Nem na Feira muilôq do Bátiman o Batman era mailôq’o Brasil. Aqui a Batcaverna é ponto de crack e tem quem trema com a ideia de uma cidade no sul de Minas Gerais se transformar numa espécie de Arkham City. Porque a cadeia de Lavras tá bem cheia e um advogado entrou com pedido de habeas corpus coletivo a favor de todos os 248 detentos que superlotam a capacidade máxima de 51 indivíduos do Presídio Estadual daquela cidade. Isso quer dizer que, se a Justiça achar essa uma boa ideia, alguns dos detidos serão transferidos, outros passarão para o regime semi-aberto e mais uns aguardarão julgamento em liberdade. Comam essa com requeijão, roteiristas.
O HC foi protocolado pelo criminalista Luiz Henrique Santana no dia 25 de janeiro, por questões humanitárias (ou precariedade de condições). Apesar de já ter dito não concordar com os crimes, se solidarizou depois de ter tido “mais contato com o submundo das cadeias” e conhecido uma “realidade que pouca gente conhece, a realidade das barbáries que acontecem nos presídios” (trecho emprestado do Jornal de Lavras). Continua o site: “Ele disse que, após várias reclamações de presos e seus familiares sobre a superlotação da cadeia, tomou conhecimento de um documento da diretoria do presídio, onde informava o numero de celas, acomodações e a sua lotação. Para ele, isso tem de acabar. Disse ainda que as cadeias são corretivas, visam recuperar o indivíduo que comete atos ilícitos que estão em desacordo com a sociedade. Segundo ele, naquelas condições subumanas ninguém recupera, um indivíduo colocado numa cela de pouco mais de 3 metros quadrados junto de 15 homens pode sair dali um monstro, capaz de tudo, e isso é mais prejuízo para a sociedade”.
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A própria Secretaria do Estado de Defesa Social já admitiu a superpoulação, mas tentou se safar com a conversa de que já está em andamento o processo para a construção de outro presídio. Isso passados mais de três anos desde que o Ministério Público entrou com uma Ação Civil Pública pedindo a interdição do complexo — onde, fora a terrível “Cela 3” (com 16 colegas em 16 m² e nenhuma cama), ainda há uma ala que abriga menores de idade. Uma “bomba relógio”, diz Santana. E tudo isso ao lado do quintal da dona Ana.
Em e-mail, o Tribunal de Justiça de MG disse ainda não ter respostas sobre o pedido.