, que não entendesse muito disso e quisesse fazer tudo sintético e não tivesse a cabeça aberta pra novas ideias, novos sons.

Vocês tem um apreço pelo analógico, então?
É. Eu já tive banda nos anos 80, então, pra mim isso é muito legal, e pro Fabø — eu acho que qualquer produtor que realmente comece a entender um pouco de como funciona essa coisa da gravação em si, ele vai preferir o analógico com certeza, não tenha dúvidas.

Como rolou o remix do Zopelar e do Davis pra "He Kills for a Prize"?
Quando a gente acabou as duas faixas, começamos a pensar a quem pediríamos pra remixar, quem era a cara da aquele som. E como a gente já tinha trocado algumas ideias com o Davis aqui em Curitiba e em São Paulo, e o Zopelar é um cara que a gente já conhecia, eu falei pro Fabø: "meu, vamos tentar os caras, vamos ver se os caras tem tempo, e vamos ver se eles acham que encaixa." Mas essa coisa de encaixar pra gente não tinha tanta importância, porque a gente queria uma coisa que fosse diferente mesmo. Não importasse o que eles mandassem, tava valendo. A princípio a gente mandou as duas faixas pro Davis, e ele se apaixonou, e escolheu "He Kills". Daí, ele disse que estava indo pro estúdio com o Zopelar. E o resultado pra nós foi fantástico, ficou muito boa a faixa, muito boa mesmo.

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Você e o Fabø tem um pano de fundo musical um tanto diferentes, certo? Como vocês convergem isso no Rolldabeetz?
No começo foi até um pouco mais difícil, mas graças a Deus a gente se dá muito bem nesse quesito de gosto, e, como o Fabø é aberto, digamos que, nesses 10 anos, eu fui mostrando a ele o que acontecia, nos anos 80, nos anos 90, toda a história. Tanto é que ele pegou um gosto muito bacana por isso, ele gosta dos produtores antigos, gosta das faixas antigas, volta e meia eu sigo passando coisas pra ele e ele acha tudo aquilo maravilhoso. Mais por essa coisa da engenharia de som, que ele gosta muito; timbres, essas coisas, ele escuta essas produções que eram feitas totalmente analógicas e compara com as de hoje e fala "meu, que merda que são as produções de hoje em dia". Em termos de qualidade, é insuperável os anos 90. Claro que tem umas coisas boas hoje em dia, mas a pegada era outra. Graças a Deus, a gente trabalha muito bem nisso. Não tem essa diferença gritante que talvez eu tivesse com uma outra pessoa da mesma idade que ele, que não entendesse muito disso e quisesse fazer tudo sintético e não tivesse a cabeça aberta pra novas ideias, novos sons.

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É. Eu já tive banda nos anos 80, então, pra mim isso é muito legal, e pro Fabø — eu acho que qualquer produtor que realmente comece a entender um pouco de como funciona essa coisa da gravação em si, ele vai preferir o analógico com certeza, não tenha dúvidas.

Como rolou o remix do Zopelar e do Davis pra "He Kills for a Prize"?
Quando a gente acabou as duas faixas, começamos a pensar a quem pediríamos pra remixar, quem era a cara da aquele som. E como a gente já tinha trocado algumas ideias com o Davis aqui em Curitiba e em São Paulo, e o Zopelar é um cara que a gente já conhecia, eu falei pro Fabø: "meu, vamos tentar os caras, vamos ver se os caras tem tempo, e vamos ver se eles acham que encaixa." Mas essa coisa de encaixar pra gente não tinha tanta importância, porque a gente queria uma coisa que fosse diferente mesmo. Não importasse o que eles mandassem, tava valendo. A princípio a gente mandou as duas faixas pro Davis, e ele se apaixonou, e escolheu "He Kills". Daí, ele disse que estava indo pro estúdio com o Zopelar. E o resultado pra nós foi fantástico, ficou muito boa a faixa, muito boa mesmo.

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